sexta-feira, 27 de julho de 2012

Nem sempre é o que parece!

Alameda tranquila que leva a um parque bucólico onde crianças adoram brincar,
ou, 
o caminho de entrada do campo de extermínio de Auschwitz

Escadas gastas pelos pés de fiéis de uma Igreja antiga,
ou, 
caminho gasto no sobe e desce de judeus, ciganos, gays, putas e outros condenados à morte em Auschwitz

Outro  caminho

Pedrinhas catadas em uma praia linda no verão do ano passado,
ou,
 granulado de silício impregnado com ácido cianídrico onde foi injetado o gás Zyklon B  para matar prisioneiros  nas câmaras de gás dos campos de extermínio na segunda guerra mundial.


Latinhas lindas de um colecionador como eu, 
ou, 
latas onde ficavam armazenados os granulados esperando para serem usados nas câmaras de gás na segunda guerra mundial

Parte de uma coleção linda e rara de óculos antigos,
ou,
óculos arrancados dos prisioneiros assassinados na segunda guerra mundial

Boneca esperando sua vez de ser restaurada em um pronto-socorro de brinquedos, 
ou,
bonecas e objetos arrancados de uma criança exterminada em Auschwitz

Sapatinhos e roupinhas do primeiro filhote guardados como recordação por uma  mamãe carinhosa,
ou,
objetos tirados de uma criança exterminada em Auschwitz

Objetos de tocador do vovô guardados de lembrança pelo papai,  
ou,
objetos tomados de uma pessoa exterminada em Auschwitz na segunda guerra mundial

Lista de pessoas de vários lugares do mundo que foram premiadas pelos trabalhos voluntários prestados, 
ou,
1.100.000 de judeus,  140.000 poloneses, 23.000 ciganos, 15.000 prisioneiros de guerras soviéticos, 25.000 prisioneiros de outras etnias,  todos assassinados em Auschwitz  no período de 1.940 a 1.945

Crianças indo pra escola num dia de inverno na Europa, 
ou,
crianças arrancadas dos braços dos pais e sendo levadas para serem exterminadas nas câmaras de gás de Auschwitz


Roupinha guardada pela vovó, do primeiro vestidinho com casa de abelha da netinha, 
ou,
vestido arrancado de uma criança antes dela ser encaminhada pra morrer em uma câmara de gás de Auschwitz

Última moda em matéria de desenhos de tatuagem,
ou,
tatuagens feitas em prisioneiros de Auschwitz usadas como identificação


Acham que fui dura, fria ou muito  maldosa nas palavras que usei para ilustrar as fotos deste post? Apesar de todo o sentimento horroroso e das lembranças que tomaram conta de mim enquanto escrevia, o que disse não chega nem aos pés do que realmente representou tudo o que vi em Auschwitz

2 comentários:

Anônimo disse...

Iêda, lendo o post de hoje senti como se estivesse lá novamente, toda aquela indignação e repulsa por tudo que a história nos conta. O post é extremamente triste mas necessário. Parabéns! Bj Fatinha

Ieda Dias disse...

Meu bem vc viu o tempo que demorei pra escrever sobre Auschwitz. E ainda assim não foi fácil.
bjos bjos

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