sexta-feira, 22 de julho de 2011

Quanto mais velha fico mais quero sombra e água fresca

Quanto mais velha eu fico mais mordomia tô caçando. Muito anos atrás, colocava uma mochila nas costas e caia no mundo. Albergue no sexto andar sem elevador. Tá ótimo! Marchar à pé até a estação pra economizar. Tá valendo! Comer sanduiche , dividir quarto com estranhos, tudo era festa.
Acabou-se...quero mais nada disso não. Hoje, pago mais caro até pra não ter que fazer uma escala em voo. Tô fora! Mas, mais do que conforto, chinelo largo e água fresca fui descobrindo que muita economia não vale a pena e muitas vezes sai mais caro que o outro caminho. Darei exemplos. Mais barato andar de táxi em Bangkok do que arriscar a vida e a saúde no tuc-tuc. Mais barato ir de táxi pra aeroporto ou estação de trem do que enfrentar ruas, escadas rolantes que não funcionam, aperto de onibus ou metro, e chegar suado e exausto ao destino.
E hoje, lendo o comentário da querida sobrinha sobre o conforto nos aviões particulares, ela, medrosa que é de voar, disse que quando for milionária vai enfeitar os trens, me lembrei do Orient-Express. o famoso trem luxuoso que corta países da Europa, Ásia, Oriente.
Fiz uma pequena pesquisa no pai dos burros dos nossos tempos e veja o que encontrei. Adorei. Também quero. Só me incomoda ter que me vestir toda toda pra jantar ou almoçar. Já que a viagem é longa, não seria uma delicia poder jantar de pijama? Já voltaria pra cabine prontinha pra roncar. Resolvi o meu problema. Quando eu for milionária, vou fretar o trem e levando meus amigos, vamos fazer a nosso modo. Cada um transita como quiser. Só valendo ser feliz.



Quando o Orient-Express fez sua primeira viagem, no dia 4 de outubro de 1883, a nobreza se acotovelou na Gare de Strasbourg em Paris. Entre os seletos passageiros que iriam cumprir a longa jornada até Constantinopla estava o rei Carlos II da Romênia. Outros poucos ricos dividiam o espaço dos cinco vagões inaugurais.

Na chegada à Turquia - já noutra composição, porque naqueles dias o Orient-Express só alcançava Giorgiu, na Romênia - os passageiros foram recepcionados pelo sultão Abdul Hamid II, um homem tão poderoso que era conhecido como "A Sombra de Deus na Terra".

Em 1921, o trajeto de 2 900 quilômetros já ligava Paris a Constantinopla em 56 horas, incluindo três noites propícias a romances secretos e misteriosos assassinatos. Com a inauguração do túnel Simplon, nos Alpes, a rota passou a incluir Veneza e largos trechos da Iugoslávia.
O Venice Simplon-Orient-Express ganhou, então, o pomposo nome que tem até hoje e as cores que o consagraram (antes era marrom). Mas a decadência sobreveio com a Segunda Guerra, quando a malha ferroviária da Europa foi grandemente afetada. Depois, na era da Guerra Fria, vários vagões foram confiscados em território socialista e nunca mais reapareceram. O Orient-Express tornou-se, enfim, um trem comum e depredado, que até os anos 70 conduzia pobres imigrantes turcos como um pau-de-arara sobre trilhos.

Em 1977, o empresário inglês James Sherwood, dono de um notável patrimônio, adquiriu dois antigos vagões do Orient-Express num leilão da casa Sotheby's. Nos anos seguintes, ele compraria outros 35, mandando-os restaurar e redecorar de acordo com os desenhos originais. A segunda viagem inaugural do mitológico expresso ocorreu em 25 de maio de 1982, provocando outro empurra-empurra de ricos e famosos, dessa vez na estação Victoria, em Londres.
Se você quiser, também pode viver a experiência de viajar no Orient-Express. Mas só até 17 de novembro ou na próxima primavera européia. O Rei dos Trens não funciona no inverno. Há duas saídas semanais, às quintas e aos domingos, de Londres para Veneza. Às quartas e aos sábados, o trem faz o trajeto contrário. Os preços para a viagem completa (que também pode ser vendida em trechos curtos) é de 1 690 dólares por pessoa - só ida - e inclui refeições e bebidas entre Londres e Folkstone, café ou chá na travessia do Canal da Mancha e todas as refeições na etapa continental da viagem. O pacote é comercializado pela operadora Queensberry e as reservas podem ser feitas pelo tel.: (011) 255-0211.
Obs.: grifei esta parte, porque não sei se continuam valendo os preços e horários.




Viajar no Orient-Express é o tipo da experiência da qual você precisa trazer alguns indícios concretos, senão ninguém vai acreditar que você esteve lá mesmo. Os souvenirs disponíveis na butique de bordo custam uma fortuna e se você quiser evitá-los, saiba que trará, com certeza:

1 - Papéis de carta e envelopes timbrados com uma pasta ilustrada no padrão art déco que caracteriza o trem.
2 - Lenços de papel, saboneteira e caixa de fósforos do Orient-Express. O padrão da caixa imita os painéis em machetaria das cabines.
3 - Passagem, cartões de embarque e o cardápio do serviço de cabine. Bons para você deixar "esquecidos" na mesa da sala quando quiser esnobar seus amigos.
4 - A revista Orient-Express, de ótimo acabamento.
5 - O Map of the Journey: um simpático e útil mapa dobrável dos países que o trem atravessa.







Christian Bodeguel é apenas um dos muitos chefs franceses que cuidam do cardápio do Orient-Express. A gastronomia praticada na cozinha (sim, há uma completa!) de bordo é um dos pontos altos da viagem e os pratos servidos aos passageiros são comparáveis aos dos melhores restaurantes europeus. Para um restaurante móvel, ser membro de honra da Relais & Chateaux - uma chancela de qualidade - é atestado incontestável de capricho culinário. O jantar no trem é servido em dois turnos e é composto, comme il faut, de entrada, prato principal, queijos, sobremesas e mignardises (docinhos) acompanhando o bom café colombiano. Na noite da viagem desta reportagem, o jantar começou com um leve e saboroso Pavé de Saumon Frais rôti aux Truffes Blanches. Seguiu-se um Suprême de Bresse et Gigotin fourré ao Foie Gras, acompanhado por Lentins de Chêne (cogumelos), Eventail de Courgettes et Tomates (zucchine com tomate e batatas sautée). A sobremesa foi um Macaron à l'Ananas et Griottines. Se os nomes já abrem o apetite, você não imagina o sabor!
Na longa história de prestígio do Orient-Express, nenhum fato é mais emblemático do que o caso do vagão 2419. Luxuoso, feito para reis, ele acabou sendo usado por comandantes militares, ao final da Primeira Guerra Mundial, como palco para a assinatura da rendição das derrotadas tropas alemãs. O fato aconteceu na cidade francesa de Compiegne, em novembro de 1918, e, pela primeira vez, colocou a famosa composição no centro dos acontecimentos mundiais.

Vinte anos depois, após conquistar a França, já na Segunda Guerra, Hitler foi à forra. Bem ao seu estilo fanfarrão, obrigou os militares franceses a admitirem sua humilhante derrota por escrito dentro do mesmo vagão, que por acaso estava no território ocupado.
Vingado, o ditador nazista mandou expor o carro - a essa altura já histórico - em Berlim, com o objetivo de simbolizar a volta por cima dos germânicos no panorama político-militar europeu. O luxuoso vagão, que em tempos de paz fora utilizado como sala de estar dos passageiros do Rei dos Trens, permaneceu na capital do Terceiro Reich até 1945, quando as forças aliadas já estavam na iminência de ocupar a cidade. Mesmo com seu malfadado projeto em frangalhos e suas tropas derrotadas em todas as frentes, Hitler ainda requisitou uma das poucas unidades militares que lhe sobraram e ordenou a ela que destruísse o vagão 2419. A Alemanha perderia a guerra alguns dias depois, mas os alemães não teriam de, mais uma vez, submeter-se à humilhação de formalizar sua derrota a bordo do Expresso do Oriente.

Não sei onde encontrei estes dados. Perdi.Queria colocar o link. Andei tanto que me perdi no caminho. Desculpe.

2 comentários:

Anônimo disse...

Nunca tinha pensado mas é um sonho a ser sonhado.
beijos
Lia

Ieda Dias disse...

Se sonhar e planejar, Lia...rola...rs
jin

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