segunda-feira, 7 de maio de 2012

Subindo a montanha e seguindo os passos de Buddha

Este foi o caminho percorrido hoje. Subir a montanha onde Sidharta passou segundo aprendi aqui, 6 anos meditando. Fica há uns 30 km de Gaya.  Passamos por aldeias muito pobres de agricultores e criadores de vaca. Tudo junto e misturado. Casa, vacas, curral, crianças, adultos.


Estas trouxas vejo por toda parte. É tanta pergunta que nem dá tempo de fazer todas. Vou descobrir o que tem aí dentro .

Deu pra perceber que o pessoal folga no sábado. Vi muita criança brincando, moças batendo papo nas portas das casas e meninos jogando cricket, o futebol daqui
.
E tinha um bezerro no meio do caminho.... O motorista buzinou, buzinou, e como ele acabou de chegar ao mundo não conhece ainda os hábitos do homem. Nem se mexeu. Nem ele nem a mãe. O Anup, calmamente como quem abre uma porteira, puxou ele pelo cangote e tirou do caminho. Pena que não deu pra pegar direito na foto. Eles são tão imprevisíveis que não dá tempo de captar tudo.

Povo arrumando o telhado na folga do sábado

No meio de tanta sujeira e falta de conforto, não sei como as moças conseguem manter os saris sempre arrumados. Nunca vi um imundo. Às vezes sujo na barra, impossível também não sujar; elas são muito vaidosas

Chegando no pé da montanha olhe a surpresa. Estes dois fizeram de tudo pra eu me sentar nessa coisa. Falei que eles não me aguentavam e eles riram dizendo:
- Somos fortes, aguentamos sim.
E eu só pensava:
- Como posso me sentar nessa espécie de liteira, quiném uma sinhazinha do tempo do império, sem me constranger. Não adiantou. Foram me seguindo morro acima e só desistiram, quando sentiram que o morro era pouco pra mim. Deve ter gente que pede arrego e senta no meio do caminho. Não foi fácil, a subida é íngreme e  longa. Mas fui devagar, fotografando,  suando e dei conta.


Olhando assim nem parece que ela é longa e difícil de subir.

E a garotada sobe e desce o dia todo pedindo dinheiro

Essa tampinha aí me ganhou na simpatia e na perceverança. Quando viu que não ia arrancar grana fácil de mim, começou a me empurrar pra ajudar na subida. E acredite se quiser, ele tem uma força do cão. Só não encostei, porque se não fui de liteira não ia ser de uma criança, que iria aproveitar. Dei uma grana pra ele, e quando suas irmãs viram, vieram correndo me pedir. Sacaneei ele e disse que era pra ele distribuir o dinheiro com elas. Tadinho...correu quiném um raio delas. Dei pra elas um tico. Não fizeram nada, mas só de estar naquele calorão naquele fim de mundo, já merecem muito mais.

Amo estas bandeirinhas penduradas ao vento. Elas se desfazem com o tempo e junto com elas vão nossos pedidos e sonhos pra serem realizados.

A montanha de pedra tem uma gruta, e dentro da gruta, ao lado da estátua de Budha, estão seus guardiões. Eles estiveram presentes, velando pelo grande Sidharta, durante todo o tempo da sua meditação.

Tudo muito simples, sem nenhuma ostentação ou mostra de poder, como era o próprio Sidharta. Ascendi uma vela e pedi por todos nós. E não fiquei mais tempo lá dentro, porque pensei que fosse desmaiar de tanto calor e abafamento. E tem pessoas velando e meditando o tempo todo ao lado do seu mestre. Só ele sabe  como eles aguentam.

Na volta o que me chamou mais a atenção foram os tuc-tucs. Era saída ou entrada da escola, e eles ficam abarrotados de crianças e adolescentes. Juro que alguns tinham umas 15 crianças. Como não cabem lá dentro, as mochilas vão penduradas do lado de fora. Só aqui na Índia mesmo! Tem tuc-tuc que parece ter um colar de mochilas ao redor. Um barato!

Não sei como eles não caem. Quer dizer, deve de vez em quando cair um. Vão quase soltos





6 comentários:

Anônimo disse...

Oi Iêda ! Quanto tempo vc levou para fazer esta caminhada ? Coitado do menininho Iêda ! Pq vc não pediu alguém para te puxar por uma corda . Ia ficar chique hein !
Lindo ...lindo passeio 1
Um beijo, Patyy.

Lêda disse...

Ei, Ieda, Estou me sentindo na India com suas fotos e comentarios minuciosos. Muito bom!!! Lembra que me ofereci para acompanhá-la? Tb estou vivendo muitas emoções, minha segunda neta acabou de nascer...
Bjo, Lêda

Ieda Dias disse...

Patty,foi longa e devagar pq a subida é longa e puxada...mas foi muito legal. Uma corda como corrimão ia ser uma boa...Vc ia curtir muito isso aqui....tenho certeza...mas ia morrer de fome com sua chatice......hhheeeeeeeeeee
bjos bjos bjos

Ieda Dias disse...

Leda parabéns pelo netinho...mais um pra ajudar a gente a segurar essa onda chamada Brasil...q ele tenha chegado com muita saude e alegria...bjos bjos e na próxima vc vem tb.

Beatriz Dias disse...

Adorei o "Eles são tão imprevisíveis que não dá tempo de captar tudo." e adorei 'embarcar' junto nessa viagem tb!

Birosca

Ieda Dias disse...

Na próxima Birosquinha vc embarca comigo querendo ou não.
bjos bjos bjos

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