segunda-feira, 13 de outubro de 2014

AI DE MIM SE NÃO FOSSEM MEUS AMIGOS!



Eu sofro com a dor de meus amigos. Mais até que com as minhas. Morena, queria te pegar no colo. Te embalar. Te aquietar a alma. Te dar forças que nem sei de onde tiraria. Eu estava esperando o fim das eleições para voltar a contatar o Antonio. Estava na minha lista de DO IT. Sabia que ele era do outro campo. E que era um amigo de minha amada amiga,. Preferi fugir do embate/debate em nome de não magoar ninguém. Não, a morte não transforma pessoas em outras. EU SEI - sempre soube - da ironia fina, cultura, inteligência e integridade de A. Azevedo. E ele se foi. Este é um dos motivos que me fazem ser agnóstico. E acreditar somente na indefinida e dolorosa existência do homem, como mais um ser vivo. Somente. Os que tem fé - Antonio tinha - tem paz. Você tem. E que você esteja certa. A mim, me resta a angústia de não ter. E você sabe, se houver algum lugar quentinho, quero ir para lá. E sei que em breve. Sua homenagem a um amigo amado é tocante. Pois somente quem não te conhece pode duvidar da força, verdade e intensidade do seu viver, do que escreve e do que sente. Sua vida é exemplo disto. Morena, sobreviva. Por tantos "antonios" que precisam de você. Eu sou um deles. E que seu amor intenso pelos amigos e caminheiros em sua vida seja sempre o mesmo. Sinto um pedaço de sua dor. Por você. E nada posso fazer. Viver é sim um exercício de alegria. Mas também de dor. Você sabe que eu sei. Lendo sua linda homenagem ao Antonio Azevedo, resta-me lembrar uma música. Que - sei - a fará chorar. E que o Antonio não concordaria por faze-la chorar. Ele a amava e não aceitaria isto. Eu, que também a amo, só quero que você seque as lágrimas. Chore, sinta e continue sendo uma mulher que faz a diferença na vida de todos nós. Um beijo imenso, saudades e sinta-se acarinhada em meu colo! 

Obrigada meu querido amigo Reynaldo Rocha 

bjos bjos bjos

4 comentários:

Vânia Cavalcanti disse...

Eidia, amiga que não conheço e sempre amei, me dá licença de visitar sua dor? Nem sei se deveria escrever isto, mas não consigo calar sendo quem sou. Mais ou menos como o imenso Drummond que disse numa carta João Guilherme Merquiro que o silêncio não era o companheiro das emoções mais profundas dele. Ao contrário do nosso querido Reynaldo, tenho fé e, de novo, ao contrário dele, não acho que a fé console, pacifique, facilite, felicite ou qualquer outra coisa assim. Por vezes, é ainda mais angustiante do que para quem não tem, pois, ela nos aprisiona entre a certeza da existência e do amor de Deus e... nós e esse pó de que somos feito e que existe à mercê do êxtase de contemplar a face sublime do eterno e da devastação ao contemplar a face horrenda do eterno. Se há Deus, para que e por que toda essa miséria provocada ou acontecida? É o Mistério e a ele, grande e pequena, me rendo às vezes em extasiada, às vezes devastada. Faz um ano e meio que meu pai morreu, descobri aos 46 anos que orfandade não tem idade e sou dessas mães que já velaram filhos. Ainda que a conhecesse, Eidia, não é do meu estilo dizer o que as pessoas devem ou não fazer diante de perdas assim porque eu não sei o que elas devem fazer diante de perdas assim. Também não sei o que eu mesma devo fazer. Com as pessoas mais chegadas que passam pela mesma coisa, eu só fico por perto, arquitetando abraços profundos, para que elas saibam que a solidão delas está acompanhada. Além do mais, a mulher sábia que você demonstra ser necessariamente deve ter passado por perdas anteriores, deve já conhecer o caminho de onde vê a própria alma cruzar um átrio do qual volta outra. Só posso falar do que passei e que passou por mim, do que me ensinaram perdas devastadoras anunciadas e outras devastadoras também por ser inesperadas. Não há nada que nos prepare para isso, é sempre a terceira lâmina cortando rente e indiferente, mas o mesmo amor que nos expõe à dor da falta nos protege da única solidão irremediável, que é a incapacidade de sentir a falta, a incapacidade de amar. Dessa solidão que resseca almas e liquefaz a pertinência das coisas. Seja amar a vida, amar alguém, amar o amor. É ele que nos torna capazes de cerzir a alma, abrandar nosso coração para que deixemos de tentar desafiar ou entender o Mistério, ao qual, então, apaziguados, nos submetemos. E cada um de nós faz isso no seu próprio tempo. Perdoe-me se soo piegas, não é minha intenção, detesto pieguice. São apenas as impressões solidárias de alguém que contemplou infernos infernais, próprios e alheios. O sentido da coisa, Eidia, não há intrinsecamente; ele será aquele que você der, como tudo o mais que experimentamos e fazemos na vida. Minhas orações serão para que você erija um sentido para sua perda e nele se abrigue. E, assim, nossa alma encontra consolo na colina ensolarada que se ergue em algum lugar dela mesma, onde reencontramos tudo e todos que perdemos, e até o que ainda não tivemos. Um beijo

Eidia Dias disse...

beijo Vania querida....obrigada pelo carinho

Anônimo disse...

Vania. Suas palavras são emocionantes. Não considero a falta de FÉ (o ateísmo) como uma dor. É uma graça, a mesma dos que tem a Graça da FÉ. A dor maior é do agnóstico. Quem tem fé, crê e esta crença (racional ou não) alivia e anima (de anima, alma). Quem não tem, também está resolvido quando ao vir-a-ser. A dor maior é de quem não crê querendo (precisando?) crer. O agnóstico. Que resite à solução simplista da negação do Divino. Mas, pela burra racionalidade, não consegue enxergar (ou não tem a capacidade para tanto) além da miserável experiência humana. É uma luta dolorosa de buscas que parecem não ter fim. Pouco me valeu meus estudos de Teologia e até minhas discussões virtuais (onde aprendi muito) com o Antonio. Minha formação em Filosofia pouco acrescentou. Ou, ao contrário, acrescentou maiores dúvidas. Costumo dizer que o agnóstico é quem mais desesperadamente precisa - e quer - acreditar na força maior do Universo. Seria PAZ, enfim. A mesma que os ateus possuem, pois que estão equacionados nas suas próprias certezas. De oto modo, suas palavras foram reconfortantes. Para mim. Sua sabedoria, vida e experiência me deram mais uma lição. Que aproveitarei. Abraços.
Reynaldo

Eidia Dias disse...

Isso é uma briga de cachorro grande na arte de lidar com as palavras. Eu, na minha pequenez de sabedoria e de uso da lingua portuguesa faço o que melhor posso fazer. Aproveitar pra aprender. Podem continuar vindo aqui meus queridos. Eu vou amar.
bjo grande pros dois

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