segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Millôr rindo por último


"Ri melhor quem ri por último, como dizia o empresário do comediante fugindo com o dinheiro da bilheteria."

E lá istavamos nóis a ixxxperare o ilevadoire, ora pois!

Eu trabalhava pra um senhor em Paris, que morava em uma cobertura no 12º andar onde tinha um pequeno jardim.

Um belo dia, ele me pediu pra descer com um vaso grande que, sei lá por qual motivo, não queria mais. Ia doar pro prédio colocar na portaria. Tudo bem!

Ele mesmo combinou com a zeladora e pediu pra que ela me ajudasse no transporte do trambolho. Ficou combinado que, no próximo dia que eu fosse trabalhar, chamaria a D. Maria pra me ajudar.

Como toda zeladora, ela morava em um pequeno apartamento no térreo, bem na entrada do prédio.

Cheguei e, antes mesmo de subir, chamei por ela. Muito gentil já estava a "mixperairi" ...

No edificio tem dois elevadores: um maior pra transportar mudanças e coisas grandes, e outro menor, mais bonito, atapetado, espelhado, pras pessoas.

Estávamos esperando o elevador, quando chegou primeiro o de pessoas. Fui entrando e ela empacou na porta dizendo: "não, não, não, pá! não p'demos istar a usaire exti ilevadoire, pá! ".
E eu: "uai, por que não ?" Ela: "esti é pra transpurtar pissoas, não p'demos carrigar o vaso neile."
Eu: "mas D. Maria, ainda não estamos com o vaso! Ainda vamos subir pra buscá-lo..."
Ela: "ah poixxx!! É virdadi, pá!!! Intão vamuxxxx, pá .... p'demos ir."
Estas zeladoras são mesmo "piturexcaxx"....raciocinam de uma forma realmente diferente da nossa!

Mico meu! Fernando Sabino se inspirou em mim...


Trabalhava eu em um prédio e o apartamento era no terceiro andar, mas meu quarto era no sétimo. Em Paris isso é muito comum, o último andar tem quartos que pertencem aos apartamentos. Cada um faz do seu o que quiser. Nesta época, eu estava sozinha no andar.

Sábado, inverno, resolvi dar uma geral no quarto, quiném vim ao mundo. Em casa é sempre assim.

E limpo e lavo e enxaguo e varro. Resolvi, só Deus sabe porque, dar uma varrida no corredor, pelo menos na minha porta. Como tava muito frio, enfiei uma camisetinha, que ia pouco abaixo da cintura, só pra dar a varridinha.

Você deve estar pensando: "já conheco essa história. O Homem Nu, do Fernando Sabino." Realmente a história é quase idêntica. E o aperto, idêntico.

Varri um tico e a porta ssxxlapt! Fechou atrás de mim. Evidente que só abria por dentro. Fiquei com aquela cara de " e agora ?" É uma sensação que não dá pra descrever.

Não me lembro quanto tempo fiquei ali esperando, tomar coragem pra fazer o inevitável: ir buscar uma chave no terceiro andar.

Tem um fato que, quem conhece a cidade, vai sentir mais ainda meu drama. O prédio é antigo, não tinha elevador, então colocaram um elevador daqueles abertos, que a porta fecha em sanfona, do lado de fora. Ele aterrisava no pátio ao lado da porta de entrada. Um cenário dos deuses pra quem tá pelado no sétimo andar e tendo que ir ao terceiro.

Depois de longos minutos pensando, resolvi enfrentar o frio e possíveis vizinhos. Benza a Deus que francês não fica nesse entra e sai de casa quiném a gente.

Puxava a camiseta na frente, a retaguarda ficava descoberta e vice-versa. Resolvi por bem proteger a dianteira.

Desci e fui tentar a sorte de achar a zeladora do prédio que morava na entrada, no térreo. Ela estava em casa. Como uma boa nativa, sentiu a tristeza da cena, não ficou me olhando, não riu (pelo menos na hora, não!) e foi correndo pegar a chave com minha patroa. Eu fiquei rezando pra família estar em casa. Enquanto esperava ainda tinha o cachorro da zeladora que agradou de mim e não saiu de perto, me farejando o tempo todo. Cena mais constrangedora não podia existir. Mas era melhor isso do que meu patrão abrir a porta e ver a "jeune fille au pair" de suas duas crianças, pelada na porta.
A moça voltou com a chave, peguei, agradeci e saí quiném um foguete, nem me preocupando mais com a traseira ao léu.

Só queria ficar livre daquela situação !

jeune fille au pair = Trabalho feito por estudantes. Normalmente buscam as crianças na escola à tarde e ficam até quando os pais voltam do trabalho, cuidando delas.

NATAL 2025 DE NOSSA PREMAMETTASCHOOL

Como estou sem computador, as postagens nao ficam boas.  Postei com celular mesmo, só pra dividir com todos minha alegria e o grande resulta...