segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Como me tornei vizinha de Wagner e Rodin-parte 2

























Então chegou o sábado e lá fui eu pra Meudon. Peguei o trem em Montparnasse e 16 minutos depois tava lá. Enquanto isso passamos por umas 3 cidades.
Segundo um amigo, eles colocam nome de cidade em qualquer povoado, pra parecer que tem muitas. Ô maldade!

Mas a verdade é que todo francês adora dizer que não mora em Paris. Morar em Meudon, por exemplo, é chic pra cacete. Eu prefiro o tititi de Republique. Esse silêncio que eles adoram, eu tô fora! Passarinho e grilo cantando? Nem morta!

Meu futuro patrão me esperava na estação. Segundo eles me contaram tempos mais tarde, ele e a patroa tinham tirado o sábado pra conversar com todas as moças que tinham telefonado e se interessado pelo trabalho. Essa era a segunda viagem que ele fazia.

Subimos por uma avenida - que depois virou o caminho da roça pra mim - e foi lá que o Seu Wagner morou com a esposa, Dona Minna Wagner.
Sempre que passava na porta da casa linda, de pedra, na avenida tranquila, ficava imaginando o compositor debulhando seu piano, dia e noite, e a vizinhança já com o saco na lua pensando: " Quando esse mané vai se mudar daqui e nos deixar em paz!"

Chegamos ao apartamento e começamos a conversar. Até então, tava em português e fui ficando sem graça, porque a patroa ficava só me olhando, então perguntei se não era melhor tentarmos falar em francês pra ela participar. Ela disse que não precisava, que tava adorando o som da nossa prosa. Então tá !

Falei de toda minha inexperiência em ser babá, nunca tinha sido, não tinha filhos, mas tinha quatro sobrinhas e trocentos amigos cheios de crianças que eu tava sempre carregando pra cima e pra baixo. Não fiquei muito tempo.
Ele olhou no relógio, porque já devia de ter outra candidata esperando na estação de trem, me levou embora, já aproveitando pra carregar a outra.
Disseram que era pra eu ligar na próxima quarta-feira pra ter uma resposta.

OK. Fui-me embora. Voltei pra capital.

Tempos mais tarde ele me contou que, quando voltou pra casa, a mulher dele disse: "É essa. Já escolhi". E ele: "Como assim, já escolheu? Você nem viu as outras, tem uma na sala esperando e mais não sei quantas pra chegar..." "Já escolhi", ela falou.

E nem na sala ela voltou mais. O pobre coitado passou a tarde de sábado falando em vão com moças esperançosas, sem poder já dispensar de cara porque não seria polido.

E eu já comecei a trabalhar na semana seguinte, na quinta-feira.

Cuidei do meu pequetito, que hoje já tem 21 anos, por alguns anos. Tempos depois, eu tava morando em NY, quando eles me acharam lá e me fizeram largar meus trabalhos e voltar pra Meudon pra cuidar da irmãzinha que ia nascer. Lá fui eu e fiquei mais uns anos.
Mas, como sempre, essa já é outra história.

Ah! Essas crianças são bisnetas da polonesa.

As fotos são da casa azul de Wagner, recentemente restaurada, a avenida arborizada onde fica a casa, casarão rosa, atual Museu Rodin em Meudon e mais fotos antigas da cidade.


" E assim chegar e partir. São só dois lados da mesma viagem. O trem que chega é o mesmo trem da partida." Milton e Brant

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Domingo é dia de preguiça e curtir a beleza da natureza !

Essas fotos foram tiradas pela minha querida amiga, hoje, com o raiar do sol e foram tiradas de dentro de casa.

O trator vindo fazer o nosso caminho pra podermos sair, visto da janela da cozinha.

A neve caindo...

O azul das fotos é uma mistura da cor do céu límpido, com a luz dos primeiros raios de sol, refletindo na neve. Sem truques nem efeitos especiais. Vocês estão vendo tal e qual nós vimos hoje.


De doer de tão lindo !


E a dona da casa, depois de décadas morando aqui e na mesma casa, ainda se emociona com essa beleza e fez as fotos pra eu mostrar pra vocês.


Obrigada, meu bem !
















sábado, 6 de fevereiro de 2010

Como me tornei vizinha de Wagner e Rodin






Estava trabalhando em Paris, fazendo "jeune fille au pair", que é um trabalho comum pra estudantes porque dá pra estudar e trabalhar ao mesmo tempo. A gente busca a criança na escola às 4 da tarde e fica até lá pelas 8, quando os pais chegam. Ganha-se um salário pequeno, casa, rango e condução. Pra estudante é uma mão-na-roda.

Mas a grana era pouca e eu procurava outra coisa. Nessa época, éramos eu e um amigo procurando trabalho.

Todo dia saíamos cedo, a gente passava na Igreja Americana, no Centro de Estudantes ao lado da Torre, e mais uns dois lugares que não me lembro. Como eu só começava a trabalhar às 4 da tarde, dava tempo pra fazer muita "pesquisa".

Num desses dias, resolvemos dividir : cada um ia prum lado pra não perder tempo. E a gente já tava maceteado, lia duas palavras do anúncio e já via que não rolava. Esses lugares que citei, tem cartazes enormes com oferta e procura de trabalho. Muito bom !

Então, meu amigo viu um anúncio e ligou. Era um casal com um bebê de 4 meses que queria alguém pra se ocupar do embondo.

O senhor foi super simpático com ele, disse que não tinha nada contra, mas preferia uma mulher pra se ocupar do pequeno. No que meu amigo falou: "a casa oferece... rs. tenho uma amiga".

Mais tarde ele me deu o número e foi minha vez de ligar.
Meu francês, nessa época, era bem pequeno e, ao telefone, quase sumia. Com dificuldade, comecei a falar com o futuro patrão e no meio da prosa, pedi pra ele falar mais lentamente porque era brasileira e não falava bem o francês. Aí, ele me disse: "Então vamos falar em português". Alívio total !

Ele tinha morado com a família no Brasil, dos 7 aos 12 anos, tinha sido alfabetizado em português e nunca mais esqueceu.
Marcou um encontro pro sábado às 10 da manhã.

E amanhã continuo a contar como foi o encontro, e como começou essa história de amor que já dura 21 anos.

" Todos os dias é um vai e vem, tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais." Milton Nascimento e Fernando Brant

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Aniversário do Henfil, morto há 22 anos!

Essa coisinha mais fôfa do mundo, no colinho da mamãe, é o Henfil, que estaria fazendo hoje 66 aninhos. Tudo no diminutivo, porque, pro aumentativo, ficam o meu carinho, admiração e amor por ele e pelo seu trabalho.

Morreu com 44 anos !!!!! Um absurdo o que a falta de responsabilidade do ser humano fez com ele e com seus irmãos.

Beijo procê, Henfil!





Metralhadora apontada pra mulher indefesa.


Sexta-feira é o domingo dos muçulmanos.
Pra nós, que trabalhávamos em média 10 horas por dia, 6 dias por semana, era o dia de ficar na horizontal recolocando os ossos em ordem.

Se tivéssemos muito animados, íamos até Rabania - uma cidade turística feita pelos franceses, com um lago artificial enorme - alugavamos um bangalô e era bem legal também.

Entre outras coisas que se tinha pra fazer em pleno deserto, no único dia livre da semana, era dar uma faxina no quarto. Durante toda a semana a gente nem ligava pra confusão que ia armazenando.

Numa sexta- feira, resolvemos, minha amiga e eu que dividíamos o quarto, dormir até mais tarde e depois partir pra faxina.
E foi o que aconteceu.

Depois de terminada a peleja, eu fui tomar meu banho e ela foi colocar o lixo lá fora, num tamborzão que tinha do lado da casa.

No que ela tá lá, despejando o lixo, sentiu uma presença atrás dela. Virou e viu um soldado iraquiano, armado de metralhadora, com uma cara de médios amigos. Ela olhou pro prédio mais longe, onde era o clube, e viu uma movimentação, bandeiras, e deduziu que tínhamos visita de alguma ôtoridade local. Não era comum soldados no acampamento. Tínhamos nossa própria segurança.
Mais tarde, soubemos que o governador de Ramadi nos visitava, por isso tinha tanto soldado espalhado no nosso território.

Ele perguntou o que ela tava fazendo, "Como assim, não tá vendo? Despejando o lixo." Ele não entendeu o que ela tava fazendo ali, naquele local. "Ora bolas, eu moro aqui, seu mané." Ele também não entendeu. Ela desistiu de explicar e foi voltando pra dentro de casa e o soldado com a metralhadora em punho atrás dela.

Pode uma cena mais bizarra? Você sair pra despejar um simples lixo e uma figura querer saber quem você é, de onde vem e pra onde vai, diga a senha.... tenha dó.

Pois pode.
E não é que o zé veio seguindo ela até o quarto?

Ela abriu a porta e ele veio na cola. No que entrou no quarto, tô lá, eu linda e loira, pelada, recém saída do banho. Não me lembro mas, no mínimo, devo ter falado: "Cliente novo?"

O cara ficou lá, estatelado, parado, olhando pra mim e eu, pelada tava, pelada continuei. Ele não se movia, não sei se o espanto era porque via uma mulher pelada pela primeira vez, nos seus 20 e tantos anos de vida, ou porque não imaginou que fosse ser tão ruim sua primeira experiência. Sei lá. Só sei que grudou o olho em mim e eu fiz aquilo que sempre faço numa hora dessas. Sem pensar, tive uma reação fora da lógica: juntei as pernas e fiz continência pro moço. Afinal, era um soldado, de qualquer forma, meu superior, já que eu não era nada além de ser povo.

Foi o que faltava pro moço reagir. Reconheceu o sinal e bateu em retirada.

À noite, sentadas no bar tomando alguma coisa, avistamos o soldado sentadinho num canto, olhando ainda, mas desta vez, vermelhinho.

Nunca vou saber se era de prazer e alegria ou de ódio. Deve ter contado pros colegas e ninguém acreditou. Pedir pra repetir a cena, coragem ele não teria. Ver outra mulher nua, só casando e, mesmo assim, pelo buraquinho da camisola. Como a cena da manhã, nunca mais !


" Inicie a viagem como se fosse uma criança, curiosa e alegre; durante o trajeto desfrute como um adulto respeitoso e solidário; quando retornar, sinta-se como um ancião sábio que voltará a ser criança amanhã." Mercedes Sáenz

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O arroz com feijão dos Alpes Franceses.









Aquela vida de cidade do interior, do interior do Brasil, das Minas Gerais de outrora, você não encontra mais. Aquela comidinha de fogão à lenha, fazer quitandas, fornadas de bolos e biscoitos. Acabou-se o que era doce. Doce e salgado. Com a correria do dia a dia, mesmo nas cidades mais calmas, a dona de casa quer mais é ir até a padaria da esquina e comprar tudo prontinho, pãozinho de sal, leite pasteurizado e iogurte com frutas.

Estão errados? Tão nada! Só pensa que eles tão errados, quem vai visitar e fica louco achando que vai encontrar a mesa de café da manhã ou de jantar, com tudo que comia na infância e ainda guarda na memória cheiros e sabores.

Mas, aqui nos Alpes Franceses, nas montanhas brancas de neve, na roça organizada e com muita qualidade de vida, a coisa é diferente; ainda guardam muitos dos costumes de outrora. Mesmo com todos os supermercados, oferecendo milhões de alimentos, com uma infinidade de variedades, cores e sabores, eles não se deixam seduzir totalmente.

Durante o verão, todos saem pra passear ao ar livre, respirar, armazenar vitamina D aproveitando o solão, e colher frutas pra fazer compotas e geléias que serão consumidas nos longos meses de inverno.

E vão também plantar e colher legumes, que comerão com o maior orgulho, apreciando e comparando a safra desse ano com a do ano passado.

É muito legal ouvir: "As framboesas esse ano não ficaram bonitas, secaram, porque o sol foi muito forte". Ou : "as myrtilles (mirtilo em Português) deram como nunca. Não conseguia dar fim naquele mundo e fiz vidros e mais vidros de compota, congelei potes e potes".

E dá-lhe a congelar caldos, legumes, sopas, tudo com produtos de cada horta caseira, de cada troca entre vizinhos e, a cada dia, sai uma coisa mais gostosa do que a outra, de uma despensa sem calefação, que mantém tudo como se fosse numa câmera fria, não deixando perder nada e todos se alimentando muito bem durante o ano todo.

E, foi com um desses potes congelados, que foi feita essa tarte/maison ( torta feita em casa) que é uma delícia de lamber os beiços. A massa é crocante e quase não leva açúcar. Não agradaria à maior parte do paladar brasileiro, que é chegadinho num doce bem duçim. Eu também sou mas, metade dessa aí, foi devorada por mim. Uma parte na sobremesa, outra no café, pontualmente servido às 4 da tarde.
Esse almoço simplesinho de meio de semana, tinha, como entrada, uma salada verde : vários tipos de alface, devidamente pincelados com um molho de mostarda de arrepiar no azedume e na gostosura.
O prato quente era esse empanado de peito de peru. A massa quebrava de tão macia. Perseguia o empanado, vagens verdinhas da horta da casa.
Depois, queijos com pão, de sobremesa e depois a torta de myrtilles. Depois fruta ou iogurte. Eu não dispenso o iogurte. Natural e sem açúcar.
Pra quem gostasse, tinha vinho e, pra mim que não bebo, suco de maçã.
Ainda chocolate suisso, comprado no país vizinho, há 1 hora daqui.

E foi tudo.
Querem saber o que comemos hoje?

Uma peixada feita por mim, com leite de coco e tudo. Como manda o figurino. E o peixe era posta de bacalhau fresco. Uma delícia!
E fez tanto sucesso quanto a torta local.

Cada qual dentro do seu quadrado e ensinando e aprendendo com o outro.
Bom dimais da conta, sô!

Ps.: brincar na neve antes do almoço, foi só pra abrir o apetite.
Como se precisasse!!!



"O mundo é um lugar que ninguém conheceu ainda pela descrição. É necessário percorrê-lo, a gente mesmo, para saber do que se trata." Philip Dormer Stanhope













quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Quando tem que ser é mesmo. Não adianta fugir, amigo.


Eu trabalhei no Iraque por muitos anos e conheci muitas pessoas. Muitas mesmo! E um dos meus melhores amigos trabalhou lá também, no mesmo período que eu e, durante dois meses, quase do lado da minha sala, e nunca o vi, nos reunimos ou nos encontramos. Gente demais trabalhando em um país estranho.Tudo era muito novo.

Voltando pro Brasil, resolvi dar um rolé pela Europa. Minha primeira passada por lá. Conhecer a velha senhora, eu e uma amiga.
Uma colega de trabalho, sabendo que passaríamos por Paris, deu-me uma carta (O que é isto? Pesquise no Google) pra entregar pra ele. Eles tinham trabalhado juntos. Além de dar notícias dela, teríamos a oportunidade de conhecer um cara legal, segundo ela.

OK. Eu recebi a carta e partimos pra nossas merecidas férias. Isso era lá pelo final de agosto.

Caminhamos e caminhamos e, esta viagem, também resultou em muitos causus que contarei noutra hora..

Chegamos a Paris. Como ficaríamos poucos dias, liguei logo pro moço. Como prometido, cheio de simpatia, ele nos convidou para jantar e dar um passeio no intervalo entre um trabalho e outro.

Estava em Paris desde que saíra do Iraque, juntando uma graninha antes de retornar ao Brasil e, talvez, o fizesse no final daquele ano ou início do próximo.
E fomos e passeamos e ele nos mostrou muitas coisas lindas que, somente aqueles que moram na terra, tem o prazer de conhecer, e me mostrou uma pracinha que era sua favorita, com um único banco de madeira, uma árvore no centro e, naquela noite, foi encomendada uma puta lua cheia que fazia gritar a alma. Esse lugar tornou-se um dos meus lugares preferidos pra mostrar aos amigos, sempre que nos encontrávamos em Paris .

Foi um encontro muito bom!

Ele me contou sobre a família em Belo Horizonte, onde moravam e não era muito longe da minha casa, na verdade, era pertinho.

Quando nos separamos, ele me deu o telefone de uma tia (usava isso na época) e me pediu pra ligar, dizendo que a gente tinha se encontrado, que tava tudo bem, essas coisas que tia adora saber... que ele tava limpinho, não tava com fome e com muita saúde.

E passamos por Portugal e Espanha antes de chegar em casa.

Bão, cheguei e fui me readaptando com a Pátria Amada Idolatrada, Salve! Salve! lentamente. Liguei pra tia do meu novo amigo, dei a notícia, ela ficou toda feliz.

Voltei a trabalhar, reencontrar com os amigos e, finalmente, retomar minha rotina.

Um dia, do nada - devia tá procurando um telefone na agenda - eu vi o nome da tia e, só Deus sabe porquê, decidi ligar pra ver se eles tinham notícias, se sabiam quando ele voltaria, quer dizer, qualquer novidade.
Um primo dele atendeu o telefone e eu perguntei. Ele me disse: "um minuto que tão tocando a campainha e pode ser que seja ele".
Dois segundo depois, meu amigo pega o telefone e já vai perguntando: "Uai! como você sabia que eu tava chegando?" Eu disse: "chegando como?" E ele: "acabo de chegar do aeroporto nesse minuto".

E nunca mais nos separamos.
"Um amigo alegre numa viagem é quase tão útil quanto um veículo." Públio Siro

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Vendendo o peixe pelo mesmo preço que paguei
















A gente pensa que só nossos governantes são campeões em fazer merda. Ficamos um pouco aliviados quando descobrimos a merda dos outros, em outras terras.

Vou passar o peixe pelo mesmo preço que tô comprando.

O francês, de modo geral, não é a favor de vacina. Seja ela qual for. Até as vacinas que, no Brasil, são obrigatórias, pra crianças, aqui não são, assim, nem todos vacinam os filhos.

Com a história da Gripe A, o bicho tá pegando por aqui.

Segundo os amigos nativos, fez-se um alarde tamanho como se não fosse ficar pedra sobre pedra, quer dizer, não ia ter espaço pra enterrar tanta gente, tamanha a força com que chegaria a gripe aqui, acompanhada do inverno.

E taca o governo a comprar vacina. A Ministra da Saúde autorizou a compra de uma quantia absurda, segundo o povo. Três terços da vacina, que daria pro mundo todo, foi comprada aqui. Segundo o governo, seriam aplicadas em duas doses, só que, a segunda dose, quando fosse ser aplicada, a validade já teria ido pro brejo.

Foram encomendadas 94 milhões de doses. População da França = 65 milhões. Preço em torno de 700 milhões de euros. Estão tentando aplacar a fúria da população, negociando com os laboratórios (segundo o que ouvi, a ministra já trabalhou em um deles) a devolução da metade.

Foram gastos 350 milhões de euros em máscaras. Milhares delas, não sabem onde enfiar.

Mobilizaram postos de saúde, que ficaram às moscas ( foto acima) porque o francês tem confiança no médico que ele conhece, que o acompanha. Não se deixa vacinar por um médico de posto de saúde. Vários médicos colocaram aviso na porta do consultório dizendo: "Não dou vacina conta Gripe A".

E pra piorar ainda mais a situação, nessa época do ano, existe um surto de diarréia. Comum como uma gripe de inverno. E ele veio brabo, pior do que a gripe tão esperada.

Daí, que tirei a charge da Ministra da Saude, dizendo que já encomendou 94 milhões ( mesmo número da vacina ) de papel higiênico. A tradução literal fica meio danada de fazer. Deduzam vocês.

Tudo que estou repassando, li nos jornais locais Liberátion, Figaro, le Monde. No Le Monde de 04 de janeiro, tem uma reportagem com todos os valores gastos pra essa GripeA.

Em torno de 2 bilhões de euros.

E continua a confusão. Segundo o povo, isso é uma pouca-vergonha. Briga de interesses de laboratórios. Li vários comentários de muitos leitores, mostrando o que é usado como verba pra várias doenças, como o câncer por exemplo e nem chega aos pés do que foi gasto com a gripe.
Li, também, que estão tentando negociar o repasse do encalhe pros países pobres. Se a merda já tá feita, eu acho que, o mínimo que poderiam fazer pra melhorar a situação, seria doar.

Enfim, eles que são brancos....mas aqui como aí, o bicho pega sempre onde?

No bolso do povo, é claro!

" Ao redor dos quatro pontos cardiais desdobram-se como bandeiras as ruas, oxalá meus versos erguidos tremulem essas bandeiras." Jorge Luis Borges.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Hoje Favela Chic, ontem, não tão chic assim...









































Conversando com um grande amigo francês, falávamos sobre as favelas brasileiras e ele começou a me contar das favelas parisienses.
Com o término da Segunda Guerra Mundial, as pessoas do campo começaram a vir pra cidade. E, junto com elas, um mundo de imigrantes portugueses (que hoje é a maior imigração na França), espanhóis, árabes... Uma verdadeira invasão.

Como os nossos imigrantes de vários cantos do Brasil, vieram e foram ficando e se acomodando em torno da cidade já que, conseguir trabalho e moradia, não era tão simples como eles imaginavam.

A maioria dos homens, como eram camponeses fortes, faziam o trabalho mais pesado como carregar e descarregar sacos em lojas, padarias e feiras. Muitos se tornaram motoristas de táxi.

Em Paris, onde se encontra hoje La Défense - o centro financeiro, comercial e dos homens de negócio, o Wall Street francês - já foi uma favela. E não tem muito tempo.

Como se pode ver nas fotos que encontrei, ainda nos anos setenta, elas estavam lá.

Foram construindo prédios e mais prédios e eles foram empurrando as pessoas das favelas - que aqui se chama "bidonville" - pra mais longe, pra trás do Grande Arco.

Esse Arco é uma homenagem ao Arco do Triunfo - em versão moderna - e, olhando de frente pra avenida, ao longe, veremos o Arco antigo e, espichando a vista mais e mais, até chegar no Louvre e, mais ainda - agora já de binóculo - até chegar na Praça da Bastille. Tudo uma reta enorme, que muda de nome umas 3 ou 4 vezes.

O centro financeiro começou a ser construído no final da década de 50. E, como o povo começou a ser empurrado, o partido comunista - que tinha uma grande força na época - colocou a boca no trombone; fizeram tanto barulho, que os construtores da época, muito espertinhos e doidinhos pra embolsar mais e mais francos, ouviram e tiveram a brilhante idéia de construir prédios, como os nossos conjuntos habitacionais, e o povo teve onde ir morar com mais conforto e dignidade.

Em 1966, um levantamento social dá os seguinte resultados: "Paris e seus subúrbios - com 119 favelas - inclui cerca de 4.100 famílias compostas de 47.000 pessoas (42% de norte-africanos, 21% portugueses, 6% espanhóis e 20% franceses). Só na favela de Nanterre ( hoje La Défense) 80% da população era francesa."
Só a partir de 1970, o governo realmente começou a tomar providências e elas desapareceram.
Com o tempo, as coisas foram mudando e, hoje, já não é a mesma maravilha de outrora. A turma de primeiros moradores já passou dessa pra uma melhor e, quem foi se apossando, foi transformando esses prédio em verdadeiras favelas verticais. Em sua grande maioria, são habitados por imigrantes, principalmente árabes.


O que esse Blog tem a ver com isso?
Além de ser um assunto que acho curioso, de repente você vem passear por estas bandas e vai passar por lugares, hoje super elegantes, e saberá que, há algum tempo, poderia estar passeando em qualquer Rocinha ou Complexo do Alemão aí no Brasil.

Isso quer dizer que, lugar algum nasceu lindo e rico. Foi às custas de muito trabalho e muita luta. Como no post que falei sobre inundação em Paris. Meu lado cheio de esperança que, felizmente imagino deve morrer junto comigo, sempre pensa que ainda podemos esperar uma vida bem melhor pro nosso povo.

" Conhecer lugares onde se escreveu a história é uma enorme fonte de prazer."

sábado, 30 de janeiro de 2010

TV - Aí, como aqui, não muda nada ! Ruinzinha mesmo !!


Fico impressionada com a tal globalização. Na televisão, então, é o cão-chupando-manga-verde-atrás-da-porta. Tudo igualzim. Não muda nada. As merdas são as mesmas.

Nós, no Brasil, ainda damos o azar de ter que engolir um sapo a mais, que são os programas religiosos. Pra não caçar confusão com nenhuma das religiões, na TV a coisa é feia. Reza e pregação dia e noite que nem o próprio Cristo aguenta mais.

Aqui na França, vejo TV rarissimamente. Assisti um pouco hoje, pra falar pra alguns interessados que me pediram.

Na parte da manhã, além dos jornais tipo os nossos e programas direcionados a donas de casa, a partir de umas dez horas, começam os programas de prêmios, sorteios, perguntas, jogos entre casais, cante a música que tá tocando e continue a cantar depois que ela parár, adivinhe o preço dos eletrodomésticos ou qualquer outro produto ... Já viu esse filme também, não viu? OK.

Depois vem jornal de novo, com as mesmas notícias que foram dadas pela manha. Tal e qual no Brasil.
E, aí, voltam os programas de prêmios. E sempre com platéia ! Ah! Tem uma diferença da nossa platéia.

Por exemplo, nos Gugus, Gimenezes e Faustãos da vida, nas primeiras fileiras só tem gatinhas; saias curtas, pernões, cabelões...

Aqui, nada disso. A grande maioria que frequenta, pelo que vejo e imagino, são pessoas aposentadas ou encostadas pelo INSS local; a mais novinha e mais gatinha tem em torno de sessenta aninhos. Às vezes tem bastante dentes.

No finalzinho da tarde, tem todo santo dia, inclusive sábado, um tal de "Questão pra um Campeão". Desde a primeira vez que vim aqui, eu vejo e já era velho de casa. O mesmo mané que apresenta.
Perguntas culturais e a famosa frase pra terminar, pro ganhador do dia: "Casca fora ou continua?"

À noite tem o jornal das oito horas, que na TV francesa - a não ser que um Haiti quase suma do mapa - só dá notícias locais e regionais, quiném MG ou RJ-TV.

E depois, não tem novela. Lá vem um filme que só Deus sabe de onde saiu, algum musical com cenário de nossa TV dos anos 60 e todo mundo pega um livro e vai ler, pra não emburrecer mais que a dose diária necessária.

Em tempo : tô falando de canais convencionais, que é o que a grande maioria tem acesso.
" Embora tenha estado cem vezes em um lugar, chegar de novo é fazê-lo pela primeira vez. Some-o apenas quando voltar." Mercedes Sáenz

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Antes que o cigarro se apague de vez.


Numa de minhas moradas em NY, trabalhei com uma senhora judia - pra variar (elas me perseguem, por sorte minha) , muito engraçada e nos demos muito bem.

Ela morava sozinha, tava doente com um câncer de pulmão e fumava quiném uma chaminé o dia todo. O médico nem sonhava em pedir pra ela parár porque, a essa altura do campeonato, a merda já tava feita e de nada adiantaria.

Eu não tinha praticamente nada a fazer, senão companhia a ela, comprar cigarros, buscar a correspondência na caixa de correio, comprar uma coisa ou outra no supermercado, atender ao telefone - que hoje já é difícil, na época então, era um horror - mas ela fazia questão, pra ver se meu inglês alavancava.

Ligavam sempre as mesmas amigas e o único filho. E sempre era a mesma ladainha.

Eu dizia alô, a pessoa cumprimentava, perguntava se tava tudo bem, se minha patroa tava bem e eu respondia que sim e levava uma bronca dela na hora : "Como você diz que tô bem? " E eu dizia : "Mas você está, estamos lendo jornal, conversando, você não tá com dor..." E ela : "Mas tô doente." E eu: "mas ainda não morreu" e passava o telefone pra ela.

Outra briga era que a gente ficava conversando e ela contava casos e, por coincidência, quando eu tinha noção do assunto, ia entendendo aos trancos e barrancos, mas entendia e a conversa fluía.

Mas tinha dia que era uma peleja. Ela falava, falava, eu não entendia nada e ela dizia: "Como pode num dia você entender uma língua e no outro não?" Jamais ela saberá o porquê. Quem tá aprendendo qualquer língua conhece esse filme muito bem.
Ela explicava de novo, eu não entendia de novo, ela enchia o saco e dizia: "Forget it" (esquece).

Aí vem o causu do correio. Toda manhã, lá pelas dez horas, passava o carteiro e ela dizia: "Por favor, vá ver se tem correspondência (Mail please)." E lá ia eu. Sempre tinha um monte de propaganda, folhetos que vendiam até a mãe mas, carta ou coisa que interessasse mesmo, nada.

Eu levava a papelada pra ela.

Na maior cerimônia, como se tivesse abrindo uma carta com as assinaturas do acordo de paz entre palestinos e judeus, ela se sentava, colocava tudo em cima da mesa e começava: abria, lia , rasgava ou amassava, me entregava e dizia: "garbage." (lixo)

Esse causu vai pro meu grande e querido amigo Marcelíssimo - professor de inglês dos mais phodões - que adora contar pra todo mundo (o filho de uma que ronca e fuça) que morei nos EUA por anos e anos e só aprendi três palavras: Mail, Garbage e Forget it.

Minha amiga morreu sozinha numa noite de inverno, o porteiro passou a noite na porta do apartamento, como combinado, viu entreaberta a porta, como de costume (ela tinha medo de ficar com a porta fechada, precisar de ajuda e ninguém conseguir entrar). Ele entrou pra ver se tava tudo bem e tava.

Ela tava deitada tranquila, quietinha, Mortinha da Silva.

Quando eu cheguei, já tinham levado o corpo, a casa tava aberta, entrei, peguei umas coisas minhas e saí a procura de outra patroa.

"Aprovisiono luz de lua para esta viagem de um milhão de milhas. "Saikaku

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Millôr...visto de longe do Brasil, fica melhor ainda

Histórias e causus da região ôncôtô








Já traduzindo pra quem não é conhecedor do vocabulário mineiro, "ôncôtô " quer dizer, "onde que eu estou".

Estou na região de Savoie-Alpes Franceses, leste da França.

Região de estações de esqui, perto de Megève, Chamonix, Flumet, Albertville, Mont Blanc... de uma beleza sem fim, tanto no inverno quanto no verão.

Quando se vem pra essas bandas por pouco tempo, tipo um ou duas semanas pra esquiar ou passear no verão, não dá tempo de conhecer as histórias e viver realmente o dia-a-dia do povo, como eu tenho a sorte de viver há muitos anos. Venho e planto por 1 ou 2 meses sem a menor cerimônia; e ainda me convidam pra voltar. Povo mais hospitaleiro, impossível, e mineira mais folgada também!

Então, estando aqui agora, me lembrei de uma história, um causu interessante ouvido de outras pequenas visitas...rs. E contarei outros. Tem um monte.

Quando andamos pelas ótimas estradas francesas, mesmo as secundárias, com todo o conforto e segurança possíveis, não imaginamos que, há pouco mais de 60 anos, isso aqui era uma região bem diferente, com todas as dificuldades como qualquer interiorzão do nosso país.

Sem estradas, só caminhos, muita região sem luz elétrica, sem calefação decente no inverno, sem socorro imediato em caso de avalanche ou mesmo de um problema de saúde.

Pensamos que tudo sempre foi lindo como uma figura de folhinha de antigamente, com a neve branquinha e vaquinhas procurando um verdinho no meio de tanta neve e com sineta no pescoço.

As vacas continuam ... e com as sinetas.

É uma região de criação de vacas leiteiras, região do queijo Reblochon que é uma delícia das delícias derretido no forno, com batatas. Especialidade do lugar.

Então, o povo que morava nas montanhas, nos cafundós mais altos, de acesso mais difícil impossivel, quando ia chegando o inverno, armazenava o mais que podia, tudo, tudo que ia precisar pra se alimentar e viver durante os longos meses por vir.

E ficavam durante meses todos juntos, um aproveitando o calor do outro, bichos e homens, dentro de casa, literalmente.

Aí é que entra a história que, pra mim, quer dizer, pra nós que não sabemos o que vem a ser 2 metros de neve cobrindo a porta por meses seguidos, jamais poderíamos imaginar.

Se, por um azar do destino, os caminhos estivessem totalmente tomados pela neve, não tinha santo que levasse um médico a estes lugares, então, quando alguém dava o azar de ter um problema sério, era rezar pra não morrer, porque, se viesse a morrer, sabe o que faziam com o corpo? Colocavam no teto da casa. Imagine um familiar no teto? Mortinho da Silva esperando o inverno passar?

E lá ficava a vítima esperando a poeira baixar, quer dizer, a neve derreter pra ter um enterro decente.
E quem quiser que conte outra...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Mais uma da polonesa ! Da série : "Acredite se quiser"


E eis que estou em Paris trabalhando e, minha querida amiga filha da polonesa, me liga pedindo ajuda.

" Mamãe vai operar e preciso que você venha ficar com ela, por favor. Nao sei o quê fazer numa hora assim. "

OK! Pedi uma licença no meu trabalho ... "um minutim que vou ali e volto já" ... e lá fui eu.

Cheguei no final da manhã, direto pro Hospital, e já tinha terminado a cirurgia. Esperamos um pouco e ela veio pro quarto. Lá pelas 2 horas da tarde, ela se sentou na cama, como se nada tivesse acontecido, e pediu seu crochê.

Claro que entreguei e ela começou a tricotar como se nada tivesse acontecido mesmo. Uma cirurgia de câncer no reto e ela nem tchum! Acredite quem quiser, mas juro que foi assim. Perguntei se ela se sentia bem, se tinha alguma dor, algum incômodo e ela: "Nao, nenhum, por que?"

"Por nada, respondi."
Mais tarde, aconteceu uma das situações mais engraçadas do mundo.

A filha dela (a mesma que não conseguiu fazer com que ela doasse os casaquinhos de lã, lembram ?) foi tentar explicar a ela como seria dali por diante. Toda paciente, ela disse: " Mamãe, de agora em diante, a senhora não vai mais precisar ir ao banheiro pra fazer cocô. A senhora vai usar uma bolsa." E ela, com a maior cara de espanto: "Bolsa? Que bolsa? Pra que me comprar uma bolsa se nem saio mais de casa?"

Eu dei um ataque de riso sozinha porque, minha amiga não achou a menor graça. Pra ela, era muito importante, comunicar à mãe, a nova situação.

Quando consegui me acalmar, eu disse: "Nem se preocupe com isso, ela vai demorar um ano pra se dar conta que não faz mais cocô e nem vai estar preocupada em saber qual o caminho que tomou, o que ela comeu. Tá nem aí. Vai ter uma enfermeira, que virá diariamente trocar a bolsa, dar banho (se conseguir.) Deixe a vida rolar. Quando ela perguntar, a gente responde."

Muito a contra-gosto, ela aceitou e correu o tempo.

Fiquei com ela mais uns dias, ela voltou pra casa toda contente e nem sinal de dar notícia da tal bolsa.

Voltei pra Paris e, um belo dia, a moça que ficou tomando conta dela me ligou e disse: -"Você tem bola de cristal?" -"Eu? Por que?" -" Porque, hoje, madame a polonesa, passou a mão na barriga, sentiu uma coisa estranha, levantou a saia e eu achando que ela tava fazendo reconhecimento do terreno, só fiquei olhando."

No que ela viu aquela coisa esquisita grudada nela, pensou alto: "Que porra é essa aqui?"

Dizendo isso, arrancou a tal bolsa de uma só vez, jogou longe e só foi merda que voou pra todo lado.
Ela só me ligou depois de ter passado uma hora limpando a peleja por toda a sala e, depois de ter consumido todo o Pinho Sol de Cannes.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Programação normal e o melhor da viagem




Bom, chegou o dia da viagem.



Uma coisa legal pra se fazer, nos dias de hoje, com tantas mudanças - tanto das companhias aéreas como climáticas - é consultar o site da Infraero pra saber se seu voo tá na hora, sem atraso, se tá tudo normal...

http://www.infraero.com.br/

Você vai procurar à esquerda da página, no alto, Voos on line. Aí, você dará as informações pedidas pra Chegadas ou Partidas.

Mais uma conferida na bolsa de mão: documentos, grana, cartões ...

Se vai de táxi pro aeroporto, vale, também, conferir a reserva já feita antes. Nada de surpresas inconvenientes nessa hora.

No aeroporto, não fui investigada nem revistada hora nenhuma; nem em BH nem no Rio. Em BH, a única diferença foi perguntarem onde eu ia ficar em Paris, com endereço e tudo. Escrevi o endereço num papel, mas nada foi feito com ele, nao anotaram nada. Me pediram pra ver o bilhete de volta e, como não tinha imprimido, pedi pra olharem no computador mas, ficou por isso mesmo, ninguém olhou.


Como preví, a chuvarada no Rio atrasou meu voo e só saimos de BH quase 10 da noite. Se eu tivesse deixado pra comprar alguma coisa no Rio, teria me ferrado. Foi a conta de sair de um avião e cair no outro (já falei sobre isso em outro post. Deixar pra fazer compras no Free Shop pode ser uma roubada).
Voo tranquilo, serviço bem legal da TAM, atendimento e rango, pessoal de bordo muito gentil.

Chegando em Paris, tinha vários policiais bem na saída do avião, olhando o passaporte de todos e mandando alguns ficarem de lado, sei lá porquê. Não acho que seja todo dia, imagino que estavam procurando alguém em especial. Tinha um mané com um papel na mão e olhava pro papel e olhava pro povo tipo "cara crachá". Sei lá quem estavam procurando.

A novidade em Roissy eram várias portas, ao longo dos corredores do aeroporto, como as portas de banco; redondas e com travas. A cada 40 metros, no máximo, tinha uma. E as pessoas tem que esperar pra passar. Achei interessante porque, havendo qualquer problema, bloqueando as portas, ninguém entra ninguém sai.
Ninguém se deu ao trabalho de olhar minhas malas, nem as malas de outras pessoas. Não estava carregando nada comprometedor, mas, minhas malas, eram um verdadeiro supermercado, uma delas, principalmente, de chocolate a doce de leite, de pão-de-queijo em pó a caldo Knor, de guaraná a azeite de dendê. Como diz uma amiga minha "o povo vai pro primeiro mundo, mas não vive sem as coisas do terceiro"...rs.
Amigos me esperando no aeroporto, sorrisos, abraços, raclete na chegada... Só alegria.
Hoje, já saí cedinho de Paris e estou agora nos Alpes Franceses. Objetivo da viagem: vim visitar uma grande amiga. Começo a falar essa semana sobre o lugar onde me encontro. Lindo e perto de Megeve, Chamonix. E uma estação de esqui.
Espero, também, já estar controlando melhor meu noutibuki porque, teclado francês sem acento, fica difícil de rolar.

No mais, Paris com aquele tempo normal da estação, nublado e chuvinha fina, 4 graus quando cheguei à tarde. Bem boa a temperatura!

Ainda estou meio tonta e não sei se tá tendo nexo o que escrevo. Vocês me ajudem na compreensão.
Por melhor que seja a viagem, sair de 30 graus e cair na neve, deixa qualquer um tontim, tontim.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Um pouco de paciência que tô voltando


Amanhã, domingo, me organizo pra voltar a postar normalmente. Acabei de chegar em Paris.

Beijos pra todos e até segunda, contando as novidades dos aeroportos.

Quer casar comigo? Eu quero me casar com sua poesia.



Ferreira Gullar

A VIDA BATE


Não se trata do poema e, sim, do homem e sua vida - a mentida, a ferida, a consentida vida já ganha e já perdida e ganha outra vez. Não se trata do poema e, sim, da fome de vida, o sôfrego pulsar entre constelações e embrulhos, entre engulhos.



Alguns viajam, vão a Nova York, a Santiago do Chile. Outros ficam mesmo na Rua da Alfândega, detrás de balcões e de guichês.
Todos te buscam, facho de vida, escuro e claro, que é mais que a água na grama, que o banho no mar, que o beijo na boca, mais que a paixão na cama.
Todos te buscam e só alguns te acham.
Alguns te acham e te perdem.
Outros te acham e não te reconhecem e há os que se perdem por te achar, ó desatino, ó verdade, ó fome de vida!
O amor é difícil, mas pode luzir em qualquer ponto da cidade.
E estamos na cidade sob as nuvens e entre as águas azuis.
A cidade.
Vista do alto ela é fabril e imaginária, se entrega inteira como se estivesse pronta.
Vista do alto, com seus bairros e ruas e avenidas, a cidade é o refúgio do homem, pertence a todos e a ninguém.
Mas vista de perto, revela o seu túrbido presente, sua carnadura de pânico: as pessoas que vão e vêm que entram e saem, que passam sem rir, sem falar, entre apitos e gases.
Ah, o escuro sangue urbano movido a juros.
São pessoas que passam sem falar e estão cheias de vozes e ruínas .
És Antônio?
És Francisco?
És Mariana?
Onde escondeste o verde clarão dos dias?
Onde escondeste a vida que em teu olhar se apaga mal se acende?
E passamos carregados de flores sufocadas.
Mas, dentro, no coração, eu sei, a vida bate.
Subterraneamente, a vida bate.
Em Caracas, no Harlem, em Nova Delhi, sob as penas da lei, em teu pulso, a vida bate.
E é essa clandestina esperança misturada ao sal do mar que me sustenta esta tarde debruçado à janela de meu quarto em Ipanema na América Latina.

"Quem costuma viajar sabe que sempre é necessário partir novamente um dia." Paulo Coelho

NATAL 2025 DE NOSSA PREMAMETTASCHOOL

Como estou sem computador, as postagens nao ficam boas.  Postei com celular mesmo, só pra dividir com todos minha alegria e o grande resulta...