terça-feira, 12 de julho de 2011

Vinícius, Toquinho, Carlos Lira e eu.

Este causu aconteceu lá pelos idos (adoro essa expressão) dos anos 70...curuz! Quanto tempo! Bons tempos! Bons tempos da nossa MPB. Eu ainda era louca por música e pelo teatro. Me lembro, que na época eu sempre dizia:
- Se tirarem o palco da minha frente, eu morro!
Morro nada! O palco não foi tirado, eu que abandonei a platéia. Não tenho mais o mesmo prazer de tê-lo à minha frente. Mas isso é outra história.
Aconteceu num  final de semana  aqui em BH.  Vinícius de Morais, Toquinho e Marília Medalha ( onde andará ela? )  no Palácio das Artes, e no Francisco Nunes, Carlos Lira, recém-chegado dos EUA, onde tinha morado por muito tempo, e lá se casado com Kate Lira.
Conto os detalhes, e junto tudo no final.
Num lindo casarão da Av. Getúlio Vargas, onde já teve de tudo e nada deu certo, Jorge Goulart e Nora Ney, cantores muito conhecidos dos anos 50, 60, abriram um restaurante muito legal.
Eu era muito amiga de um jovem jornalista, músico, cantor, Jésus Rocha, que tinha ficado amigo do Carlos Lira no Rio.
Fui ver o show do Vinícius primeiro e no outro dia o do Carlinhos Lira.
Quem teve a sorte de ver o velho Vininha num palco, sentadinho,  com uma mesa na sua frente, em cima da mesa um balde de gelo, uma garrafa de uisqui, um copo na mão, o cigarro e isqueiro, sabe bem que muito perdeu quem não teve esta alegria. Como dizia o poeta.  Era este o roteiro do espetáculo.
Nesta época era muito legal, os artistas conversavam com o público. Contavam histórias. Falavam de como muitas músicas tinham sido feitas. Era bom demais. Nada de trocentas pessoas vendo tudo pelo telão, porque o palco tá há 1 km de distância. Mas, falar assim, fico chata demais. Só tô contando como era. Tudo muito mais intimista.
                                       
Este era o cartaz do show. Quem viu vai se lembrar.

Desta época, conheci muita origem de letras de música. Toquinho contou como foi feita, Tarde em Itapuãn, Tomara, Vinícius contou da música que fizeram em Buenos Aires, quando lá estiveram trabalhando - Mais um adeus,  que tem uma letra fabulosa, fala das despedidas dos maridos e esposas, quando saiam pra uma turnê. Muito legal. Causus dele com o Tom, Ivan Lins contou de como fez Dinorah ( história fabulosa ), Gonzaguinha ( minha paixão maior ) e muitos outros. Isso pra dar alguns exemplos. Conheço várias histórias.


Depois do show fomos minhas amigas e eu  pro tal restaurante, pra lá nos encontrarmos com Carlos Lira, a mulher dele, Vinícius e Toquinho e não me lembro mais quem. Meu irmão tava junto também. E digo isso, porque uma das partes engraçadas da noite aconteceu com ele.
Nos sentamos em uma mesona, eu de frente pro Vinícius ( pode? ) o Lira do lado dele, o resto esparramado, e não sei porque ficou a Kate na cabeçeira da mesa, sozinha. Ela falava um portugues super arrastado, cheio de sotaque, ( logo depois foi fazer aquela americana da praça da Alegria que dizia: - brasileiro é tão bonzinho! ) que fez muito sucesso por muito tempo.
Eu fiquei super aproveitando o papo do Vinícius com o Lira, escutando causus, Toquinho paquerando discretamente minha amiga. Depois, deu de cima mesmo, e ela não quis...rs. Ele arranjou pouco tempo depois outra mineira pra se casar. Meu irmão só Deus sabe porque ficou do lado da Kate, que isolada daquela confusão brasileira, puxou conversa com ele e os dois passaram a noite tentando se entender. Segundo ele, falaram, falaram, e a noite foi ótima. Ninguem se entendeu, mas também não houve briga, os dois voltaram pra casa na mesma. Nada foi acrescentado. Me lembro dele com sono, bocejando. E, mais tarde,  tirou onda durante um longo tempo deste papo, mas na verdade é tão desligado, que nem tinha idéia de quem era. Foi só quando ficou sabendo quem ela era, e depois dela ficar conhecida que ele brincava com a situação.
Abre parênteses.

Uma vez, entrando num teatro em São Paulo, meu irmão tava fumando, e a Bruna Lombardi pediu pra ele acender o cigarro dela. Ele ascendeu e nem se tocou de quem era. E ela tava no auge! Muito tonto! Mas depois que soube tirou onda também e inventou muita história em cima deste fato que durou 10 segundos...rs.
Fecha.
Voltando ao restaurante.
Jantar, muito papo, Toquinho tentando terminar uma música que tava fazendo com o Vinícius que não me lembro qual, e hora de ir embora.
Pra você entender o quanto tudo mudou de lá pra cá. Jésus tinha um carro que não me lembro o nome, mas tinha o formato de uma Variant, Brasília, carros antigos. Sou péssima com carros, não conheço nenhum. Como éramos muitos, nos amontoamos, e o Toquinho entrou pela porta do bagageiro e veio todo encolhido lá atrás. Quiném se fosse numa RP. Pode uma coisa dessa? Nada de estrela. Hoje, ele teria carro com motorista, assessor, agente, paparazo, o escambau, quer dizer, não teria paz.
E o meu amigo foi despejando um a um, cada qual na sua casa.
E o Toquinho sentou na minha vaga, quando fiquei em casa. Saiu torto lá de trás...rs.
Me lembrei agora, que teve cantoria também no restaurante. Pelo menos os donos da casa cantaram.

3 comentários:

oposicaoreal disse...

Ieda, só se surpreende com seus textos quem não tem a sorte de te conhecer. Sua histórias de vida, seu jeito feliz de ver a vida e o mundo, sua lucidez e sua cultura - que a leva a escrever textos como este postado - são "ducacete"! Simples assim. Reynaldo.

Ieda Dias disse...

Rey, juro por Deus que não tô tirando onda, mas vc tá me gozando? Ou tá falando sério? Precisamos nos encontrar...quero ver vc dizer isso olho no olho então vou sentir se fala sério...rs
bjos bjos e brigadim darling

marina w. disse...

Que ótimo!

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