quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

As pedrinhas dos escravos de Jó rodando mundo


A primeira vez que saí do Brasil pra trabalhar lá fora foi em 1979. Século passado, mas parece que faz muito mais tempo do que 33 anos. Tanta coisa aconteceu neste tempo! Quanta mudança neste mundão de Deus. Mudança pra melhor, várias, e mudança pra pior também. Mas esta não é a discussão de hoje.
Vendo TV, e pelo que tenho lido e vivido ultimamente, a dança da imigração tem mudado de música.
Na década de 80 e 90 a música que reinava era a americana, inglesa, francesa e alemã. Hoje a diversidade toma conta. As pedras do antigo joguinho de crianças estão girando por terras nunca dantes pensadas.
Quando em 1980 eu iria pensar que nossas fronteiras iriam ser invadidas por povos de outros países muito mais ricos e cheios de futuro que o nosso, como americanos, ingleses, japoneses, fora toda a turma da América Latina?
Quando eu iria sonhar que cada amigo meu que chega hoje da Europa ou dos EUA, voltando agora pra ficar, fosse dar notícia de que muitos outros estavam no mesmo vôo, e com a mesma intenção? Aviões cheios de brasileiros que estavam na Espanha, França, EUA e vários outros países, agora lotam os aviões pro vôo de volta à Pátria Amada Idolatrada.
Salve! Salve!
Bendita volta!
Foi bom ter ido? Imagino que na maioria dos casos foi sim. Pra mim foi ótimo! É bom voltar? Pra grande maioria vai ser sim. Eu sempre estimulo os amigos a voltar. Quando ficamos muito tempo fora, ficamos com medo da volta. E eu animo a todos dizendo, que você não tá indo pra um país que não conhece. Tanto, que tá voltando. Voltando para casa, para junto dos seus. Para sua terra, para o seu povo. Não temos que ter medo . Da mesma forma que lutamos pra nos adaptar lá fora, a adaptação aqui vai ser lenta pra alguns, mas sempre feliz.
Mesmo agora quando a grana começou a diminuir lá fora, as chances de emprego se escasseando, se alguém me pergunta o que eu acho de partir, eu sempre dou a maior força. Força pra partir e pra retornar. Partindo temos a grande oportunidade de aprender muito. Conhecer outra cultura é a melhor forma de valorizarmos a nossa e de trazermos idéias e maneiras melhores de viver. Não esquecendo que deixamos também pra eles muito do bom que levamos conosco. Todos saem ganhando.
A ciranda e os escravos de Jó sempre vão existir e continuar com sua dança. O que sinto é que daqui pra frente, nós, brasileiros, vamos sair mais pra aprender, crescer, conhecer; e não somente pra ralar, sofrer humilhação por estar vindo de um país de terceiro mundo querendo sugar riqueza. Simplesmente querendo trocar.
Temos muito que aprender e mais ainda temos pra ofertar.

E como já cantava o meu amor Gonzaguinha, em Por aí...

"Muito que andar por aí

Muito que viver por aí
       Muito que aprender por aí
        Muito que aprontar por aí"

2 comentários:

  1. Ieda,é verdade, de lá pra cá o mundo deu uma guinada de 360graus!! Naquela época nem tínhamos a Internet que por si só já revoluciona tudo e todos. Hoje como vc disse, milhares estão voltando, outros estão imigrando pra cá, e acredito que vai precisar de outra guinada de 360graus pra contemplar todas nossas aspirações de melhor viver, que é no fundo o que queremos. Apesar que tem áquela turma que vai onde o "$$$" (oportunidade,rsrs) está, com um bom "QI" ela só vai no filé , mas a grande maioria não, sofre quando parte e mais ainda sofre se tem que voltar pra recomeçar tudo do zero novamente, não deve ser fácil!!!

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  2. Mas poder ir e vir ainda continua a ser muito bom, né Wilma?
    bjins

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