domingo, 31 de julho de 2011

A sabedoria e a experiência dos simples




Não me lembro quem foi que  me apresentou pro Zé. Não me lembro qual foi o primeiro trabalho que ele fez pra mim. Só sei que foi antes deu me mudar pra casa onde moro.  Nos anos 80 do século passado. E desde então, qualquer problema que tenho eu ligo pra ele e ele vem me socorrer. Vem no mesmo minuto? Claro que não! Marca, não vem, marca, não vem, ligo, brigo com ele, ele pede desculpas, diz pra eu não brigar com ele que sem falta vai passar à tarde, e não passa à tarde, e ligo de novo, e sem falta amanhã cedo eu passo, e não passa e eu ligo e chamo ele de filho de uma puta sem palavra, aí ele chega. Com aquela cara de menino que fez coisa errada, então não brigo mais, minha raiva vai embora. É sempre assim.
E você pode se espantar se  eu lhe disser que recomendo o trabalho do Zé. Pois é. Recomendo sim. Ele vai fazer um serviço direitinho, ele mesmo vai lá no raio que o parta comprar o que precisa, escolhe um lugar mais em conta, trás as notas direitinho e você pode deixar ele na sua casa sozinho e sumir no mundo,  que quando chegar vai estar tudo pronto e ele te esperando tranquilo pra você fechar a porta quando ele sair.
Já não se faz mais Zés como antigamente. Este é um dos últimos. Sempre tô passando pra ele umas coisas, roupas, móveis, pergunto se ele quer e ele sempre quer. E o mais bonitinho. Sempre que vem aqui se lembra das coisas e diz:
- Lembra desta camisa? Você que me deu. Lembra desta caixa de ferramentas?
E por aí vai.
Esta semana deu defeito aqui em casa numa descarga e em duas torneiras.
Depois de chamar o Zé de fdp, ele chegou, consertou, colocou luz na cozinha, e tudo ficou lindo, claro e arrumadinho. Então  me lembrei de dizer pra ele, que tava com receio que o meu varal caísse, porque ele já colocou há não sei quantos anos e só troca as cordas quando ficam gastas.
- Zé olhe se estes ganchos do varal estão firmes. Tô cismada que quando for puxar pra subir,  essa porra vai cair na minha cabeça.
- Cai não. Isso não cai assim não. Tá seguro.
- Mas Zé,  se cai o varal na minha cabeça, com o peso das roupas posso até morrer.
- Isso é quiném carro. Já viu carro furar os quatro pneus de uma vez? Não acontece. Se cair, cai um, despenca,  você só leva um susto, me chama que eu arrumo.
Calei, agradeci, paguei e ele foi embora comendo os chocolates que dei. Todo feliz.
E eu fiquei só pensando nas sábias palavras do Zé.
- Já viu carro furar os quatro pneus de uma vez?
Quem pergunta quer resposta. E boa quiném essa,  tem tempos que não ouço.
Se alguém quiser o telefone do Zé é só me mandar um imeio que repasso. Vai conhecer uma peça rara. Rara não. Raríssima!

6 comentários:

  1. eu quero o telefone do zé! a senhorita tem o meu email!

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  2. Já foi meu bem...vcs vão se dar muito bem...terei mais histórias pra contar...rs
    bjos bjos

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  3. Este é o Zé que está faltando na minha vida. Mandei o email pra você.
    beijos
    Mariana

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  4. Lá foi Mariana...pontualidade não é o forte do Zé, mas trabalho bom e preço honesto é com ele mesmo.
    bjins

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  5. Amaaada minha, ele arruma de um tudo??? Marcenaria tb? As portas dos armários tão caindo (dobradiças)uma de cada vez rsrs. Manda pr'eu esse fdp que já não se fazem mais como antigamente...E dos modernos tôfora!!!
    Beijuuss n.a.
    P.S: recebi os outros imeios com as notícias (oncológicas) todas. Brigadim

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  6. Mais uma querendo o tel do Zé...agora que o bicho vai pegar mesmo. Paciência garotas com ele. No final tudo dá certo. Esqueci de dizer. Se o caso for de urgência urgentíssima ele vem em dez minutos. Ele é um faz tudo, mas pergunte pra ele Regis.
    bjina amiga

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