quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Quem? Sei não, mas deve ser muito importante!



Sempre que cheguei em algum país fui muito bem recebida e a frase que sempre ouvia era: "daqui a pouco você vai estar ajudando outra pessoa". Era batata!

Desta vez chegou um mineiro como eu. Sabe daqueles que ouviu o galo cantar mas não tem idéia de onde? Vários chegaram a Paris assim, desinformados total, durante os anos que lá morei.

Este era um doce de pessoa. Daqueles que a gente sente que vai romper na vida. E rompeu mesmo ! Educadíssimo, simpático, gentil, tranquilo. Tudo pra dar certo lá fora.

Só tinha um probleminha : não tinha idéia de onde estava caindo. Não sabia nada, nadinha sobre França e franceses. Quem vai dar uma ajuda pro moço??? Quem ?? Eu.

E lá fui ! Saía todo dia com ele pra mostrar alguma coisa. Carregava comigo quando ia pro meu trabalho pra ele ir se familiarizando com a cidade, ligava eu pra todos os anúncios de trabalho e ia com ele pra me entender com o futuro patrão. Ele ficava só observando. Quiném surdo-mudo.

Deste querido amigo, tem vários micos ótimos. Hoje vou contar só um.

Eu tinha lido em algum lugar, que a melhor forma de aprender uma língua é com namorado ou em bar. Pensando bem, tem fundamento. Em bar, os assuntos são os mais variados possíveis, pessoas com todos os sotaques do mundo e, namorado, a gente aprende porque tá a fim de se comunicar com a figura. Normal.

Sugeri que ele começasse a frequentar bares enquanto eu ralava ou à noite. Foi dar banana pra macaco. Pinto no lixo era pouco pro tanto que deu certo.

Ele saía a noite e só voltava pela manhã. Ai, a linguagem do amor... pra que palavras?

Então, toda manhã, eu fazia a pergunta clássica, pra saber por onde ele tinha estado, pra ver o caminho se já conhecia. Perguntava qual era a estação de metrô e fim. Em Paris todas as referências caem na estação de metrô.

Um belo dia, ele chegou e já foi falando, antes que eu perguntasse, todo saliente: "Hoje dormi perto da casa de alguém muito famoso ou importante, sei lá." Eu: "quem?" "Não me lembro, mas era uma região cheia de guardas, policiamento."

Perguntei: "Palácio do governo? Elisée?" "Não". "Prefeitura de Paris?" Ele : "Não." Futuca daqui, futuca dali e achei que tinha descoberto. Disse: "Por acaso não foi perto da casa do Miterrand?" E ele, mais do que depressa: "Esse mesmo...esse aí...esse cara." Até esfriei. Perguntei pra ele: "Pelo amor de Deus, você não falou pro seu companheiro que não conhecia o vizinho dele, falou? " Ele: "Acho que não, por que?"

"Porque o Sr. Miterrand é só o Presidente da República da França, ô seu animal !!! Anta!"

"Jura?"

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