segunda-feira, 19 de julho de 2010

"Quanto mais se vive mais se aprende, e a gente morre sem saber nada!"

Quem falava assim era meu pai. Sábio, sábio! E é verdade. A gente toda hora descobre que não sabia disso ou daquilo.
Ontem (sábado) descobri uma coisa interessante e que me trouxe uma grande tranquilidade e satisfação e foi-se embora a culpa. Explico !

Fomos ao sítio e levamos, junto, uns amigos daqui de Belo Horizonte. Um deles mora em Paris há muitos e muitos anos e vem ao Brasil duas vezes por ano - sempre agora em julho e pro Natal/Ano Novo. Pois, muito bem ! E, sempre que vem, vamos passar um dia no sítio; passeio que dá muita alegria a todo mundo.
Andando por lá, mostrando as novidades, procurando frutas pra comer, descascando laranja, mexerica e comendo carambola, ele me disse uma coisa, que diz sempre que vem e que ouço de outros amigos também.
- Que pena que não tem jabuticaba!
- E goiaba ? Adoro goiaba, mas, não tem, né?
- Abacate ? Vamos ver se tem?
E eu me desculpando : - Pois é, jabuticaba é no tempo de chuva - agosto/setembro e janeiro/fevereiro. Mês passado, por exemplo, tinha abacate caindo na nossa cabeça. Até que, num determinado momento, me veio a luz, me deu aquele clarão na idéia e eu disse:
- Olha, você sempre tá dizendo que não tem essa ou aquela fruta, mas, pra comer todas, você tá convidado a vir passar um ano aqui no sítio. Vai pegar todas as estações do ano e comer de todas, até rachar e parar de encher o meu saco. E eu aqui, me desculpando, como se fosse culpa minha não ter jabuticaba em julho. Tenha a santa paciência! E começamos a rir, porque, ele também se deu conta que as frutas tem sua época. E as temporonas não são tão saborosas. E disse mais:
- É a mesma coisa deu chegar na sua casa agora, em pleno verão, mó calorão e dizer:
- Não tem neve? Que pena ! Você disse que é tudo tão lindo com neve...
Vai te catar. E completei:
- Vou fazer uma pesquisa e colocar no blog pra todo mundo ler. Quando quiserem vir ao sítio, consultem e vejam qual a fruta do momento.

E fiz mesmo. Lá vai:





- Abacate - de fevereiro a agosto.
- Banana - de janeiro a outubro
- Figo - de janeiro a abril
- Goiaba - de janeiro a maio
- Jabuticaba - de agosto a setembro e de janeiro a fevereiro
- Laranja - de janeiro a setembro
- Mamão - todos os meses
- Manga - de novembro a janeiro
- Maracujá - de janeiro a julho
- Mexerica polkam - junho e julho
- Limão - de janeiro a março

Só não vou colocar a lista completa, porque, senão, ninguém vai ter saco pra ler. Mas, antes de levar alguém agora, vou dar uma corridinha antes no Google...rs.

Outra coisa que também me dei conta ontem, foi do tanto que as pessoas estão se distanciando de viver junto à natureza. Por mais que tenham vivido, quando eram menores, com a correria da cidade grande, se esquecem de como é a vida na roça. Mais uma engraçada que rolou, foi este mesmo amigo, mais urbano impossível, ficar indignado com o tanto que os cachorros comiam. Eles comem ração mas, no sítio, comem também tudo que lhes interessa e encontram pelo caminho. Na hora do almoço, a gente ia jogando os ossos da colega que comíamos pra eles e eles mandando pra dentro da pança. Num determinado momento meu amigo disse:

- Eles já não estão cheios? Vocês já jogaram muitos ossos pra eles. Eles vão passar mal.

Foi um riso geral. Tem dó, ô Mané! Eles comem se quiserem. E bicho não tem muito essa de saber quando tá cheio; vão comendo tipo "é melhor comer agora, porque não sabemos quando vai cair outra coisa".
Teve também aquela sessão culpa, aquela culpa que todos nós temos, hoje em dia, quando estamos saindo um pouco da rotina e comendo mais do que nos demos o direito de comer todos os dias. Foi um tal de contar caloria, um tal de não como isso porque já comi aquilo, minha cota de não sei o quê já acabou, agora só como aquilo outro daqui há uma semana. Vidinha idiota. Precisamos tomar cuidado com a nossa saúde e tentar nos alimentar da melhor forma possível, mas, essa neura de fazer contas o tempo todo, enquanto comemos e depois de comer uma comidinha caseira, super deliciosa, que só nos deu prazer e alegria, pra que ficar pensando nos carboidratos a mais ou a menos que foi ingerido? Phoda-se! Isso não acontece todos os dias. Não enchemos o pandeiro o tempo todo de coisas pesadas.

Meu amigo trouxe vinho pro pai dele, mas, o pai tava sendo controlado na forma de degustar o mais famoso vinho do mundo.
- Você tá tomando muito depressa, vinho se toma assim e assado! Saboreando, degustando, calmamente...
Não conseguindo ficar calada, já saí atirando. - "Se toma um cactos, deixa ele tomar como ele quiser : de golinho, de golada, qual o problema? Onde tá a lei que diz que somos obrigados a fazer assim?" E na minha teoria de que, quem já passou dos 80, tem mais é direito de fazer o que bem entender com seu corpo, ainda reforça mais numa situação dessas. - "Deixe ele saborear do jeito dele. Ele não é enólogo e nem quer saber o que venha a ser isso. Tem dó! Sabe lá se vai estar aqui na sua volta no Natal, pra beber de novo esse bendito vinho!

Falando assim até parece que meu amigo virou inimigo ou é um chato de galocha : nem um, nem outro. Só tá é muito influenciado pelos hábitos e atitudes dos moradores dos grandes centros. Isso é o que eu acho. E você?

Mas acho que ainda tem cura!

14 comentários:

Regina Rozenbaum disse...

Ieda, amada!
Sábio messssmo...Uma das alegrias que tive esse final de semana foi isso: "papito" chutou o pau da barraca e tá comendo o que quer enquanto pode...não tem mais jeito mesmo...então aproveita o restim de tempo com o mínimo de prazer!
Beijuuss n.c.

www.toforatodentro.blogspot.com

Ieda Dias disse...

Darling, e te digo mais. Com o prazer de fazer o que quiser daqui pra frente, te asseguro que ele ganhará dias de vida.
bjos

reynaldo disse...

Eidia,
seu blog está melhor que ótimo.
Tá gostoso!
Desde salada (vou tentar! eu estava na outra metade de Bh que ainda não tinha aprendido...) a esta lição de viver, que seu amigo (por ser amigo) entende direitim...
Beijão.
Reynaldo

reynaldo disse...

Eidia, pior que enochato só o que pede o que a gente não tem! Tinha uma casa de roça (vc sabe...) e levava alguns amigos. A imensa maioria amava. Mas - sempre há um "mas" a mais ... - um dia tive a infeliz idéia de levar um urbanóide. e pior: sincero! Na primeira manhã, ao acordar, fui todo solícito perguntar: e aí? Boa noite de sono? Resposta: "porra nenhuma! O barulho desta merda de cachoeira não me deixou dormir a noite toda!" No meio da tarde, perguntou a quantos KM estávamos e Lavras! (Toque mais direto, impossível!). Isso era uma sexta-feira! Dei um jeito. Ao cair da noite disse que havia ocorrido um problema em BH e que precisávamos voltar. Pedi desculpas e juntei as tralhas, mesmo com a revolta da família. Ele, óbvio, adorou o "problema". O mais grave foi que ao passar por Lavras (cidade que tem uma grande vantagem (ou melhor, duas): uma saída para BH e outra para São João del Rei), o convidado me disse: " cidade linda! Será que não daria prá vc deixar seu compromisso para segunda (óbvio, era sexta a noite!!!!!)? A gente podia ficar por aqui..."
Deixei-o no hotel, voltei pra roça e prometi (cumpri) passar domingo no fim da tarde para pegá-lo.. Deu certinho.
O saco foi aturar a viagem de volta, com o cidadão contando as maravilhas de Lavras e da praça em frente ao hotel.
Beijos
Reynaldo.

Ieda Dias disse...

Que tal fazer aqui em casa, Rey pra gente comer com ciabata do Il Panne, a melhor de BH.?
bjins

Ieda Dias disse...

Este aí, Rey, foi pro seu sítio, só Deus sabe pra que. No caso de sábado, me impressiona o tanto que todos estão afastados do contato com a vida simples. Adoro a cidade, não moraria em um sítio, mas passar um dia, 2, é uma delícia.Faz bem pra alma e pra pança...rs
bjins

Mary Valeriano disse...

Te entendo bem Ieda! Eu aqui na Italia eu moro na roça em lugar de montanha... A minha cidadezinha de 200 abitantes tem vida tranquila de agropecuaria e turismo, mas no ultimo ano esta sendo "invadida" por urbanoides que tem escolhido (pasmem) morar aqui... A moda dos alternativos que querem escapar do "sei la o que de 2012" Parece que o lugar onde moro è bom demais, mas enquanto o mundo nao acaba è risada todos os dias.

Ieda Dias disse...

Sabe Mary, eu tenho amigos que moram em cidadezinhas próximas de BH., lugarejos, que os moradores, mesmo tendo problemas com as estradas, principalmente em tempos de chuva, não deixam asfaltar. Medo dessa turma que você tá falando chegar e querer morar. Hoje em dia tá um perigo. Qualquer lugar ta virando Miami....rs. Deus me defenda!
bjos

José Luiz Foureaux de Souza Júnior disse...

Tem cura sim! Concordo com você. O exercício, mesmo que distanciado - no tem e/ou no espaço - do afeto é a prova contendente disso!
Bravo!
beijinho

Anônimo disse...

Engraçada a previsão de existir mamão o ano inteiro. Neste exato momento, não consigo comprar um sequer que preste. Pode ser que em alguns meses, apesar de dar o ano todo, a qualidade varie, melhor ou pior. Nesta época agora, sinceramente, o mamão que tenho visto está bem ruim, sendo praticamente inexistente o tipo papaya, e estou me referindo às feiras, não é supermercado não!
Achei ótimo o post. Valeu!
Bj
MElisa

Ieda Dias disse...

Você sabe do que tá falando né Juníssimo!!! Muito chic.
bjos meu bem

Ieda Dias disse...

Elisa, o mamão lá do sítio, não é o papaia. É aquele mamão comprido, antigo...rs...se é que posso dizer assim. Daqueles pés altos que a gente apanha com vara. Maneira tradicional. O papaia realmente tá sonso, sem gosto.
bjos

Ellenzinh@ disse...

Ieda
Adorei o post! Que delícia!
Acho que as pessoas se acostumaram a se enquadrar em padrões: peso, alimentação, agradar os outros.
Estamos perdendo a capacidade da espontaneidade.
Quando me dizem que estou gordinha, respondo que optei por ser feliz, afinal, o brigadeiro da hora do almoço, o pastel do domingo, a lasanha da minha mãe, o frango com polenta da minha avó, o chop com as amigas, isto é felicidade! E felicidade engorda!
Só a tristeza deixa a gente magro - tristeza de viver comendo só saladinhazinha.
Heheheh
E vou terminar contando um causo meio parecido com o do pai do seu amigo, vivido por mim: estava em um almoço de família, todo mundo comendo, fazendo barulho, falando alto e eu quieta, me acabando com um frango caipira que estava de morrer de tão bom, armada de garfo, faca e guardanapo, cortando o frango pra misturar com arroz e feijão (do jeito que eu gosto, tudo misturadinho), quando ouço: - Mas frango se come é com a mão!
Pensei cá comigo: Até onde eu sabia, se comia é com a boca, mas se o povo faz questão de mão, "nós se lambuzeia!"
E parti pra agarrar e morder o bicho, no dente, já que meus modos incomodaram tanto.
Heheheh
Beijinho.
Ellen

Ieda Dias disse...

Pois é Ellen. Cuidado é uma coisa, agora, neura, tô fora!
E sempre tem um pra dizer alguma coisa quanto ao comportamento do outro....mas é isso que faz a gente rir, se divertir...
bjins

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