terça-feira, 22 de março de 2011

Mistureba de causus e lembranças de minha infância



Eu não tenho o menor problema com a idade. Nunca tive. Quando conto que adorava Pixinguinha, era louca pra ser amiga de Ataulfo Alves, tô pouco ligando se alguem vai pensar que sou do tempo deles. Me orgulho de ser e tenho pena de quem nao os conheceu. Me lembro de meu pai ouvindo na Rádio Nacional o cantor das multidões, Orlando Silva, de ouvir o carrilhão tocando as 12 badaladas pra apresentar o ídolo da época, Francisco Alves, e me lembro também do dia em que ele morreu num acidente de carro, da tristeza e do rádio tocando suas músicas o dia todo, de ter ouvido no Rádio a novela Jerônimo, o herói do sertão com sua amada Aninha e o Moleque Saci. Eu tinha uns cinco anos na época. Era muito bom.




Sentados da esquerda para a direita: Peri Cunha, Mário Reis, Francisco Alves, Noel Rosa e Nonô.
Olhe a elegância, os ternos, os sapatos, os cabelos...ai!!! Dava tudo pra ter feito parte de uma turma assim!


O Rio de Janeiro parou!
 
Quando eu conto que me lembro de meu vô Amaro de braços abertos me esperando, e eu correndo pra ir me encontrar com ele, ninguém acredita. Eu tinha uns dois anos. E quando ele morreu, ele, que era dono de uma risada tão alta e gostosa que toda a cidadezinha ouvia quando ele gargalhava, o caixão na sala de estar eu e meu irmão correndo e brincando em volta dele, e meu irmão fazendo cócegas no pé dele pra ver se ele ria....me lembro como se fosse hoje.  Eu tava com uns 6 anos. Me lembro de Dalva de Oliveira, figura miúda, magrinha, com uma voz esganiçada que eu adorava, cantando com as mãos cruzadas no peito, me lembro de Nora Ney e Jorge Goulard, Nora que teve uma filha que foi Miss Guanabara, sim senhoras e senhores o Rio de Janeiro já se chamou Estado da Guanabara.  O porque da mudança e o porque da volta do nome isso eu não me lembro ( deixo pro meu amigo querido f tavares esclarecer ) . Me lembro do Carlos Galhardo, que era um dos preferidos da minha mãe. Da canseira do Ivon Curi, acho que a primeira colega que tive notícia na minha vida, que se casou com uma portuguesa e teve filhos, coisa que na época eu não entendia como podia. Depois veio o Cauby. Me lembro dos programas de auditório do César de Alencar, apresentando Emilinha Borrrrrrrrrrrrrrbbbaaaaaa...ficava meia hora no rrrrrr. E na "briga arranjada" entre ela e Marlene. Engraçado, Marlene tinha mais a ver comigo. Era mais louca. Emilinha era a boazinha, a careta. Me lembro do Zé Kéti, do amado João do Vale ( por onde andará?) cantando com a calça arregaçada e de pé no chão. Ex-chofer de caminhão, criolo lindo cantando num muquifo em São Paulo. Fui ver com meu irmão e minha cunhada e amei. Me lembro da PRK-30 Rádio Mayrink Veiga com Ari Barroso, dono de uma voz também peculiar (essa tirei do fundão do baú...rs) dando bronca nos calouros. Lembro também do programa "Balança mais não cai", que era apresentado assim: Balaaaaaannça....balaaaaaannnça............balaaaaaaaannnçaaaa........mas não caaaaaaaaiiiiii! E daí pra frente era um riso só, com Paulo Gracindo fazendo o primo rico e Brandão Filho fazendo o primo pobre. Depois os dois foram pra TV e continuaram com o mesmo sucesso. E o tanto que pra minha cabeça de criança se assustava e tinha medo quando ouvia o prefíxo do  Reporter Esso,  tan...ta...ran..ran....tan...tann...tannn...tannn...e eu sempre achava que lá vinha merda. Hoje eu vejo a diferença. Naqueles tempos a coisa era bem menos assustadora do que qualquer Jornal da 8 de hoje.
Me lembro do Júlio Louzada rezando a Ave-Maria às 6 da tarde. Era uma hora em que qualquer pessoa dava uma paradinha, fazia uma oração, era como se anunciasse o final da jornada...hora de começar a frear. E ele contava a história de ouvintes e dava conselhos. Demais, né não! O povo escrevia cartas nesse tempo.
Na Rádio Nacional quem lia as notícias era o Heron Domingues. Mais uma vez eu sentia mêdo. Vozeirão que me assustava. A moda era empostar a voz.
Meu pai tinha um rádio que era aberto. A gente via as válvulas se ascenderem e se apagarem devagarinho. Depois de muito uso, o botão de mudar de estação estragou mas ele não tava nem aí. Enfiava a mão dentro do rádio e girava uma roldainazinha que tinha um fio e rodava pra lá e pra cá procurando a estação que ele queria. E nós fazíamos a mesma coisa. Pelo toque já sabíamos se era pra girar pra frente ou pra trás. Pode uma coisa dessa? Era muito legal. Me lembro dele dizendo. "A rádio Inconfidência é tão possante, que se juntar os dentes de dois garfos ela pega"...rsss
E a novela que foi um dos primeiros sucessos na TV, O direito de nascer, eu ouvi também no rádio. Tinha uns três anos. O legal do rádio é que a gente faz o que quer e precisa, sem ter que se sentar em frente dele como a TV.  Esta,  limita muito...rs.
Na minha cabeça eu imaginava como poderia ser a tal Praça Mauá no Rio de Janeiro, onde era a sede da Rádio Nacional. E o prédio imenso de 22 andares do jornal A Noite.  O Rio ficava a uma distância inimaginável. Me lembro dos patrocinadores, Casas Garçon, Casas Sendas, de falar em Praça Saen Penha na Tijuca, ainda sei cantar mil jingles, como o " dorme dorme filhinha mamãe tem Aurisedina....", " vai tudo bem, muito bem, muito bem, com Pílulas de Lussen...bem bererém...bem...bem...bemmm!"  Tudo muito singelo, inocente.

Quando eu começo tenho que colocar um fim, senão vou indo vou indo e você não ver ter saco pra me seguir. Continuo noutra hora com minhas lembranças. Sem nostalgia, só com muita alegria e prazer.

5 comentários:

Clarice disse...

Seu cumpadi está baixando um monte de músicas e dentre elas algumas do João do Vale. Se quiser posso copiar prá você amiga...Beijão. Continuo com saudades.

Ieda Dias disse...

Eu quero, quero...meu bem, tá vendo, não basta estar embaixo do mesmo céu...vidinha danada, cheia de compromissos. Eu continuo em casa exposta a visitação pública...rs
bjos bjos

Maga. disse...

Que legal esse post! Primeiro, n se importar c a idade( q as vezes pesa),segundo, ter vivido nesta época boa e visto coisas boas( vc tem razão,pena de quem n os conheceu),terceiro, ter uma p memória que n é pra qq um.Parabéns!
Posso n ter vivido nesta época, mas conheço alguns por admiração,como o Noel, e tenho certeza tb não é do seu tempo.
É verdade, peninha das músicas de hoje com algumas exceções, né?
To puxando pela minha história,pra ver de qdo me lembro das coisas ... e tá danado....tem coisas q marcam mais,me lembro do jornal Nacional noticiar um avião q caiu e o nome do meu pai estar lá,um engano.
bj

Ieda Dias disse...

Pena Maga, que vc tenha se lembrado logo de um sustão desses...mas como vc mesma disse, foi o que marcou. Memória realmente é uma questão de treinar e se esforçar...
bjins

Anônimo disse...

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