segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Millôr e Brasília


" Brasília desestimula qualquer um a fazer o que sabe, mas estimula todo mundo a meter a mão no que bem entende."



" O seu panetone já chegou? Nem o meu." (eu)

Polonesa ensinando brasileira a fazer caldo francês















Minha amiga (acho chato escrever toda hora minha amiga mas, como não quero ficar citando nomes, não descobri outra forma ) tinha uma receita simples e deliciosa, que vou ensinar pra vocês.

Ela dizia ser o segredo da vida longa e da boa saúde dela. Exageros à parte, realmente é uma gostosura e forte, além de ser o maior quebra-galho do mundo. Desde que aprendi a fazer, não passo sem o famoso "bouillon" dela em meu freezer.

O que vem a ser um "bouillon"? Nada mais, nada menos, que um caldo. No caso do dela era caldo de galinha.

Ele pode ser tomado sozinho, com arroz - aí vira uma canja deliciosa - com aquele macarrão fininho que se chama cabelo-de-anjo, com ovo cozido, quer dizer, é um pau-pra-toda-obra.

Como fazer o bouillon.

Na realidade, tudo que se usa, vai ser consumido, mas os ingredientes são mais pra formar o caldo, dando sabor e valor nutritivo. O importante mesmo será o caldo.

Pra fazer, você vai pegar um panelão, ou um caldeirão, e colocar uns 4L d'água. Limpar bem limpinho uma galinha e jogar lá dentro (precisa cortar em pedaços não) Colocar um maço de alho poró, umas 3 cenouras grandes, cortadas como quiser, sal, nada de óleo - porque o da "colega" já é suficiente- uns 3 dentes de alho, um molho de aipo e 1 cebola grandona.

Deixe isso tudo cozinhar, por pelo menos umas 3 horas, em fogo baixinho.

Um segredo, e que ela me enchia o saco enquanto me ensinava, era que, volta e meia, você destampa o panelão e retira "suavemente tá vendo?" a camada de gordura que se acumula por cima. Quando ele ficar pronto, quase não vai ter gordura.

Depois de pronto, quase tudo se desfaz, inclusive a "colega" então é hora de pegar uma peneira, ou um "chinois" (aquele cone-filtro) e coar.
Daí, separe em vasilhinhas e congele o caldo de ouro.

O que sobrava, normalmente ela devorava em uns dois dias.

Pintou fome? Chegou da noitada fraco devido aos excessos? "Bouillon." Ressaca dos diabos? Bombril, quer dizer, "bouillon."
Como assim?
Pegue uma vasilhinha ( ou duas ou três, dependendo do público pagante e ouvinte ) do caldo congelado e coloque direto no fogo, quando derreter, coloque o macarrão.
Tem uma sobra de arroz? Mesmo processo.
Faça umas torradinhas, quebre em pedaços e dá-lhe caldo junto.
Sobrou um tico de legumes do almoço? Mesmo processo.
Sobrou bife de frango, que não dá pra todo mundo? Corte em pedacinhos e... já sabe.

E chega de dar idéias. Vale tudo! E, ainda por cima, não engorda.

Esta é a melhor parte.
Isso não tem nada a ver com a receita, mas me lembrei : na França, tem um programa de TV que eu adoro, que se chama Bouillon de Culture, apresentado por um senhor muito simpático que se chama Bernard Pivot. Espero que ainda esteja no ar. Sei não! Fala sobre livros e traz o autor sempre. Uma vez veio o Chico, com um dos livros dele e, com um francês mais bonitinho do mundo, foi falando e respondendo perguntas. Ele tava de perna quebrada, engessada e de bengala. E todos riram muito quando ele disse que tinha sido acidente de craque, no futebol.

domingo, 29 de novembro de 2009

Peixinho na água e afogando na neve.
















Estávamos passando o final do ano no Alpes Franceses. Lugar lindo, já falei sobre ele aqui. Saint-Nicolas La Chapelle, divisa da França com a Suíça. Casa de meus queridos amigos, quase todo ano passo o inverno lá e sempre carregando alguém comigo.

Naquele ano, levei comigo uma sobrinha, que nunca tinha visto neve.

Época do Natal, aquelas montanhas cheias de pinheiros, todos branquinhos de neve coisa mais linda.

"Então amanhã vamos fazer um passeio nas montanhas. Fazer uma caminhada." Francês adora caminhada, nevando ou não. Minha sobrinha adorou a idéia.

Conhecer a neve, andar nela, comer neve, brincar com ela, levar uma chuvarada no rosto, é tão bom quanto a primeira vez que vemos o mar. As emoções são muito parecidas.

E lá fomos nós !

Íamos fazer um passeio de raquette (até coloquei a foto pra quem não conhece). É uma espécie de raquette de tênis, de plástico duro, que serve pra gente andar sem se afundar quando a neve tá alta e fôfa. Éramos umas 8 pessoas. Destas, duas crianças que moram na cidadezinha, quer dizer, acostumadíssimos com neve como nossos meninos são com a bola.
Tinha nevado muito à noite e o dia amanheceu a coisa mais linda do mundo ! Céu azulzinho, um frio de -13ºC.
Depois de vestir todas as roupas próprias pro evento, vamos à parte do calçado.
Começou a jornada. Primeiro, meia hora pra atar as raquettes nos pés e dar uma andadinha na porta pra treinar.
Ok. Quem nunca tinha colocado a raquette nos pés, entendeu ? OK. Todo mundo entendeu. Entender é uma coisa agora, andar com os pés amarrados numa espécie de peneira, não é tão simples. Mas vamos tentar.
Cai um, cai outro, amarra de novo, não tínhamos andado nem 10m ainda quando, não sei como, minha sobrinha caiu de frente, como num mergulho na piscina.
Como tinha nevado muito, a neve tava fôfa, bem fôfa, de quase 1m de altura.

Aí que foi engraçado demais! Ela começou a nadar na neve. Batia os braços, se debatia e, já estava realmente se afogando, quando a pequena de 6 anos, nativa, chegou e puxou a cabeça dela pra cima. Cena mais hilária impossível! Ela tossia e respirava com sofreguidão, tipo puxando o ar...ham...ramm...uuuii...uuufffeeee...huuummm...raaaaammmm... e a pequena, tranquilamente, disse pra ela: "Quando cair assim é só levantar a cabeça". Elementar meu caro Watson... muito elementar quando você nasceu ali, já nasceu esquiando.

E a gente riu muito. Rimos tanto e tão alto, aqueles gritos de brasileiro diante de qualquer situação de aperto e mico que, na mesma tarde, quando minha amiga foi fazer compras, a vendedora da padaria e mais outras pessoas que estavam lá, queriam saber o que tinha acontecido conosco, porque o vilarejo de 480 habitantes todo riu junto com nossas gargalhadas.

Mesmo sem saber porquê. Mas nosso riso contagiou!

Tu sais Ida, moi, moi... j'adooooore profiter de toi!!!

























Em minhas temporadas na França, sendo babá, a gente passava feriados ou verões na Bretagne.

Aquele mar lindo, congelado, que pra entrar ao meio-dia - pra nós brasileiros acostumados com água morninha na maior parte de nossas praias - doía até na alma.

E a areia da praia onde íamos, era aquele tipo grossa e chapada. Nada de fofinha. E tinha muito pedregulho. Muito mesmo! Já vi muita gente entrar no mar de sandálias ou mesmo tênis.
Sério!

Quando a gente voltava pra casa, enquanto andava pela praia ainda ia bem, o pequenino reclamava mas ia andando. À medida que íamos chegando perto da calçada e que as pedras ficavam maiores, aí doía mesmo os pés. E todo dia era a mesma coisa. "Me carrega". Carregava, lógico, junto com cadeirinha, carrinho, sombrinha, sacola e a tralha toda de praia que todo mundo conhece muito bem.

Nesse dia foi muito fôfo e especial, por isso tô contando.
Quando fomos chegando nas pedras, ele já empacou e pediu colo. Eu peguei e disse: "Olha, Pululuti, só até no passeio, chegando lá vai pro chão, entendeu?" Ele nem respondeu, talvez porque soubesse que aquela ladainha não levava a nada e o colinho tava garantido.

Chegando na calçada, fui soltando o braço pra ele descer e só senti as mãozinhas grudadas no meu pescoço. Tentei puxar e nada. Virei pra ele séria e disse: "Assim não dá pititito, assim você tá se aproveitando de mim".

E ele, com a cara mais brasileira do mundo, sorrizinho de banda, falou: " Tu sais Ida, moi, moi j'adore profiter de toi!!!" (Sabe Iêda, eu, eu adooooooooro aproveitar de você.") E riu de gargalhar!

É a velha história, a gente ensina a ficar esperto, sabidinho, estimula a inteligência, alimenta bem, depois não pode reclamar, né não ?
Até hoje, todas as vezes que nos encontramos, dentre tantas histórias que conto e reconto, o pululuti (que vai fazer 21 anos) me pede pra contar essa.
E morre de rir!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Nobreza não perde memória...foi só um lapso


A turma de fiéis leitores sabe que a princesa tava na casa dos 70 aninhos mas, com corpete e belezura de 50, correto? OK.

E que ela quase toda noite saía pra jantar com amigos, reuniões e sei lá mais o quê.

E que nós morávamos num apartamentinho de 11 peças, perto do Arco do Triunfo. Lugar simplesinho.

E também se lembram que ela teve uma educação severíssima, daquelas que não perde a pose nem no trono. Bobagem minha, trono é lugar de pose. Plebeu é uma raça que não entende nada mesmo.

Tô dando esse resumo pro caso fazer sentido. O que vou contar.

Os meus aposentos ( chic demais! ) ficavam no início do apartamento e a janela do meu quarto ficava bem acima da porta de entrada do prédio, no primeiro andar.

Um belo dia, ela saiu toda serelepe eu fiquei na minha, fui dormir e já tava no meu estado de coma normal de quando durmo, quando acordei com pedrinha na janela e ela me chamando alto. (Princesa não grita....rs)

Saí do coma tonta, abri a janela e ela falou quase chorando: "Esqueci o código da porta. Qual é mesmo?" Eu disse, ela abriu e entrou.

Voltei pra cama num pulo e, quando já tô me ajeitando, ela entra no quarto. Isso jaaaamaaaaais aconteceu. Nunca ela entrou no meu quarto. Se precisava de alguma coisa batia na porta.

Foi entrando e falava meio que desesperada: " Isso nunca me aconteceu... que que pode estar havendo? Nunca me aconteceu antes..." e repetia, repetia. Depois de uns minutins, virei pra ela determinada a terminar com a patacada e disse: "Escuta princesa, se nunca aconteceu, aconteceu agora, hoje. Vai dormir. Amanhã escrevo num papelzim o código e doravante prafrentemente andarás com ele na bolsa. Tá bem? "
Ela sentiu que eu tava pondo um fim na prosa e caiu fora.

Pode? Eu tô lá preocupada de ficar guardando tralha na cabeça? Mas ela era de uma rigidez do cão. Não se conformava com este esquecimento. Deve ter ficado com medo. Aquele medo que começa aos 30.

Mas coloquei o papelzim na carteira.

Agora, só faltava me acordar pedindo óculos pra ler o papelzim.

Você conhece o Caraça? Não? Te apresento.























































Próximo feriado agora só no Natal, né? Mas, se você tem aquele dia de bônus no trabalho ou mesmo só pro sábado e domingo, morando perto de Belo Horizonte ( longinho também vale ) tenho uma dica dos deuses.

Dos deuses, caso você goste de comidinha mineira, aconchego mineiro, hospitalidade, passear pela estrada a fora, nadar em cachoeiras. Ler com tranquilidade, namorar, conhecer vilarejos tranquilos, tudo isso e muito mais que, com sua imaginação, pode acrescentar.

Que tal trazer aquele caderno de desenhos, aquela tela que você começou há um tempão e não acha hora de terminar ?

E aquele livro de contos, paixão antiga, aquelas poesias que você tem na sua cabeça. É só vir pro Caraça que tudo isso vai rolar, vai fluir com uma facilidade que você vai ficar freguês.

Não tá a fim de festas de Natal e Ano Novo? Vai pro Caraça. Carnaval, tá fora? Vai pro Caraça. Quer ficar sozinho? Quer mostrar pros seus filhos coisas que eles só viram nos livros? Vai pro Caraça. Seu filho já viu um lôbo de pertinho? Nem você? Venha conhecer no Caraça.

Se, depois disso tudo, você não achou um só ponto que te desse vontade de conhecer este santuário, tem problema não. Depois dou idéia de outros lugares. Quem sabe praia? Cidade grande?

Democracia total! O que eu quero é que você seja feliz.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Minha amiga sendo apresentada à sociedade brasileira...


E começou a romaria !

Durante as primeiras semanas que minha amiga esteve aqui em casa, foi um entra-e-sai sem fim.
Todo mundo queria conhecer a amiga francesa da Iêda, de quase 100 anos, que morava sozinha em Cannes, nasceu na Polônia, viu, quando era criança, judeus sendo amarrados em caudas de cavalo e os cavalos correndo em círculo numa praça, até que não sobrasse mais carne nem osso atados à corda, que se casou muito jovem e logo teve que fugir com o marido e se instalar em um país ( Bélgica ) completamente estranho, onde teve dois filhos e, na segunda guerra, precisou deixar as crianças em uma escola católica, fugir pra França e ficou quase 4 anos sem saber nada sobre os filhos e, quando foi possível recuperar os dois, teve que raspar as duas cabecinhas, tamanha era a quantidade de piolhos infestada nelas.

Isso é só uma amostra de uma vida vivida realmente com intensidade !

Agora, imaginem vocês a reação dessa polonesa cada vez que eu abria a porta e já ia adentrando ao gramado, uma pessoa de braços abertos preparada pra um abraço caloroso e chamando ela pelo primeiro nome, na maior intimidade?

A pobre se encolhia, olhos arregalados e, imagino, achando que tava sendo atacada.

Mas, como eu digo sempre, esse povo que é mais seco, sério, não muito dado a abraços, beijos e demonstrações de carinho, principalmente em público, é um povo que ama tudo isso e não teve oportunidade de aprender a usar.

Facim facim de ser corrompido por nós. Pela nossa leveza e alegria. Em poucos dias ela tava soltinha quiném arroz "parabólico". Soltinha até demais...tanto que logo descobriu, não sei como, que, não muito longe de BH, tinha uma cidade com estação de águas que era uma maravilha e lá fomos eu e ela pra Araxá.

Isso vai ser outro capítulo, porque termas de Araxá com uma senhora de noventa e tantos anos, foi minha passagem pro céu. Garantida!

Tenho até crédito !

Você sabe de alguém que joga Bridge em Belo Horizonte?


Uma das primeiras providências que tive que tomar, quando minha amiga chegou da França, foi encontrar um lugar pra ela jogar Bridge. Meu Jesus Cristinho...! Nunca na minha vida soube que alguém jogava Bridge em Belo Horizonte.
Pergunta daqui, páginas amarelas dalí, encontrei um Clube de Bridge. Acreditam? Cidade mais formosa e esperta, essa!

E lá fomos nós fazer a matrícula, quiném criança na escola.

O povo jogava, se me lembro bem, duas vezes por semana. Ela se inscreveu, gostou do lugar, também se não gostasse teria que ficar lá mesmo. Tava pegando o boi que existia um.

E ficou ansiosa esperando o primeiro dia pra conhecer os coleguinhas e ver se jogavam tão bem quanto ela. Pouco modesta.

Primeiro dia, lá fomos nós. Só faltou a merendeira. Eu, como toda "mãe", resolvi ficar o primeiro dia pra fase de "adaptação". Eu mereço ! Como diz meu amigo:"num guenta, pra que qui inventa?"

Vocês já devem estar imaginando no que deu. Claro!!! Ela virou a rainha do pedaço. A queridinha de todos. Era Fulana pra cá, Fulana pra lá. Pinto no lixo era pouco.

Tinha um senhor belga, muito simpático, que ela logo garrou numa amizade com ele, porque ela já tinha morado em Bruxelas, quando veio fugida da Polônia na época da guerra (ai meu Deus, tenho que contar isso também!). Tinha mais alguém que falava francês. Um céu !

A partir daí, ficou assim: se o tal jogo começava às 3h da tarde - como disse o Saint-Exupéry no Pequeno Príncipe - às 2h ela já começava a ser feliz. Já tava prontinha esperando.

Eu levava, deixava ela lá e buscava na saída. Pode? Ela dizia que jogava Bridge por indicação médica. Era pra não deixar o cérebro ficar preguiçoso. E é verdade!

E ficava lá, se sentindo em casa. Toda toda no seu Jardim da Infância.

Millôr sempre atual e Henfil colado atrás




" Aperte bem o indicador contra o polegar e você terá noção do que é o salário mínimo ." (1991)

E minha amiga vem ao Brasil pela primeira vez ...


Já tinha um tempo que eu tava na França e fui a Bordeaux me despedir de um amigo, porque ia voltar pro Brasil daí a dois dias.

De lá, liguei pra minha amiga que morava em Cannes pra dar os parabéns. Aniversário dela.

Ela atendeu toda contente e, papeando, perguntei se alguém tinha ligado, passado, se ganhou algum presente, bolo de aniversário, e ela disse que não, só seu filho que tinha passado lá por alguns minutos. Conversei mais um pouco e desliguei o telefone com a moral no chão.

Fiquei parada, meio sem ação, então meu amigo perguntou: "Algum problema?"
Eu disse: "não, problema não, mas não consigo me acostumar com essa diferença de cultura, de costumes. Ela tem neto, bisnetos, filhos, como pode ser normal ninguém ligar e deixar ela passar o aniversário sozinha tricotando, como se tivesse ainda muitos anos de vida pela frente..."

Não consigo me imaginar na idade dela, sozinha, sem nem um filho de amiga ou sobrinha que venha me dar um beijo no dia do meu aniversário.

Meu amigo, muito gozador, falou pra mim como na piada: "Tá com pena? Leva ela pra você! "
Nunca ele foi tão perfeito.

Na mesma hora, peguei o telefone e liguei pra ela de novo, perguntando: "Você teria coragem de ir pro Brasil comigo?"
Sem pestanejar, ela disse: "Com você eu vou pra qualquer lugar do mundo". Até hoje fico emocionada quando me lembro dessa frase.

Desliguei o telefone e, já na sequência, liguei pra filha dela perguntando o que ela achava da idéia. Adorou a idéia e disse que ia providenciar tudo: seguro saúde, passagens, ver se o passaporte tava em dia ... e, como eu já tava indo, ela iria sozinha daí a alguns dias. Tudo bem !

Em dez dias eu tava no aeroporto em Belo Horizonte, ansiosa esperando por ela.

Chegando aqui em casa, nos sentamos na cozinha pra tomar um chá e ela, vendo um adesivo pregado na minha geladeira, perguntou o que tava escrito e eu disse: "Quando é que você vai fazer uma loucura?"

No que ela falou, sem vacilar: "Já fiz. Tô aqui no Brasil".
Este foi só o primeiro dia... Contarei os causus da temporada dela, que durou dois meses e meio.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Eita mundo pequeno, meu Deus! Eu na China...


E estávamos eu e minha amiga em Pequim. Apesar das dificuldades com a língua e pra circular, fizemos tudo que queríamos.

Saímos um dia pra ir à Casa da Amizade, que era uma espécie de loja do governo com artesanato em geral , não sei se ainda existe hoje, mas, quando fomos lá, a coisa era tão feia que existiam duas moedas: uma pro povo outra pra turista.

Minha amiga adorava uma foto. Eu sou mais desligada. E lascava eu a tirar foto dela o tempo todo. Ao lado disso, em cima daquilo, abraçada com o poste, atrás sei lá de onde. E brincava com ela dizendo que ela era muito cafona, com essa mania de foto o tempo todo. Brincadeira mesmo porque não tô nem aí, quer tirar, tira, ou melhor, eu tiro.

Estamos nós em frente à Casa da Amizade e ela me pede pra bater uma foto. Lá vou eu. Enquanto ela fazia a pose, falei: "Eita cafonice meu Deus, essa mania de foto!" No mesmo instante, ouvi atrás de mim: "acho cafona, não!"

Me virei e eram dois brasileiros. Até aí nada demais, mesmo sendo na China, há tantos anos.
Começamos a conversar e eles disseram que estavam fazendo um trabalho, pra não me lembro quem, trabalhavam no Porto de Tubarão no Espírito Santo.

Pra quem não leu ainda posts mais antigos, aviso que estava de férias, e trabalhava nesta época no Iraque.
Ok.

Minha amiga diz: " vocês são capixabas? Eu também. Que coincidência!" Ainda não foi a maior. Vejam só !
E continuou ela: "tenho uma irmã que trabalha no porto." E eles: "mesmo? Como ela se chama?" Apesar de ter trocentos mil funcionários, esta pergunta é inevitável, né?

Parenteses (adoro um).
Já encontrei, não só uma vez mas várias, pelo mundo, gente que me diz: "você é brasileira? Tenho um tio que mora em São Paulo. Fulano, quem sabe você não conhece?" Quando tô num dia ótimo, arrasto a conversa. "Fulano? Como ele é? Parece que já ouvi este nome..." hhheeeee.....

Voltando ao papo...
"Ela se chama X." "Mentira! Não acredito!!! Você que é a Fulana, irmã da X? Olha, quando falei que tava vindo pra cá, sua irmã, que é minha amiga, me disse que você também viria de férias, mas nem falou mais nada, porque vir pra esse planeta China, seria muito achar que a gente poderia se encontrar."

O que eu acho mais doido é a gente estar no mesmo lugar, naquela hora, parados a uma distância que um podia ouvir o outro, e eu ter falado no momento da foto, porque se tivesse ficado calada, jamais eles saberiam que a gente era da mesma terra.

Depois conto a odisséia que foi pegar um táxi, neste dia, pra voltar pro Hotel. Com direito a não acreditarem, claro!

Trio que deu certo

Ficou muito boa a combinação Chico, Elza e o cartunista Angeli. Pra quem ainda não viu, vale a pena ver.

Façamos? Vamos amar.

Se preferir, vá direto : http://tvuol.uol.com.br/musica/clipes/2005/04/28/ult2562u108.jhtm



video

Rio Sena e suas pontes.

































Você sabia?
- Que o Rio Sena percorre Paris por 13 kms? Dentro da cidade ! Não vou repetir o que é "dentro da cidade". Vão estudar no post "Circulando..." que já expliquei. Colocar ordem nesse blog...rs.

- Que a parte mais larga do rio tem 105 m? Estreitinho, né?
- A parte mais estreita tem 30 m. Um pulo pro João do Pulo.

- A Petit Pont é a mais antiga, ninguém sabe quando foi construída, e com data, em segundo lugar, fica a Pont au Change que é de 1304. Pode uma coisa dessas? E tá lá, firmona!

- A ponte mais chiquetérrima é a Alexandre III. Isso não sou só eu que acha. A ponte mais romântica e delicada é a Pont Neuf .

- São 36 as pontes no total, ligando lado direito ao lado esquerdo do rio.

- Você vai ver placas em algumas pontes dizendo: "Danger de Noyade." Tome cuidado pra não cair e se afogar. As pessoas se debruçam muito, pra ver não sei o quê, e tibum!

- Que o rio tem três ilhas neste percurso : a Île de la Cité, Île Saint-Louis e a Île aux Cignes

Na Ilha de la Cité, fica a Catedral de Notre Dame e o Palácio da Justica, onde fica a maravilha que é a Sainte-Chapelle.

Indo à Île de la Cité, não se pode deixar de conhecer uma das praças mais simpáticas e deliciosas da cidade que é a Place Dauphine, na Pont-Neuf. Tem restaurantes simpáticos e nada melhor do que, depois de comer e tomar um belo sorvete, se sentar nos bancos e conversar fiado.
E namorar.

Pra ficar fácil de identificar, a parte direita do rio, é o lado onde ficam o Quartier Latin, a Sorbone, Montparnasse, Saint Germain des Prés, Jardin de Luxembourg e, no lado direito ficam a Place de la Concorde, Jardin des Tuileries, Av. des Champs Élisées, Bastille.

Esse blog dá um prêmio pra quem conseguir se perder em Paris.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Millôr ensinando a deixar de ser...bobo.


" Quando você comete uma besteira e se sente um perfeito idiota, está começando a deixar de sê-lo."

Doar é muito bom : de roupa a sangue, de sangue à medula.
















Minha amiga fazia crochê o dia todo. Todo mesmo. E era engraçado porque era sempre o mesmo modelo. Uma espécie de casaquinho. Um gilet, em francês.

E ficava num tal de faz, desmancha, faz, desfaz, refaz, que chegava um momento que a lã ia perdendo os fios e ficava finiiiiinha. Mas ela continuava. Tava nem aí !

Fazia com uma manga mais curta que a outra, não importava. Atrás mais curto que na frente. Muito engraçado. O pior, é que ela achava que tava legal, não via esses defeitos.

E os armários foram se enchendo, enchendo, que não cabia mais casaquinhos.

Numa dessas minhas idas lá, pensei em dar aquela tralha toda pra alguma creche, asilo, lá mesmo em Cannes ou pra uma instituição. Depositar nas caixas de doações que existem nas ruas.

Falei com ela e o mundo caiu. Quase explodiu a terceira grande guerra. Seu lado de comerciante aflorou.

"Como dar??? Você ficou maluca? Vou vender tudo, conheço um comerciante...etc e tal."

Comerciante de sei lá onde e sabe-se lá Jesus se ainda era vivo. Coisas do tempo dela. Tempo em que ela fazia chapéus maravilhosos pra grandes costureiros franceses.
Mas agora, quem compraria aquilo? Ninguém.

E piorou ainda mais quando a filha dela, como sempre sem paciência, disse que ia jogar tudo no lixo. A gente tem muito mais paciência com os pais dos outros, né mesmo? Entrei no meio da confusão e acalmei a situação.

Foi quando tive uma idéia brilhante: perguntei onde ficava o tal comprador e disse que ia lá fazer o negócio.
Ela topou e ficou achando o máximo eu valorizar o trabalho dela. Coitada! rs...rs.

Uns dois dias depois disso, peguei a tralha toda, coloquei em caixas e saí pra "vender". Coloquei tudo no carro e levamos pra doação. De lá fui ao cinema, dei uma voltinha, porque afinal um grande negócio não é feito em minutos. Crime perfeito. E voltei.

Voltei cheia de dinheiro (dela mesma) e entreguei a féria dizendo: "você tava certíssima. Vendi tudo, o cara adorou e tome aqui seu dinheiro."
Dei uma quantia boa pra ela e ainda quase arrumei uma inimizade, quando ela virou e falou pra filha: "tá vendo? Ainda bem que a Iêda tava aqui...e você querendo jogar tudo no lixo...pois sim!!!"

Ela nunca soube que doei tudo e que recebeu seu próprio dinheiro como pagamento! Mas valeu !
Ela ficou feliz e tenho certeza que os casaquinhos, mesmo não tão perfeitos, estão esquentando muita gente por aí.

Como era mesmo o nome do meu ex-marido?










E lá estou eu em Cannes, passando férias e fazendo companhia a minha amiga.

Sempre que eu ia pra lá, adorava, porque era a fase pra colocar a leitura em dia. Lia, lia muito. Uma delícia! Só eu e ela em casa, saíamos pouco, ela no crochê e eu nos livros.

E eu ficava perguntando coisas, querendo saber do passado, da vida dela ainda na Polônia, da época das guerras já que ela foi uma mulher que viveu a revolução russa, primeira e segunda guerras mundiais. Tem histórias demais, mas eu não vou contar nada do que ela não contaria pra todo mundo. Nada. Não que tenha segredos, mas era a vida dela e eu não me sinto no direito. Agora, as coisas que aconteceram com a gente, principalmente as que me fazem lembrar e rir até hoje, isso eu conto.

Me lembro que, um dia, estávamos as duas na sala, cada uma na sua função, ela devia estar com uns 90 anos. Me lembrei, não sei porque, do marido dela (era divorciada) e perguntei: "como era mesmo que se chamava seu marido?"
Ela olhou pra mim e disse: "quem?" "Seu marido, como era mesmo o nome dele?"
Ela parou com o crochê, pensou, pensou e disse: "Sei não". E voltou pro seu crochê. Eu: " ficou doida? Você não se lembra do nome do seu marido?" Ela parou de novo o crochê, já relativamente sem paciência e pensou de novo. Pensou, olhou pra cima, pra baixo, deu aquela enchida de ar na boca e soprou, como todo francês ama fazer e disse: " sei não. Esqueci".
Eu não me conformava, como pode ter vivido com o Mané durante uns 50 anos, sei lá, e se esquecer do nome da vítima?
Insisti. Disse : "olha, nós conversamos há poucos dias, você me contou um caso e me falou o nome dele, como pode ter esquecido agora?"
Ela já totalmente de saco cheio, deu mais uma pensada rápida e falou finalizando o papo:
"Sei não, tô pouco me lixando."

Usou uma expressão um tanto quanto mais forte, que censurei em respeito a vocês...rs.

Tout à fait Thierry, tout à fait!


Vou falar agora sobre dois franceses comentaristas de esporte. Thierry Rolland e Michel Larqué. Muito conhecidos, amados e, como todo povo de rádio e tv, cheios de frases feitas, gírias, tiradas.

Então, sempre que o Thierry faz um comentário, fala , fala, fala, expõe o que achou do ocorrido, vira pro Michel e diz: "e aí Michel, você também não achou que blá, blá, blá," e o Michel retruca: " tout à fait Thierry, tout à fait", o que quer dizer, "é isso mesmo Thierry, exatamente!"

E isso virou uma marca dos dois e do resto do país. Em qualquer lugar em qualquer situação tem alguém falando: "Tout à fait Thierry."

E eles são de longa data no esporte.

Me lembro que, um dia, tava passeando com o pequenino que eu tomava conta, na época com uns 3 pra 4 aninhos, no Jardin de Luxemburgo. Jardins de Luxemburgo! Um parque lindo e que tem muita atração pra criança.

Voltando pra casa saindo do parque, como toda criança, ele veio se equilibrando em cima de um murinho de mais ou menos um metro de altura.

Evidente que não queria me dar a mão e eu preocupada falava o tempo todo. "Olha pro muro, preste atenção, não olhe pros lados," aquela canseira de "mãe" . De repente disse mais séria: " você tá me ouvindo? Tá prestando atenção, porque se você se esborrachar no chão, vai abrir o berreiro." E ele, seríssimo, falou: "tout à fait Thierry, tout à fait!"

Eu quase me matei de rir !!

E até hoje, toda vez que a gente se encontra, ele já com 20 anos, me faz contar de novo a história e rola de rir dele mesmo.

Quem me persegue diariamente, já deve ter lido essa expressão por aí. Porque eu trouxe pra cá e todo o meu povo fala, normalmente.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pensavam que acontecia só comigo? Não. Com o Zé também.



Mais uma colaboração do nosso amigo Zé. E ainda na China. Que sina!
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Estava eu indo para Xian, interior da China, onde tem os famosos "Exércitos de Terracota", pra participar de um Congresso.

Cheguei tarde da noite e, como disse esta nossa amiga blogueira, nunca chegue em um lugar desconhecido à noite. Pois bem, cheguei no aeroporto, peguei minha mala e saí do dito quase escuro pois as luzes estavam sendo apagadas, procurando a tradicional fila de táxi com o endereço do hotel na mão. Nada de fila de táxi... Só eu de estrangeiro, todos os outros chineses foram a caminho de um estacionamento pegar seus respectivos carros.

Olhei pra direita, pra esquerda e, nisso, se aproximou um chinesinho, novinho, poucos dentes, em um carro russo que um dia foi vermelho, sem placa, sem sinaleira de táxi, cujo porta-malas era amarrado com uma cordinha. Já veio com a mão na minha mala e falando em chinês um monte de coisas que eu não entendia. Puxei minha mala pra mim e, por sorte, tinha um guardinha perto.

Cheguei até o guarda e perguntei em inglês se aquele taxista era oficial, se era confiável, se eu podia pegá-lo sem problemas, etc, etc. O guardinha me olhou com cara de paisagem e continuou olhando pra.... paisagem.

O chinesinho acho que entendeu minha aflição e disse pra mim com o polegar para cima: "Is good, Is good"(é bom é bom).

Meu Deus, o que seria pior, ficar ali sozinho no aeroporto já às escuras ou me arriscar?

Arrisquei. O chinesinho riu escancaradamente."Is good , is good..." Jogou minha mala no porta- malas amarrado com a dita cordinha e meteu o pé na estrada.

Tudo escuro, a cidade nunca chegava e eu não conseguia ler nenhuma placa sinalizando "Xian", tudo em chinês e comecei a ficar preocupado. Nisso, lá adiante aparece uma barreira de pedágio e fico um pouco mais aliviado, pelo menos parecia ser algo civilizado. Porém, algumas centenas de metros antes da barreira, o chinesinho dá uma guinada no carro e entra por uma estrada de terra, fugindo do pedágio. "Meu Deus, tô fu" pensei. E o carro passa por umas vilas horrorosas, com gente mal encarada nas portas, esgotos nas ruas, crianças nuas e jovens fumando nao sei o que... Rezei, rezei muito. Pensei: "Meu Deus, se este cara me leva pra algum lugar, rouba meus dólares e me desova num buraco destes, nunca ninguém vai saber o que aconteceu," e rezei e rezei, acho que tava quase chorando, suando, pois o chinesinho olhou no retrovisor e com uma risada um tanto sarcástica falou: " Is good, is good."

Achei que aquela risada queria dizer: "Vai se fu... rapazinho...Agora você se fu..." E minha cabeça rodou.. E rezei mais ainda. Nao sei quantos Pai Nossos, quantas Ave Marias, Salve Rainha, Credo, e tudo mais. E o chinesinho com o pé fundo no acelerador: " Is good, is good!"

Quando eu já tava pensando no tipo de morte que iria ter, desmaiando de medo, suando de apreensão, o chinês vira uma rua e diante de mim aparece um lindo hotel : "SHANGRILAH". Era o meu hotel !!!!!!
Juro por Deus, quase dei um beijo na boca nojenta daquele chinesinho. E ele com aquele sorriso, que até hoje não consigo decifrar se era de sacanagem ou não, parecia que me dizia: "Não te disse? Is good, is good..."

A diferença entre o que não podemos escolher e o que escolhemos porque queremos

Se você tem GNT, não perca hoje à noite o programa da Oprah. O presidente iraniano precisava tanto saber como é viver em um país tendo liberdade de se expressar... Dar este direito ao seu povo.

Millôr me faz doer a barriga de rir e refletir.





" A dor serve para indicar onde é que está doendo, de modo que os cientistas saibam por onde devem começar (ação mais conhecida como começo do fim ). Por aí os senhores podem verificar como a ciência é bela. Sem ela, a maior parte das coisas continuaria não sendo científica. (Falsa cultura)."

Como ela entrou em minha vida e jamais saiu, mesmo depois de partir.









Minha amiga, que se foi "antes do combinado" como diz o Rolando Boldrim, era uma judiapolonesafrancesa. Com essa mistura, já dá pra imaginar a peça rara.

Morreu muito contra sua vontade, e a minha, aos 97 aninhos.

Morava sozinha em Cannes e era assistida por um filho que, quando queria sair de férias, me convocava pra ir passar um mês com ela. E eu ia.

Ela cuidou dela mesma até lá pelos 95. Tinha uma faxineira uma vez por semana mas o resto era por conta dela.

O que eu mais gostava quando chegava lá, e achava a coisa mais fôfa do mundo, é que ela tinha pendurado no pescoço uma espécie de reloginho-alarme. Em caso de necessidade, ela apertava o botão e tocava na casa do filho, no corpo de bombeiros, na zeladora do prédio e, se bestar, na casa do bispo.

Assim que eu abria a porta, e ela me via, a primeira coisa que fazia era tirar a corrente com o troço do pescoço e colocar na gaveta. Pode uma ação ser de maior responsa pra mim do que esta? E maior prova de confiança? Era tipo tá comigo tá com Deus. Ai meu Deus!

E repetia o ato na razão inversa, puta da vida, quando eu ia embora. Jamais se despediu de mim. Um ou até dois dias antes que ela sabia que eu iria embora, eu me tornava invisível. Ela voltava a morar só. Não falava comigo, nem olhava pra mim. Uma coisa de louco.

Essa senhora eu conheci quando fui ser babá do bisneto dela, em Paris. Hoje ele tem 20 anos. Desde então, a gente não se separou mais. Mesmo às vezes uma tendo ódio da outra e querendo só matar um pokim...rs.

Portanto, vou comecar a contar aos pouquinhos uma série de histórias muito boas dessa convivência. Como aprendi com ela... e espero que seja de bom aprendizado pra vocês também.

Me aguardem !

domingo, 22 de novembro de 2009

Mainardiveloso: quando dois "é demais".

Dedédelas, colaborando com o blog
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O Caetano deu uma de Mainardi do mundo artístico.
Falar que o Lula é analfabeto, no mínimo é lugar comum: a grande maioria dos babacas já disse isso.

E, quem sempre foi vanguarda, não precisa disso.

Mas se dissermos que, além de analfabeto, o presidente está diminuindo o vocabulário brasileiro fazendo o povo, de cabo a rabo, esquecer certas palavras ou expressões, eu concordo. Neste campo, ele está atuando.

Quem se lembra destas siglas, palavras, frases, batendo ponto diariamente nas manchetes, na mídia em geral?

1 - FMI OU FORA FMI

2 - DÍVIDA EXTERNA

3 - SALÁRIO MÍNIMO CHEGAR A CEM DÓLARES

4 - RISCO PAÍS SUBINDO

5 - A MAIORIA DO POVO BRASILEIRO SÓ FAZ UMA REFEIÇÃO POR DIA

6 - AUMENTO DO ANALFABETISMO

7 - VESTIBULAR

8 - HÁ ANOS NÃO CRIAMOS UNIVERSIDADES E ESCOLAS TÉCNICAS

9 - FALTA TELEFONE E OS QUE TEMOS DEMORAM PRA DAR LINHA

10- O BRASIL SÓ É CONHECIDO COMO PAÍS DO FUTEBOL E DAS MULATAS PELADAS

11- RECORRER AO FMI - CHEGA AMANHÃ A CHILENA ANA MARIA DO FMI PRA NOS COBRAR O DEVER DE CASA

12- O NOSSO DÉFICIT COMERCIAL COM O RESTO DO MUNDO

Deve ter muito mais que não me lembro, nestes parcos minutos que escrevo, como deve ter alguns que ele introduziu e os Mainardisvelosos podem dizer ou inventar.

Mas, quem quiser, já que está liberado, opine, aumente ou crie algo. O ideal é que discutíssemos política como discutimos futebol, que afastássemos políticos que escolhemos, como se afasta juízes de futebol que não escolhemos.

Sempre pensei que a corrupção fosse a maior praga da humanidade, hoje acho que ela tem que continuar liberada, é de livre arbítrio.

O que não podemos abrir mão, e devemos lutar com unhas e dentes, é pela punição justa e rápida.

ABAIXO À ESPERTEZA.

dedédelas.

Rindo da loira, mas a morena (eu) demorou a entender...hehehehee...

Domigo dia pra relaxar, descansar e rir.
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Uma Loira comenta sua situação aflitiva com um amigo, crédulo da Igreja Universal do Reino de Deus.

- Estou numa maré braba. Estou sem crédito na praça, devendo pra todo mundo. Não vejo solução. Já pensei em me matar. Estou sem dinheiro, cheia de contas e carnês atrasados. Não há nada que dê jeito nessa situação. Já perdi a Esperança! Acho que já estou doente e vou morrer mesmo... O religioso então, diz:

- Calma! Não é nada disso... Você precisa de ajuda Espiritual. Você conhece a minha Igreja? Pois é, na quarta-feira, tem uma sessão de descarrego, onde todos são curados ou aliviados, com uns 318 pastores e muita fé. Vai lá... vamos te salvar!

Na quarta-feira, a loira vai. No meio do culto é chamada ao palco e, entre outros desesperados, um pastor a agarra e brada: (GRITANDO!!!)

- Sai desse corpo, demônio! Disaloja! Disaloja! Disaloja! Esse corpo não te pertence! Em nome de Jesus, te afasta desta alma boa!!! E colocando a mão em sua testa, brada:

- Estou ordenando: em Nome de Jesus:
- Disaloja!... Disaloja! Espirito do mal..... DISALOOOOOOOOJA! DISSS AAA LOOO JAAAA!!!

E a Loira:

- Renneeeerrr!!!
- Lojas Americanaaaaas!!!
- C&AAAAAA!!!
- Carrefooooour!!!
- Extraaaaaa!!!
- Pernambucanaaaaaas!!!
- Marisaaaaaa!!!
- Fininveeeeeeest!!! Êpaaaaaaaaaa ....
- Casas Bahiaaaaaaaaa!!!
- Ricaarrrrrrrrrdo Eletroooooooo

Cada um na sua casa, pensando na casa do futuro










As ilustrações tem casais, porque estaremos velhos mas não mortos..... ainda...hehhhehhheee



























Tem muito tempo que a gente não se reúne pra continuar a planejar a casa comunitária de nossa velhice. Meus amigos e eu. Precisamos reativar o projeto. Já tem até um primeiro esboço da planta.

A idéia começou há muito tempo, quando percebemos que íriamos ficar um monte de amigos solteiros, ou separados, divorciados, morando sozinhos e com os problemas normais que todo velho que pretende, enquanto puder, morar sozinho. Aí rolou a idéia da casa.

Achei um esboço do projeto que começa assim:

1 - o que será de uso comum (piscinas, churrasqueiras, enfermaria eheheheh, sala jogos / ginástica, yoga, canil, gatil, pqparil)
2 - procurar ter uma horta “comunitária” (lazer e terapia ocupacional)
3 - procurar ter uma área de “matinha” / bosque (implica em local afastado/rural)
4 - pensar em alguns bangalôs pra aluguel pra custear despesas fixas do condomínio e aliviar pros moradores

E dá-lhe idéias, e cafés, e chás, e almoços, e muito riso, e muita briga (de brincadeira, é claro!) e a casa foi tomando forma.

A idéia, pelo menos até agora, será de uma série de bangalôs, tipo quarto e sala e banheiro. Eles formarão um círculo e, no meio deste círculo, terá muito verde, bancos e o melhor da festa: um conjunto que vai ter sala de estar, refeições, sala de música, cinema e TV (que agora já até tem nome: home-theater). Do jeito que o tempo tá voando, vixi !! já tá quase na hora de mudar.

E vem partes ótimas. Pensem bem numa biblioteca, com livros vindos de pelo menos 15 pessoas com os gostos mais variados. CDs, vinil e todo tipo de iPod's e tralhas modernas ou antigas. Coisas funcionando ou só pra matar as saudades. Álbuns e fitas e guardados de todas as viagens de todos nós que somos, na grande maioria," do mundo".

Teremos enfermaria, muito necessário porque velho dá defeito toda hora. Pensamos em juntar as aposentadorias de todos prum fundo comum. Isso ainda é motivo de muita discussão devido ao mínimo e máximo de cada salário....rs.

Nos bangalôs, cada um fará o que bem entender, trará se quiser os móveis de casa, porque velho é muito apegado às suas tralhas.
Teremos um jardim super gostoso, onde receberemos visitas, de quem realmente tá querendo nos visitar, sem aquele compromisso de ter que ajudar em alguma coisa ou levar o velho pra passear, ou colocar o velho no sol e tirar o velho do sol.

Aliás, lembrei de duas coisas ótimas. E a vítima sou eu, of course. Um dia, viria uma sobrinha minha pela manhã, iríamos nos sentar no jardim, papear, ela iria embora e só dariam falta de mim no jantar. Alguém iria procurar e me encontrar bem mais morena devido ao sol do dia todo.

E também o caso de alguém que trouxe um pé-de-moleque de presente pra mim e eu tive que distribuir o presente pros amigos, porque já não terei dentes fortes pra mastigar amendoim.

O problema maior deste empreendimento é que a gente tá sempre achando que ainda tá muito novo pra começar a tomar as primeiras providências.

Acho que o terreno já podemos começar a procurar, antes que alguém tenha que fazer por nós, o que não é, absolutamente, o objetivo da idéia.

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