terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Vendendo o peixe pelo mesmo preço que paguei
















A gente pensa que só nossos governantes são campeões em fazer merda. Ficamos um pouco aliviados quando descobrimos a merda dos outros, em outras terras.

Vou passar o peixe pelo mesmo preço que tô comprando.

O francês, de modo geral, não é a favor de vacina. Seja ela qual for. Até as vacinas que, no Brasil, são obrigatórias, pra crianças, aqui não são, assim, nem todos vacinam os filhos.

Com a história da Gripe A, o bicho tá pegando por aqui.

Segundo os amigos nativos, fez-se um alarde tamanho como se não fosse ficar pedra sobre pedra, quer dizer, não ia ter espaço pra enterrar tanta gente, tamanha a força com que chegaria a gripe aqui, acompanhada do inverno.

E taca o governo a comprar vacina. A Ministra da Saúde autorizou a compra de uma quantia absurda, segundo o povo. Três terços da vacina, que daria pro mundo todo, foi comprada aqui. Segundo o governo, seriam aplicadas em duas doses, só que, a segunda dose, quando fosse ser aplicada, a validade já teria ido pro brejo.

Foram encomendadas 94 milhões de doses. População da França = 65 milhões. Preço em torno de 700 milhões de euros. Estão tentando aplacar a fúria da população, negociando com os laboratórios (segundo o que ouvi, a ministra já trabalhou em um deles) a devolução da metade.

Foram gastos 350 milhões de euros em máscaras. Milhares delas, não sabem onde enfiar.

Mobilizaram postos de saúde, que ficaram às moscas ( foto acima) porque o francês tem confiança no médico que ele conhece, que o acompanha. Não se deixa vacinar por um médico de posto de saúde. Vários médicos colocaram aviso na porta do consultório dizendo: "Não dou vacina conta Gripe A".

E pra piorar ainda mais a situação, nessa época do ano, existe um surto de diarréia. Comum como uma gripe de inverno. E ele veio brabo, pior do que a gripe tão esperada.

Daí, que tirei a charge da Ministra da Saude, dizendo que já encomendou 94 milhões ( mesmo número da vacina ) de papel higiênico. A tradução literal fica meio danada de fazer. Deduzam vocês.

Tudo que estou repassando, li nos jornais locais Liberátion, Figaro, le Monde. No Le Monde de 04 de janeiro, tem uma reportagem com todos os valores gastos pra essa GripeA.

Em torno de 2 bilhões de euros.

E continua a confusão. Segundo o povo, isso é uma pouca-vergonha. Briga de interesses de laboratórios. Li vários comentários de muitos leitores, mostrando o que é usado como verba pra várias doenças, como o câncer por exemplo e nem chega aos pés do que foi gasto com a gripe.
Li, também, que estão tentando negociar o repasse do encalhe pros países pobres. Se a merda já tá feita, eu acho que, o mínimo que poderiam fazer pra melhorar a situação, seria doar.

Enfim, eles que são brancos....mas aqui como aí, o bicho pega sempre onde?

No bolso do povo, é claro!

" Ao redor dos quatro pontos cardiais desdobram-se como bandeiras as ruas, oxalá meus versos erguidos tremulem essas bandeiras." Jorge Luis Borges.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Hoje Favela Chic, ontem, não tão chic assim...









































Conversando com um grande amigo francês, falávamos sobre as favelas brasileiras e ele começou a me contar das favelas parisienses.
Com o término da Segunda Guerra Mundial, as pessoas do campo começaram a vir pra cidade. E, junto com elas, um mundo de imigrantes portugueses (que hoje é a maior imigração na França), espanhóis, árabes... Uma verdadeira invasão.

Como os nossos imigrantes de vários cantos do Brasil, vieram e foram ficando e se acomodando em torno da cidade já que, conseguir trabalho e moradia, não era tão simples como eles imaginavam.

A maioria dos homens, como eram camponeses fortes, faziam o trabalho mais pesado como carregar e descarregar sacos em lojas, padarias e feiras. Muitos se tornaram motoristas de táxi.

Em Paris, onde se encontra hoje La Défense - o centro financeiro, comercial e dos homens de negócio, o Wall Street francês - já foi uma favela. E não tem muito tempo.

Como se pode ver nas fotos que encontrei, ainda nos anos setenta, elas estavam lá.

Foram construindo prédios e mais prédios e eles foram empurrando as pessoas das favelas - que aqui se chama "bidonville" - pra mais longe, pra trás do Grande Arco.

Esse Arco é uma homenagem ao Arco do Triunfo - em versão moderna - e, olhando de frente pra avenida, ao longe, veremos o Arco antigo e, espichando a vista mais e mais, até chegar no Louvre e, mais ainda - agora já de binóculo - até chegar na Praça da Bastille. Tudo uma reta enorme, que muda de nome umas 3 ou 4 vezes.

O centro financeiro começou a ser construído no final da década de 50. E, como o povo começou a ser empurrado, o partido comunista - que tinha uma grande força na época - colocou a boca no trombone; fizeram tanto barulho, que os construtores da época, muito espertinhos e doidinhos pra embolsar mais e mais francos, ouviram e tiveram a brilhante idéia de construir prédios, como os nossos conjuntos habitacionais, e o povo teve onde ir morar com mais conforto e dignidade.

Em 1966, um levantamento social dá os seguinte resultados: "Paris e seus subúrbios - com 119 favelas - inclui cerca de 4.100 famílias compostas de 47.000 pessoas (42% de norte-africanos, 21% portugueses, 6% espanhóis e 20% franceses). Só na favela de Nanterre ( hoje La Défense) 80% da população era francesa."
Só a partir de 1970, o governo realmente começou a tomar providências e elas desapareceram.
Com o tempo, as coisas foram mudando e, hoje, já não é a mesma maravilha de outrora. A turma de primeiros moradores já passou dessa pra uma melhor e, quem foi se apossando, foi transformando esses prédio em verdadeiras favelas verticais. Em sua grande maioria, são habitados por imigrantes, principalmente árabes.


O que esse Blog tem a ver com isso?
Além de ser um assunto que acho curioso, de repente você vem passear por estas bandas e vai passar por lugares, hoje super elegantes, e saberá que, há algum tempo, poderia estar passeando em qualquer Rocinha ou Complexo do Alemão aí no Brasil.

Isso quer dizer que, lugar algum nasceu lindo e rico. Foi às custas de muito trabalho e muita luta. Como no post que falei sobre inundação em Paris. Meu lado cheio de esperança que, felizmente imagino deve morrer junto comigo, sempre pensa que ainda podemos esperar uma vida bem melhor pro nosso povo.

" Conhecer lugares onde se escreveu a história é uma enorme fonte de prazer."

NATAL 2025 DE NOSSA PREMAMETTASCHOOL

Como estou sem computador, as postagens nao ficam boas.  Postei com celular mesmo, só pra dividir com todos minha alegria e o grande resulta...