sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Da série, adultos: nem todos foram feitos pra educar criança

Quando assisti a este vídeo, no mesmo instante me lembrei de um causu acontecido comigo há muitos anos. Espero que, nos dias de  hoje, não esteja acontecendo mais.
Eu era muito amiga de uma família que morava no interior das Gerais, não muito longe de BH. Esta família tinha dois filhos: um garoto de uns 7 anos e a menina de uns cinco. Desde a primeira vez que fui lá a gente ficou muito amiga. Eu chegava e ela grudava em mim. E grudava mais ainda, interesseira como toda criança, por conta dos presentes que eu levava. Sempre inventava alguma coisa diferente. Pra quem morava em uma fazenda, não muito longe da cidadezinha, os pacotes faziam o dia virar Dia de Natal.
Eu sempre me dei bem com criança, ao contrário da minha relação com os bichos. Trato de igual pra igual e elas adoram.
Certo dia, a família toda reunida na cozinha esperando pelo jantar e jogando muita prosa fora, foi surpreendida com uma declaração da pequena.
- Quero tomar banho com a Iêda.
Pra mim, isso era e ainda é tão simples normal e natural quanto beber água quando se tem sede.
Mas pros avós, tios e tias presentes, não era não. Só o fato de eu viajar sozinha com o namorado já era um constrangimento silencioso; nada falavam, mas eu sentia.
Bão, falei ok vambora, e entrei no banheiro. Ela me seguiu e fiz o que todos fazem quando tomam banho: tirei a roupa, entrei embaixo do chuveiro e comecei a me lavar, sempre papeando com ela. Curiosa, falante, ela fez o mesmo e foi um banho de risos e descobertas.Mais tarde, soube que era a primeira vez que ela via um adulto nu.
Banho tomado, secas e vestidas, saímos felizes da vida e fomos nos encontrar com o povo na cozinha.
Até aí tudo bem, tranquilo, até que, num determinado momento, ela fala pra mãe:
- Mãe, adivinha o que aconteceu no banheiro!
Deu aquele silêncio súbito, aquele peso no ar, e todos olharam pra pequena pra saber e enfim, descobrir, o que imagino, haviam imaginado e conversado enquanto eles ouviam nossos risos e a gente curtia o banho. Mais tarde, percebi que a única pessoa que não se inquietou  fui eu.
Ela  se vira toda solene e anuncia:
- Adivinha mãe! Acredita que a tia iêda não toma banho com bucha? Ela só usa o sabonete.
Pra quem conhece a vida na roça, sabe que os meninos são esfregados até com caco de telha, pra tirar a sujeira  do dia passado em contato com a natureza.
Senti no rosto de cada um não um alívio, mas uma decepção imensa pra um adulto. Que observação mais sem graça!
Bem feito!


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