Eu já falei algumas vezes, mas não me lembro se já disse aqui. De qualquer maneira, como o povo sempre pergunta, lá vai a explicação e fica registrado no post.
De onde surgiu esse "eidia"?
Quando trabalhei no Iraque, além dos iraquianos, tinham trocentas outras pessoas de várias nacionalidades. Entre elas, tinham os egípcios. Muitos. E, junto comigo, na secretaria da empresa, trabalhava um que era uma graça de pessoa, muito fôfo, mas não conseguia falar meu nome nem a poder de porrete. Depois de inúmeras tentativas, desisti, e ele falava como conseguia : Eidia.
Eu dizia:
- Fala: I, ê, da.
Mais simples impossível, né? Pra nós, cara pálida. Pra ele era uma luta. Ele repetia o i, o ê, o da e, quando juntava as sílabas, saía : eidia. Era muito engraçado. E, dali pra cá, meus amigos começaram a me chamar assim. Então ficou.
Said - é o nome dele. O que estará fazendo o Said, a essa altura do campeonato? Tenho o telefone dele e vou tentar achar o danado, agora em novembro, quando for ao
Cairo.
O Said era doidim com música brasileira. Me fazia cantar pra ele, pra pegar o som, o jeito, as palavras, e traduzir as letras também. Pode ? Em que língua a gente falava ? Numa mistura de árabe, com português, inglês, gestos, desenhos. Valia qualquer coisa.
Imaginem a cena ! Eu tentando explicar ao Said "da manga rosa, quero o gosto e o sumo, melão maduro, sapoti, joá, jaboticaba teu olhar noturno, beijo travesso de umbu-cajá..." Por mal dos pecados, quando trabalhei no kibbutz em Israel, achei outro, desta vez um judeu, doidim com Alceu Valença e tive que traduzir também pra ele a mesma música. Que sina a minha! Alceu Valença, não sei se sonha que fazia, ou ainda faz, quem sabe, sucesso por aquelas bandas. Eu dizia:
- Olha, a metade destas frutas, nem eu mesma nunca vi. São coisas de outra região do Brasil, lá do norte. Conheço não.
Como alguém que anda 12km ( em
Israel ) e acha que fez uma viagem, pode entender que eu não conheço uma fruta de outra região, do meu próprio país? Vai explicar!
Tem outra ótima do Said.
Quando ele me enchia o saco, eu falava que ele era uma íngua.
-Você é chato demais, Said! Que íngua!
Ai Jesus! Um belo dia, ele quis saber o que era íngua. Vai explicar também, isso prum árabe.
Mas, eu consegui. Expliquei a causa, até chegar na íngua, e ele falou:
- Ah! Entendi. Por que não disse antes? É
الدبل
Agora ficou fácil, né?
(Só pra sacanear procurei no Google...rs.)
Duro foi que, daí pra frente, ele também começou a me chamar de íngua, quando eu enchia o saco dele. De histórias assim eu tenho saudades.
O feitiço virou contra a feiticeira.
Tem mais ! Depois eu conto !
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