
Um caso vai puxando o outro e isso não vai acabar nunca...rs.
Desta feita, morava eu em uma cidade fora de Paris, chamada Meudon. Fora de Paris, mas do apartamento viamos a Torre Eiffel e íamos até ela em 20 minutos de carro. Como diz um amigo meu: "qualquer aglomerado de casas, eles colocam nome e vira cidade pra parecer que são grandes..." rs. Brincadeirinha, claro!
Eu morava no primeiro andar, cuidava de dois embondinhos que eram pequetitos na época. No segundo andar, tinha uma senhora que era babá de um menininho.
Em frente ao prédio, existe um parque enorme, onde fica o Observatório de Meudon, com um jardim enorme e lindo e, todas as tardes, durante todo o tempo que lá morei, passeei neste parque. Eu dizia que, o que andei naquele parque, dava pra ir e voltar ao Brasil umas 3 vezes.
E via sempre esta senhora com o garoto, bem mais comportada que eu, que fazia a maior farra com todos os meninos, enquanto as mães liam embaixo das árvores. A maioria levava a criança e achava que era suficiente. Tenho nada com isso não, mas a meninada vinha toda se encontrar com a gente quando chegávamos.
Essa senhora, pelo boa tarde e poucas outras palavras que trocamos,percebi que era portuguesa, mas como só falava em francês comigo, continuava a falar em francês com ela.
Um belo dia, ela bateu no apartamento, eu abri e ela veio dizer que o pequeno ia fazer aniversário e que tava avisando, porque, se houvesse barulho, era pra saber que não iria durar muito, blá, blá, blá. Coisas de europeu.
Viro eu pra ela e falo em português: " ok, não tem problema algum, festa de criança é assim mesmo." Ela me olhou com a maior cara de espanto e disse: " pá, xxxtou a percibere o que ixxxtais a dizere." Eu : "mas é claro, estou falando a sua língua." Ela: " mas como sabes falar a minha língua?" Eu : "porque sou brasileira e falamos português no Brasil."
É inacreditável, eu não entendia o porquê de tanto espanto. Ela parecia tá vendo um ET. Ou o Salazar ressuscitado. Não sei o que seria pior pra ela.
Continuamos a conversar e ela me perguntava coisas completamente interessantes, vamos assim dizer. Como vim parár ali, como eu vim. "Avião ? Andaxxxte de avião? É muito longe? Quanto tempo de Paris?"
Ninguém é obrigado a acreditar, mas ela morava com o marido e 2 filhos em uma cidade uma meia hora mais pra frente, e nuuuuuuucaaaaa havia ido a Paris. Era da casa dela pra Portugal, nas férias. Aí comecei a entender a falta total de conhecimento.
Quando ela me via colocar a mochila nas costas, com uma menina e empurrar o carrinho com o menino, dizendo que tava indo pra Paris, brincar no carrossel que tem ao lado da Torre Eiffel, ou ir ao teatrinho de marionetes, imagino que devia acender velas pedindo a Nossa Senhora de Fátima que me trouxesse com vida, depois de tamanha empreitada. E era uma aventura mesmo, porque pegava ônibus e metrô.
Nem podia sonhar em ir de carro, porque a melhor parte do passeio pras crianças, era andar de metrô.