terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Djavan a todo vapor em Cannes e o francês pedindo pra morrer


Estava de bobeira em Cannes, na casa da minha amiga e, de repente, começo a ouvir Djavan esguelando. Alto mesmo !

Pensei cá comigo: "só pode ser casa de brasileiro" (francês, mesmo gostando muito de música, jamais iria ouvir naquela altura).

Fui pra varanda, e espichei o ouvido pra sentir de qual apartamento tava vindo o som.

Várias janelas abertas, era difícil identificar.

Foi aí que chegou uma moça em uma varanda, varrendo e cantava na mesma altura.

Brasileiro conhece o outro de longe. Meus amigos franceses ficam doidos comigo quando começo a apontar brasileiro na rua. Não entendem como posso saber, no meio de tanta mistureba - brasileiro criolo, branco, japonês, moreno, loura - como sei que é brasileiro. Eu digo que ninguém anda como a gente. O jeito de andar, rir, sei lá. Só sei que nunca errei. Tenho um amigo que diz que é fácil, porque todos andam com a mochila na frente. Medo de roubo....rs. Mas eu não me engano e daquela vez não me enganei também. Vi que não era brasileira.

Fiz um gesto pra ela e perguntei em Português: "Você é de onde?". E ela respondeu em Português: "Daqui, sou francesa."

E daí começou uma bela amizade.

Eram mãe e dois filhos adolescentes, franceses que tinham morado durante muitos anos no Brasil, a mãe se separou do marido e estavam voltando. E moraram em Belo Horizonte. Pode? Mundo pequeno. Super simpáticos. Loucos com o Brasil e com o coração apertado por terem que vir embora, por isso o som naquela altura.

O apartamento todo zoneado com a mudança, e já tava ajudando a colocar as coisas no lugar, quando ela me contou um caso engraçado que tinha acontecido à noite e tava puta com o vizinho.

Disse que tinha se levantado pra ir à cozinha e trombou em alguma caixa que caiu e fez barulho. Normal. Normal no Brasil, cara pálida, lá é uma afronta fazer barulho à noite.

E não é que o vizinho subiu pra reclamar? Às 3 da matina?

Ela abriu a porta, o moço reclamou e ela disse pra ele: "Estou realmente de volta a essa terra de neuróticos. O sr. se deu ao trabalho de subir pra me encher o saco. Se fosse no Brasil, ninguém subiria mas, se subisse, seria pra ver o que tinha acontecido e se eu tava precisando de ajuda." Falou brava e fechou a porta na cara do moço.

Ela não ficou muito tempo por lá.

Da última vez que nos falamos, tava morando na Itália.

Deve ter sido o mais próximo da nossa zona que ela encontrou pra viver. Brincadeira! Casou com um italiano.

Mas tava amando. Os dois.

Criança dodói em BH com atendimento gratuito






Pelos caminhos que já andei, já vi muito problema com atendimento médico. Não só no Brasil.

Tenho uma amiga que precisou ajudar em um parto na Inglaterra. Na mesma Inglaterra, outro já tinha sido anestesiado e não tinha médico pra operar. Esperaram passar o efeito da anestesia pra voltar pro quarto. Ainda lá, já vi foto em jornal, de pessoas deitadas em corredores por não ter leito e morrer em fila por falta de atendimento. Já fiquei esperando em fila de hospital em Viena e já enfrentei fila também com amigo em Paris.

Estou contando essas experiências, porque a gente acha que problema hospitalar é só no Brasil. Não é mesmo!

Então, quando vejo um trabalho como esse sendo feito, acho que tenho mais é que divulgar.

O atendimento médico é feito na Igreja do Carmo em Belo Horizonte-MG.
Olhem só !

"No setor da Pediatria, contamos com médicas(os) da UFMG e UNIBH. Assim temos muitas vagas para os atendimentos. Para manutenção do trabalho, pede-se uma contribuição de R$2,00 pela consulta e não há limitação geográfica; atendemos crianças de qualquer bairro e da região metropolitana. Como é um projeto social, procuramos atender as crianças que necessitam de atendimento e não estão conseguindo nos Centros de Saúde. Por favor, ajudem a divulgar esse trabalho!

Ambulatório Carmo Sion - Av. N. Sra. do Carmo, 463 - Sion - Fone: 3221-3055"

Você pode não precisar, mas tenho certeza de que conhece pessoas que precisam, gente que não tem um plano de saúde.

Divulguem !

Cultura, hábitos, costumes, língua, delicadeza, educação, tudo junto e misturado.






Uma das coisas que demorei a me acostumar - porque achar normal ainda não acho - com o povo do lado de lá do Atlântico, é não oferecer. Vou explicar.

Aqui no Brasil é super normal quando vamos comer alguma coisa, oferecer pra quem tá do lado. Pode ser em casa, no trabalho, onde for. Dependendo do lugar, até pra um estranho, por exemplo, um motorista de táxi, em uma fila de banco. Impossível tirar um chicletes e não oferecer pra quem tá te olhando. Pra nós, isso é super normal.

E também temos o costume de oferecer préstimos. No trabalho, se vou sair pra comprar um lanche, pegar uma água, mesmo se vou ao shopping, um supermercado, é super normal perguntarmos se alguém precisa de alguma coisa. "Quer que traga seu lanche?"

Na França - mais uma vez lá, mas foi onde fiquei mais tempo - tem isso não. É a coisa mais comum do mundo você estar com uma pessoa, na casa dela ou na rua, ela ir à geladeira, pegar alguma coisa ou comprar e voltar pra conversa, comendo feliz da vida. Nem sonham perguntar se a gente quer. É normal. Mas pra nós isso não é esquisito? Vai, pega um suco e volta bebendo tranquilo. Oferecer? Nadinha. Falta de educação? Acho que não. Costumes diferentes.

Então me lembro aqui da minha amiga polonesa (que já contei vários casos sobre a nossa convivência). Sempre que eu tava na casa dela e ia comer, beber, sair, perguntava. "Você quer? Precisa de alguma coisa? Aceita?" E parei de perguntar no dia que ouvi: "Não obrigada, quando eu quiser eu pego." Ouvi também: "Quando eu tenho fome eu como, não precisa me oferecer." OK. Parei. E era doido demais, porque realmente ela comia quando tinha fome, não tinha essa de hora do almoço, hora do jantar. Tomava um belo sorvete às 3 da manhã se tivesse com vontade ou fazendo calor. Como faz muito calor em Cannes, qualquer hora é hora.

E comia o que fosse, leve ou pesado, a hora que fosse. Primeira refeição às 3 da tarde ou podia ser às 9 da manhã.

Mas eu ainda fico muito desconfortável em não poder demonstrar, naturalmente, a minha gentileza.

Mais ou menos nessa linha, já vi várias vezes um ser lavar seu próprio copo, seu prato, seu garfo. Mesmo que na pia tivesse só mais um copo ou uma caneca, não tinha usado, não lavava.
Eu, hein! Povos. Culturas. Nem que vivamos por muitos anos com uma cultura diferente, jamais nos enquadramos total.

Observando, observando gente pelo mundo, fiz uma descoberta.
No quesito expressões de grande emoção, não importa em que país estiver a pessoa, não importa se nem um outro fale a língua dela, se ficou muito feliz, ou muito puto, muito indignado, a exclamação vai na língua pátria. Qualquer uma, inglês, francês, alemão, árabe, português.
Tanto faz.
O " filho da puta !!!", de qualquer língua , vai sempre no original....rs.
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Como estou sem computador, as postagens nao ficam boas.  Postei com celular mesmo, só pra dividir com todos minha alegria e o grande resulta...