segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ação Global aqui na Índia

Passamos o dia ontem em uma Ação Global à indiana. Foi muito legal. Um dia super proveitoso.
A comunidade local se reuniu pra receber medicamentos, fazer exames mais superficiais, atendimento ginecológico, exames de sangue,  palestras e muita confraternização. 

Já gostei do pedágio, que além de ser muito barato ainda veio com este aviso.

Pra variar eu arranjo confusão. Assim que chegamos, fui apresentada e recebida como se fosse alguem. Timidez foi uma fila que não entrei nela. Não sei o que vem a ser, mas se há uma fila que entrei umas 20 vezes, foi a de não querer me exibir, me expor, querer ser a tal. Tenho pavor. Então, quando me convidaram pra sentar lá no palco, junto com as autoridades eu disse:
- Vou sim, sem problemas. Morta.
Nem que a vaca tussa. Ainda mais em uma terra de pessoas mais simples e pobres impossível. Consegui sair fora, dizendo que ia aproveitar que não entendia os discursos e fotografar a festa. Graças a Deus acharam uma boa idéia.

Mas não deu muito certo. Comecei bem devagarinho fotografando como quem não quer nada, e em 2 minutos, foi chegando gente, foi juntando gente, e quando dei por si, o povo tava ao meu redor, me cercou e o mané falando quase sozinho. Só quis morrer um tiquim.
Pedi licença e com muito custo consegui ir pra um outro lugar onde não fosse dividir a atenção com ninguém.
Saca só a cara do meu guarda-costas tentando despistar o mal arrumado que eu causei.

Olhe as caras dos donos da festa. Deviam estar pensando:
- Essa aí nem bem chegou e já armou um circo. 
Mas, foram super gentis comigo. O tempo todo. O simples fato de receberem em sua pequena cidade uma pessoa que veio do outro lado do mundo, já é motivo pra eles se sentirem orgulhosos. Era um tal de ganhar doce, fruta, e tira passas do bolso e me dá, e eu só passando pra frente dava pras crianças que andavam atrás de mim quinem procissão. Um bando.
Só comi banana. O Anup já sabe que eu não vou me arriscar de beber água daqui, nem comer fruta que não seja descascada, ou comida cozida. Salada nem pensar. Por isso nunca tenho nada. Além da sorte, me cuido. Adoecer longe de casa é phoda!
A água mineral que trouxemos devia estar há uns 40 graus, dava quase pra fazer café. Eles não tem geladeira. Um calor de 40º e tantos e água quente. Só chinês que aguenta. 
Vi uma banca de melancia, quase não resisti. Mas, olhando pra quem  cortava e entregava, banquei a forte e não comi.

O Templo

Meus amigos do Iraque vão pensar que fiz estas fotos lá. Tal e qual. E devido ao calor, o céu e o ar tomam uma cor de fumaça, que dá este aspecto de poeira e secura. 



As filas pra receber os medicamentos ou serem atendidos.

Não vi nada de luvas e muito equipamento. Tudo muito simples e à moda mais antiga. 

A bancada dos médicos parecia uma banca examinadora de escola. Onde eu chegava parava tudo, então eu saia rapidim, senão o serviço não andava. Fora o monte de gente que veio com papéis e receitas me entregar pra eu resolver o problema. Espero que você acredite, senão fico aqui perdendo meu tempo e contando. Resumindo muito, porque em um dia aconteceu coisa pra 5  posts.

Impressionante como a gente se entrega de corpo e alma pra um médico. Realmente é a visão da salvação. Pena que muitos filhas da mãe não se lembram da sua promessa na formatura...

Agulha descartável? O que?


Você sabe o que é um catre? Não. Google. Pra todo lado este é o móvel mais importante e às vezes o único em uma casa.

E a cozinha tava a todo vapor preparando o rango pro povo. Aqui piorava um tico. Só não fotografei com zoom pra não ser indelicada, mas nessa coberta com fornalha dentro e sol banda de fora, tava duro na queda.

Que isso? Batatas. 
Escuto minha mãe dizendo:
- Por que não colocam na água? Vão ficar todas pretas!
Que água?
Me salvei também do almoço. Foram me catar no meio da multidão pra almoçar. Um manda-chuva abrindo caminho...que vergonha!
Chegando no local, não vi uma única mulher, comer no chão, com as mãos,  naquele calorão, pensei e falei pro Anup:
- Olha pra não haver constrangimento de nenhuma das partes vou sair de fininho. OK?
Mais uma vez ele entendeu e deu cobertura. 

E dá-lhe palestra. Ainda nem tive tempo de perguntar sobre o que falaram, mas o povo prestava atenção.


Médico e povo se confunde aqui.



Saímos umas 4 horas da tarde e o movimento continuava tal e qual a gente achou pela manhã quando chegamos.
Viajamos 3 horas pra ir e mais 3 pra voltar. Quase cheguei a Varanasi.

Fomos convidados a tomar um chá na casa de um dos organizadores do evento ( primeiro à esquerda ) .A família também não sabia o que fazer comigo pra me agradar. Pela enésima vez me ofereceram chá, que eu adoro, mas naquele calorão e ele muito doce, eu queria morrer toda vez que bebia. Tentei sair fora mais uma vez na casa, mas não teve jeito. A dona da casa não se conformava deu não aceitar. Bebi, e na metade da xícara, tive a brilhante idéia de fazer fotos. Deixei a xícara na bandeja e não mais voltei.

Este é o reservatório de gás da cozinha. Munição pra cozinhar pra vários dias.

4 comentários:

Anônimo disse...

Ieda!!

Tive um 'plim' agora.. Quando me formar vou junto com você numa dessas viagens! Botar a medicina a toda prova ^^ O que achas??

Beijos

Rodrigo Dias

Ieda Dias disse...

Adorei o Plim!!!

Rodrigo, eu não canso de dizer, que a melhor faculdade do mundo é viajar. Tenho a maior pena dessa turma que forma e não quer sair do seu conforto pra aprender. Quer ficar nas capitais, fazer concurso público. ( a grande maioria pra se encostar ) Sempre tive pavor a tudo que é “pra sempre”. Jamais me aposentaria em um lugar que trabalhei a vida toda. Não esquento lugar. Nunca esquentei lugar. Quando sinto que to ficando raiz, já sei que é hora de procurar alguma coisa diferente. Fincar raiz, só nas amizades...rs
Se vc quer ser um ótimo profissional e um ser humano da melhor qualidade, caia de bunda no mundo e vá aprender. Nem sonhe que vai ensinar. Vá aprender. Vá pra Israel e trabalhe em um kibbutz, venha pra cá, vá pro nordeste do Brasil, pro Vale do Jequitinhonha, pro Amazonas. O mundo tá de braços abertos te esperando pra te acolher. Caia de bunda nele.
Bjos bjos
Quando voltar pra casa, vamos nos encontrar pra papear. Vai ser o maior prazer.

Anônimo disse...

Concordo com TUDO!
Quando ler aqui que você chegou, marcaremos com certeza.

P.S.: Falar de novo não tem problema: Tô adorando a viagem =]

Ieda Dias disse...

Rodrigo, fica marcado lá em casa um chá indiano que eu adoro.
E pode elogiar, que fico sem graça, mas amo...rs
bjos bjos

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