quinta-feira, 2 de abril de 2015

MESMO QUE O TEMPO E A DISTÂNCIA....


Quando a gente é adolescente tem milhões de amigos. É a fase do "rebanhar". Todo mundo é legal, gente boa, do bem, meu amigo. Sempre estamos em bando.


E temos várias turmas. A turma da escola, da rua, do trabalho, família. E tem os amigos dos pais que também viram nossos amigos. Não escolhemos. Eles já estão.


Mais pra idade adulta começa a primeira mudança. A turma da infância e adolescencia vai diluindo por vários motivos. Porque simplesmente eram só colegas de classe, ou vizinhos,  ou mudamos de escola, mudamos de bairro, de cidade, alguns ficam pra trás, poucos continuam e outros vão chegando.


Desta primeira turma ficam poucos. Muito poucos.
E chegam novos empregos, viagens, trabalho, namoros, família de namorados,  amigos de namorados, filhos, amigos de filhos e vamu qui vamu acrescentando mais amigos.
E eu poderia continuar colocando e tirando amigos da minha vida por muitos parágrafos, mas é melhor não, porque estamos numa época que ninguém tem paciência pra ler nada. Nem um assunto que esteja muito interessado nele.
Então vou direto ao ponto.


Dias de hoje.
Bilhetes, cartas, fax, telefonemas, nada disso mais nos aproxima ou faz perpetuar ou aproximar dos amigos.
Hoje, quem não está conectado, não tem um imeio, facebook, skype, wathsApp ou o que seja não pode se conectar com o mundo.
O mundo não tem mais paciência pras lerdezas de um telefonema, de uma carta.


OK. Eu também tô nessa. Uso bastante tudo isso e me é muito útil.
Só tem um senão. Senão que é meu.
O exagero.
Cansei.
Enchi o saco.
Se eu to do outro lado do mundo acho super válido me comunicar com meus amigos por imeio, face ou o que seja, mas, se tô perto deles quero vê-los. Quero ouvir a voz, encontrar, rir junto, comer, passear, ir ao cinema, comemorar aniversário junto, contar causus, viver.



Não quero estar em minha cidade e não ver meus amigos. Foi pra isso que vim aqui. Um dos motivos.
Conversando com dois dos poucos amigos que me restaram nessa minha longa vida, quis que eles entendessem que nós, na nossa faixa de idade, não temos mais tempo pra fazer novos amigos que virarão amigos pra sempre. Além de tempo, não quero perder as pessoas que sabem da minha história, conhessem meus gostos, minhas chatices, meus valores.


Pessoas que passaram juntas vários momentos da minha vida, que num simples olhar ou levantar de sobrancelha sabem o que quero, o que tô pensando.
Fico imaginando que pelo fato de não estar vendo meus amigos, não quer dizer que eles estejam sem ver outras pessoas, amigos novos. Que bom que continuam suas vidas, seus caminhos.
Mais um senão.


Daqui a pouco vamos estar precisando cada vez mais uns dos outros. Quanto mais velhos ficamos, menos capazes nos tornamos pra muitas realizações. 
Temos que nos unir, manter contato, saber mais da vida de cada um, porque quando algum de nós não estiver bem os outros poderão ajudar.


Como disse a um amigo a pouco tempo, mesmo com toda a modernidade dos novos cemitérios, sempre vamos precisar de pelo menos quatro amigos pra ajudar a carregar a nossa última casa, ajudar no transporte do nosso último caminho juntos.
Não gostaria que meu caixão ficasse capenga, desequilibrado por falta de amigo pra me conduzir pro meu derradeiro cantinho.
Mesmo que o tempo e a distância digam, não, precisamos fazer um esforço.



2 comentários:

✿ chica disse...

Passando pra te desejar uma lindas e Feliz Páscoa, tudo de bom!

Que ela seja santa, abençoada, na maior paz! bjs, chica

Eidia Dias disse...

Querida Chica Feliz Páscoa pra vc tb e todos de sua familia...
bjos bjos bjos

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