quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Grande Gullar, meu ídolo, poeta do povo!


O medo que estou sentindo, tá se espalhando. Melhor abrirmos, verdadeiramente, os olhos e os ouvidos pra o que está se passando em nossa terra. Olho nos nossos governantes!


RETROCESSO À VISTA
Ferreira Gullar

"O FIM DA utopia marxista, que apostava na derrota do capitalismo, deu lugar, na América Latina, ao neopopulismo que, fazendo-se passar por socialista, explora, em vez da contradição "classe operária x burguesia", a oposição entre pobres e ricos.
Se, no caso anterior, os sindicatos tentavam ser um instrumento de organização e mobilização do operariado para a tomada revolucionária do poder, agora constituem uma burocracia de neopelegos, que passaram a ocupar posições estratégicas no aparelho de Estado e na máquina política. Assim, pressionam o governo e os patrões para que façam pequenas concessões aos trabalhadores, com a condição de mantê-los quietos, enquanto eles, os neopelegos, enriquecem a se fortalecem politicamente.
A ascensão de Lula à Presidência da República foi resultado desse jogo e, ao mesmo tempo, um salto qualitativo para a elite sindicalista. As consequências disso para a democracia brasileira podem ser as mais desastrosas, como procurou mostrar Fernando Henrique Cardoso, num artigo recente, intitulado "Para onde vamos?".
O neopopulismo nada tem de revolucionário, como alardeia Hugo Chávez, travestido de líder esquerdista, mas que, na verdade, procura se perpetuar no poder usando o voto cativo dos pobres e miseráveis. Sustentado pelos vultuosos rendimentos do petróleo, mantém programas sociais assistencialistas, que lhe garantem vasta popularidade. Chavez aparece, diante do povão desinformado, como seu providencial protetor, que o defende de um lobo mau chamado Estados Unidos. Seu verdadeiro projeto é manter-se indefinidamente no poder e, para consegui-lo, fez o Congresso aprovar a reeleição ilimitada.
Lula tentou seguir o mesmo caminho, mas teve sua pretensão rejeitada numa pesquisa de opinião. Precavido, mudou de tática e terminou lançando, sem consultar ninguém de seu partido, a candidatura de Dilma como a solução possível. Invenção sua, se eleita Dilma será obrigada a fazer de Lula seu sucessor em 2014, e, assim, caso isso ocorra, teríamos mais oito anos de Lula na Presidência da República, o que somaria, no total, 20 anos de lulismo. Ou mais, muito mais, porque pode não parar aí, já que, àquela altura, as bases do neopeleguismo e do neopopulismo estariam amplamente assentadas e enraizadas em todo o país.
A ameaça é que, se já agora ele se rebela contra a ação fiscalizadora do Tribunal de Contas da União e pretende calar a imprensa, ou seja, não admite que ninguém critique ou cerceie suas decisões de governo, imaginem o que não fará durante tantos anos no poder. A História tanto anda para a frente como pode andar para trás.
O propósito de, chegado ao poder, não sair mais, faz parte da ideologia petista, como deixou claro José Dirceu, em visita a Madri, logo após a posse de Lula, em 2003, ao afirmar que o projeto deles era ficar pelo menos 20 anos no poder. Sim, porque, ao contrário dos outros partidos "burgueses", o partido que se intitula "revolucionário" alega que vem para "salvar" o povo e mudar o rumo da História. Logo, não pode se submeter às regras democráticas da alternância no poder.
Se é verdade que, a esta altura, o petismo já abriu mão do revolucionarismo, não admite perder as posições conquistadas. Lula, muito esperto, logo compreendeu que o Brasil não é a Venezuela. Sabe que, embora tenha maioria no Congresso, este jamais lhe concederia um terceiro mandato e muito menos a possibilidade de reeleição ilimitada. Por isso, adotou a tática de conseguir um mandato-tampão para Dilma, enquanto, às carreiras, procura implantar o PAC e aparecer, diante da nação, como um presidente empreendedor, que visa elevar o país à condição de "grande potência".
Assim age Chávez e assim agiu nossa ditadura militar. A fórmula é sempre aquela: inimigo dos poderosos e amigo dos pobres, defensor dos negros e mulatos, inimigo dos brancos de olhos azuis. Isso transparece, a todo momento, em suas declarações e discursos. Não faz muito tempo, falando aos catadores de lixo, criticou os "ricos" que, "deliberadamente, sujam a cidade" para que os lixeiros, humilhados por eles, a limpem.
É um presidente da República que, sem qualquer escrúpulo, faz questão de instigar ressentimentos e conflitos entre os cidadãos, jogar uns contra os outros. Isso no discurso, porque, na vida real, usa a máquina do Estado para favorecer grandes empresas nacionais e estrangeiras.
O artigo de Fernando Henrique Cardoso chamou a atenção para o perigo que o Brasil está correndo. Em vez de tentar criticá-lo, os formadores de opinião deveriam preocupar-se é com o interesse maior da sociedade. É de se esperar, também, que Serra e Aécio assumam a responsabilidade que lhes cabe diante deste perigo que o lulismo representa para o futuro democrático do País."


Deu na Folha de 24-02-2010

Mafalda querida...o meu dilema é o mesmo que o seu


















Ler ou não ler os jornais? Saber ou não saber do que tá acontecendo nesse mundão?

Eu costumo ter fases. Fase de querer ficar informada, poder participar de papos, trocar idéias com os amigos sobre as merdas do dia-a-dia.

Em outros tempos, assim que ouço o "bom dia" ou "boa noite" de um apresentador ou apresentadora de jornal, mudo a TV de canal ou mudo o rádio de estação. Passo perto de banca de revista e viro pro outro lado.

Atualmente, tô na fase de ler tudo, não tá escapando nada, ou quase, depende do tempo.

E é aí que mora o problema. A peleja. Nessa fase a irritação é frequente. A raiva, o desgosto, a impotência diante de muitos fatos, a tristeza da indiferença vivida pelas pessoas. Valha-me Deus! Dá vontade de voltar à fase avestruz.

Mas, com o blog, a coisa complica, não dá pra não participar.

Mesmo com raiva ou com desânimo por atitudes da nossa raça.

Como ficar animada com a cara e a fala pré-histórica do seusarney, com o discurso completamente incompreensível da donadilma - que o presidente insiste em nos enfiar goela abaixo - com o seulula visitando e dando apoio ao seufidel velho e caquento de guerra ? Como me animar vendo a fisionomia de desesperança no rosto da Yoani? Como ver um homem pagar 18 anos pelo crime de pensar diferente do governo do seu país e ser deixado morrer, propositalmente, por este mesmo governo, pra se ver livre de mais um gritando por liberdade ? Como ver que existem tantos hugoschavez nessa vida e ainda ser feliz ?

Falo, evidentemente, de alguns pontos que me desanimam, quando pego um jornal ou ligo o computador. Claro que tem coisa boa demais também acontecendo, mas, tirei hoje, pra falar sobre fatos que me impressionam pela falta de informação e importância dada pela própria imprensa. Falta de informar as pessoas menos favorecidas das ciladas tramadas por uma corja, "que quebra a dentadura mas não quer largar a rapadura".

Eu pensava, até um tempo atrás, que seria impossível o Brasil voltar aos tempos da ditadura.

Já não tenho mais tanta certeza. Se nós não abrirmos os olhos, a boca, as mãos, aqueles tempos, tão tenebrosos, estarão de volta.

ps.:os nomes em letra minúscula são propositais, não merecem mais que isso.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Não deixem de ler o blog da Yoani hoje



Alguns lugares que me tiraram o fôlego

Sempre me perguntam sobre o lugar, ou lugares, que mais gostei, onde voltaria, onde gostaria de ir, onde não voltaria.
É muito difícil de responder. Dei uma pequena selecionada em fotos de lugares que me deixaram com o coração acelerado ou que me fizeram perder o fôlego.


A lista é grande porque, aqueles lugares ou pessoas, que me tocaram, seriam fotos minhas e não tenho no arquivo agora. Mostrarei um dia.




Como esquecer a emoção de ver as Muralhas de Jerusalém? A cidade que, tantas vezes, foi destruída e reconstruída e não perdeu sua beleza. Ano que vem em Jerusalém. Sempre.

As Muralhas da China, uma serpente subindo e descendo montanhas. É de assustar, sua imensidão e sua imponência.

Como não ficar paralisado, ao dar de frente com a favela da Rocinha no Rio de Janeiro, Brasil. Uma cidade agarrada na mais bela cidade do mundo.

E o Cristo? Tive a felicidade de sobrevoar o Rio de helicóptero e circundar o Cristo. Foi tanta emoção, que esse passeio tenho que fazer de novo, porque o choro não me deixou ver quase nada.

Praça de São Marcos, em Veneza, na Itália. Depois de percorrer becos e ruelas, a gente dá de cara com uma praça do tamanho da cidade. Indescritível a emoção.









Ver o nascer do sol no Evereste, Nepal e, depois, sobrevoar a Cordilheira do Himalaia. Pode alguém querer mais alguma coisa da vida ?
Subir os, sei lá quantos, degraus das escadarias de Meteora, na Grécia, pra, lá de cima, ver os inúmeros mosteiros construídos nos cumes das montanhas de pedra. E depois pode morrer.









Sentar no banco de pedra da casa de Nossa Senhora, em Éfeso, na Turquia. Ainda quero fazer outra visita à casinha da mãe de todos nós.

Quando vi a Catedral de Colônia, na Alemanha, em fotos, pensei: "Vou lá". Fui, vi e me deslumbrei.
Conhecer Torres, no Rio Grande do Sul e deitar nas areias geladas de uma praia tão grande e larga, que a gente enxerga o mar lá no fim do mundo.

Dar de cara com o Coliseu, em pleno centro da cidade de Roma. Como num passe de mágica, surge aquele monstro que nos faz retornar séculos de história em questão de segundos. Uma maravilha !!














WTC - World Trade Center, NY. Quem não conheceu, não poderá mais conhecer. Em matéria de imponência e suntuosidade, as gêmeas eram campeãs. A loucura humana construiu e outra loucura desumana jogou no chão.

Nunca vou me esquecer de quando vi a Senhora Eiffel pela primeira vez. Jamais vai desaparecer aquela imagem me assombrando com sua majestade, de vários pontos onde estivesse, na segunda cidade mais bonita do mundo.







O Taj Mahal, na Índia. Já falei tanto sobre ele, que nem tenho mais como descrever sua majestade, sua grandiosidade e alva beleza. Só vendo!!


Cataratas do Iguaçu. Onde tive certeza da existência de um ser superior. Eu o chamo de amigo, Meu amigo, Deus.

Igreja de São Francisco de Assis, em Salvador, na Bahia. A beleza da arte esculpida no ouro quase nos cega. Um esplendor!


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A linguagem do amor, do carinho, da afinidade.





Me lembro da primeira vez que fui ao Nepal e saí em Kathmandu pra comprar papéis de arroz.
Pra quem não sabe, é um papel feito com a palha seca da casca do arroz, e fica muito bonito. Os nepaleses trabalham depois uma pintura em preto e dourado, com símbolos, figuras, deuses e animais. Adoro.
E descobri, perto de onde comíamos todos os dias, uma lojinha minúscula, quase um corredor e, seu proprietário, um senhor de uns 70 anos - se bem que poderia ter mais porque, com a vida tranquila daquela terra, o povo não vira um caquinho, como em lugares com mais estresse.
Entrei na lojinha e foi amor à primeira vista. Nos demos bem, desde o primeiro momento.
Me sentei no chão de terra batida, muito limpinho e frio - porque eles molham pra apagar a poeira - e por lá fiquei por quase 3 horas.
Foi um papo só. Em que língua? Em todas. Gestos, sorrisos, inglês, nepalês, afagos, chás, biscoitos, mais risos, escolha de papéis, gentileza, delicadeza, arte.
Devo ter comprado uns 300 trabalhos dele. Fez pinturas na hora pra me mostrar, esperei secar, e tome mais chá e mais conversa. Conheci sua família, sua vida, seu trabalho.
Nunca vou me esquecer do contentamento dele, quando juntei a tralha toda e paguei.
Na época, uma grana muito boa pra ele e eu paguei um preço muito inferior ao valor da sua arte. Mas era o preço. Um super encontro. Conhecer uma pessoa doce e amável e ainda comprar coisas lindas.
A minha paixão pelo país, foi também à primeira vista. E gostei tanto, que no ano seguinte eu voltei.
E chegando à cidade, pensei logo em procurar novamente meu amigo e continuar nossa prosa.
Vocês podem não acreditar, mas virei a esquina em direção à loja - que era mais ou menos no meio do quarteirão - e vi que ele estava no passeio.
Fui andando e ele se virou. Assim que me viu, abriu os braços e veio caminhando na minha direção com a carinha mais linda e feliz do mundo e me disse: "Você voltou, você voltou!"
E foi tudo muito bom novamente.

Já, no ano passado, quando voltei a Kathmandu depois de muitos anos, andei pra cima e pra baixo na ruazinha procurando por ele, perguntei, perguntei e não consegui saber pra onde ele havia ido.
Novas lojas, novas pessoas, todas muito simpáticas, gentis, mas ele não tava mais lá.
Pode ser que esteja decorando o céu com seus papéis e desenhos lindos, em preto e dourado.
E, no mínimo, já deve ser amigo de todo mundo e, inclusive, espalhado entre anjos e arcanjos, santos e querubins, o vício de tomar o delicioso chá de jasmim que ele me ensinou a tomar e a amar.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Causus que a Dona Globo não conta mais


Falei na postagem anterior, sobre como não se perder dos amigos no metrô e, o meu querido leitor JC, se lembrou das montanhas de pessoas que devem se perder nos metrôs de São Paulo todos os dias.
É verdade!
Foi, então, que me lembrei de um caso especial, que era um programa da Globo há tempos atrás, que mostrou a história de uma família de nordestinos que não se perdeu no metrô, mas se desencontrou num dos acasos mais tristes que acontecem diariamente nessa grande cidade.

Não me lembro exatamente da história, então vou contar do meu jeito.

O chefe da família veio pro sul maravilha se arrumar na vida e, quando as coisas tivessem no jeito, traria o resto do povo, mulher e filharada.
E assim foi feito.

Veio e arrumou emprego de servente de pedreiro em uma obra. E pulou de obra em obra, findou vários prédios lindos mas, ele mesmo, não tinha endereço fixo; hora ficava em casa de um amigo, hora na casa de outro, às vezes dividia um cômodo com outro, então, quando escrevia pra esposa, dava o endereço da obra do momento.

Até que as coisas melhoraram um tico, ele mandou a grana e embarcou a mulher e tralha e filho e tal - como já cantou o Chico - pro encontro tão esperado.

Na noite anterior da chegada da mulher à rodoviária de São Paulo, o marido, todo entusiasmado, deu uma ajeitada no cafofo, comprou até iogurte pra apresentar pra criançada e, se preparava pra dormir, quando passa um colega no barraco, convidando o pobre pra ir a uma festa ou pagode ou o que seja, que não me lembro mais.

Depois de muito relutar pra se livrar do amigo e não conseguir, ele pensou: "Vou, fico um pouco, espero ele se distrair, e caio fora porque não quero perder a hora amanhã".

Contando novamente com a ajuda do Chico, "mas eis que chega roda-viva e carrega o destino pra lá...."
Não é que o infeliz do amigo arranja uma confusão, se mete numa briga, ele entra pra defender, quebra daqui quebra dali, chega a polícia e vai todo mundo em cana ?
E o mané passa a noite no xilindró tentando falar com os guardas sobre o problema dele, da mulher que chega no dia seguinte, dos filhos e tudo, mas os guardas não caem no "papo do vagabundo" e nem ligam.

Pensam que acabou? O fim da história é ainda pior.

O ônibus chega à rodoviária com uma pontualidade britânica, familia Silva a bordo e o marido não tá lá.
"Bom" pensa a mulher "pode ter se atrasado" e ficam todos esperando quiném Pedro Pedreiro (Chico de novo). E esperam e esperam e menino chorando e menino com fome e mulher sem grana, aquela peleja.

Ela se cansa de esperar e resolve ir ao endereço do remetente da carta, quer dizer, ir ao prédio onde o marido trabalha.
Depois de muito caminhar, se perder e se achar (obrigada Gonzaguinha!) chegam ao local.
Um puta prédio chiquérrimo, todo cercado com grades muros e câmeras.
Com muito custo, conseguiu falar com um senhor todo uniformizado, sentadinho dentro de uma casinha cercada de vidro, que disse não conhecer o seu mané da silva, nunca ouvira falar, mas ele trabalha aqui, aqui não tem mané da silva, mas ele é ajudante de pedreiro e ajuda a fazer o prédio, mas, como a senhora pode perceber com seus próprios olhos, o prédio já tá pronto, não precisa de ajuda alguma, mas ele ficou de me encontrar na rodoviária, acabei de chegar de uma viagem de 3 dias e agora é melhor a senhora ir-se embora, porque o povo aqui não gosta de mendigos na porta, mas moço, pergunte a alguém se não conhecem meu marido, por favor saiam daqui, agora mesmo já vem alguém dizer que sou pago pra tomar conta do bem-estar dos proprietários e o que tô fazendo que ainda não me livrei não só de um mendigo, mas de uma família inteira, e cuidado com essa gente, porque se eles fincam barraca aqui na porta, nunca mais nos livramos deles, e eu não tenho pra onde ir, o senhor precisa me ajudar, tá bom por favor não precisa chamar a polícia, que já estamos indo... e... e...

E ela se foi, como se tivesse pra onde ir, como se tivesse um rumo, um destino.

E termina a história com a família sentada numa calçada, ao lado de tantas outras na imensidão de calçadas da cidade grande, pedindo esmola e a meninada já totalmente familiarizada com os sinais de trânsito e os "nãos e os sims" ouvidos durante todo o dia.


Finalizando... Fico pensando: Tudo bem que, de vez em quando, aparece uma novela um pouco interessante mas, ao invés de ficar batendo nessa tecla até o desgaste final, porque as redes de TV não aproveitam os bons profissionais que tem, pra fazer programas mais interessantes, que realmente tenham o que dizer, o que ensinar, o que divertir ? Novela e Fantástico, pra quem - como eu - gosta muito de assistir TV, já deram o que tinham que dar, há muito tempo.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Como não se perder dos amigos nos metrôs do mundo



Tem uma brincadeira que faço com meus amigos nas estações de metrô. Quando eles tão enchendo muito o saco, digo que vou dar um perdido neles, aí, finjo que entro no vagão, eles entram e eu saio, um segundo antes de fechar a porta. Pronto! Ninguém mais vai me achar naquele dia. Só à noite em casa.

Mas isso é uma brincadeira. Nunca dei perdido em ninguém, só ficou na vontade...hehehe.

Agora falando sério. Tem uma dica chiquérrima pra ninguém ficar pra trás num passeio.

Seguinte: combine com seus amigos - isso já no primeiro dia da viagem.

Em uma estação, quando o metrô chegar se, por algum motivo, alguém ficar pra trás, os que entraram no vagão devem descer na próxima estação. Desçam e estacionem no local onde vai parar o último vagão do próximo trem.

O lerdo que sobrou, pega o próximo trem entrando no último vagão. Os espertos ficam esperando por ele. Aí, então, todos se reencontrarão. Compreendido?

Pode parecer besteira, mas se não houver uma combinação, vocês só vão se reencontrar no final do dia.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Visitas ! Dois prazeres, duas alegrias : quando chegam e quando se vão.














Não é maldade, é a pura verdade!
Não existe coisa mais gratificante do que abrir a porta da minha casa pra receber um amigo, uma pessoa querida. Sentar, conversar fiado, colocar a prosa em dia, tomar um café, comer alguma coisa gostosa e rir. Rir muito, que sempre é o que mais acontece.

Moro sozinha e não consigo também pensar em uma melhor forma de morar. Então tô acostumada com minha casa por minha conta. Por isso, todos que frequentam o recinto, conhecem esse meu pensamento. Abrir a porta pra despedir é também muito bom. Tanto posso logo retomar meu dia, como também posso digerir com calma aqueles momentos ou horas ou dias que passamos juntos.

Aqui na roça francesa, onde me encontro, com um frio danado lá fora, o que mais fazemos é conversar o dia todo, comer e rir. E costurar também. Tenho feito coisas lindas. Quando o sol sai, lindo, minha amiga me empurra. "Não quer dar uma volta, tomar um sol?" E eu digo: "Tenho crédito de vitamina D pra tempo de vida que não vou viver ou mais! Carece não."

Hoje, o papo rolou sobre quando éramos crianças, coisas de criança, micos que nossos pais passaram conosco, e me lembrei de vários causus ótimos. Vou contar dois.

Primeiro eu, pra logo liquidar com o mico-mór.

Não sei porque cargas d'água, quando eu era criança, minha mãe não deixava comer mais que um ovo por dia. Mesmo que tivessemos dúzias em casa. Afinal, tinhamos galinheiro e galinhas poedeiras. Mas acho que devia ser uma idéia nutricional da época. Essas coisas que entram e saem de moda. Um dia pode, no outro mata.
Então, claro que meu sonho era me empanturrar de ovo. Bons tempos aqueles em que meu sonho se resumia em encher o meu pandeiro de ovo.... rs.
Fui convidada pra almoçar em casa de uma amiga de minha mãe. Só eu. Porque só eu, não me lembro. Devia de ter uns 7 anos.
E não é que na mesa tinha uma travessa cheia de ovos fritos, diferente da minha casa, que o ovo era colocado direto no prato de cada um...
Olhem, devo ter comido uma boa meia dúzia, por baixo. Me fartei, sem nenhuma repressão. Eita céu! Imaginem o que ela não deve ter pensado...
Muitos anos depois, já adulta, contei pra minha mãe, junto com a amiga, que não se lembrava, nem de minha pessoa almoçando com ela e muito menos dos ovos que comi, pra alívio da mamãe, que mesmo assim morreu de vergonha da cria mal criada.

O outro causu é de um grande amigo. Bom demais! O causu. . rs. Brincadeiriiiinha!

Ele era doido com broa. Adorava e sua madrinha fazia uma que era uma delícia. Criança não vai visitar madrinha porque é educado. Perigo! Ele ia por conta da broa.
E sua mãe, como toda mãe que se preze, morria de vergonha, porque ele já chegava pedindo broa. "Pode um menino mais mal-educado que esse?" Ela dizia e a madrinha ficava até orgulhosa do sucesso de seu produto.
Um dia, a mãe levando o meu amigo pra mais uma visita, deu um ultimato: "Nem sonhe em falar a palavra broa, senão te quebro de cascudo". Adotou a velha psicologia da ditadura, já que a conversa democrática não tava dando resultado. Preste atenção no que te digo: "Se abrir a boca e falar broa vai ter comigo".
O pobre foi, caminho a fora, repetindo o mantra: "Não broa, não broa, não broa".
Chegaram na casa da madrinha, bateram na porta, no que ela abriu, ele estendeu a mãozinha e disse compenetrado: "Bença broa!"

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Uma vegetariana falando sobre carne










"O homem se diferenciou verdadeiramente dos animais, quando ele aprendeu a se servir do fogo.

Os primeiros representantes da nossa espécie se alimentavam miseravelmente de frutas, folhas e raízes. Muito tempo depois, seus descendentes começaram a experimentar insetos, frutos do mar e carne, que eles comiam crua.

Assim que houve o primeiro incêndio em uma floresta e, que muitos animais morreram queimados, foi que o primeiro homem comeu carne cozida ou assada e achou uma delícia, apesar do gosto de queimado que ela devia ter.

A partir daí, o fogo se tornou uma divindade e, enquanto o homem não conseguia produzí-lo quando queria, ele virou monopólio de padres, que viraram guardiões dele.

Os fiéis levavam oferendas de animais que eram assados e comidos depois (pelos padres, claro! obs. minha)

Esses padres foram os primeiros cozinheiros e gastrônomos e, seus descendentes espirituais, têm a quem agradecer.

Traduzi esse texto, desse pequeno livro aí das fotos, editado em 1923, com suas 1107 páginas com histórias e centenas de receitas de um tudo.

Chama-se Gastronomia Prática (imagine se não fosse!) e deve pesar por baixo, de 2 a 3 kg, com sua linda capa em couro. O autor se chama Ali-Bab e a biblioteca e fotos são da minha amiga, dona da casa onde me encontro.

Essa introdução toda é pra falar do quanto a carne é importante nas refeições de qualquer povo, popular como o café.

Em qualquer lugar, o prato principal, a maior preocupação de todos, gira em torno de qual carne servir.
Vamos fazer um cardápio pra uma festa. Primeiro ítem da lista: carne. Almoço de domingo na casa da vó. Qual a preocupação? Qual vai ser a carne. A rainha da Inglaterra tá chegando. Qual carne será servida no banquete em honra da madame? O marajá da província de, sei lá de onde, na Índia, tá chegando. Santo Cristo, o homem não come carne. Comerá o que então? Essa então é clássica. Ouço direto. "Você não come carne? Come o que então?"

Trabalhei durante muitos anos em uma empresa de cozinha industrial. Qual o maior problema com o cliente? Carne. A carne não precisa ser a melhor. Ninguém exige filé ou uma picanha. O importante é que tenha carne e que seja muita. Quanto maior o pedaço ou o bife ou qual carne seja, mais feliz fica o freguês.

Observar os clientes na fila dos refeitórios, era muito engraçado. Todos espichavam o pescoço pra ver qual era a carne do dia.

E o que mais me irritava, me deixava enfurecida, era o seguinte: neguinho saindo do restaurante e outro entrando. Pergunta: "Como tá o rango hoje?" Resposta: "Tá bom demais". Conclusão: tinha a carne que ele gostava e na quantidade que ele achava justa.
Outra situação: neguinho saindo do restaurante e outro entrando. Pergunta: "Como tá o rango hoje?" Resposta: "Tá difícil de engolir". Acontece que esse filho-da-mãe que deu essa resposta, tinha enchido o pandeiro com tudo que tinha do bom e do melhor, repetido, se fartado mas, como a carne não era a preferida dele, dizia que tava ruim. Eu virava uma arara.
E como, com o passar do tempo, você já sabe de tudo que todos gostam, eu trucava na lata: "A mesma carne que você disse que tava difícil de engolir é a preferida de muitas pessoas", Mas o mal já tava feito. Depois de ouvir que não tá bom, o mané já entra com má-vontade no restaurante.
E tem aqueles imbecis que saem da fila e vão comer no raio que os parta, sem nem perguntar qual é o cardápio.

Haja paciência! quer dizer "hajava" porque a minha acabou.










NATAL 2025 DE NOSSA PREMAMETTASCHOOL

Como estou sem computador, as postagens nao ficam boas.  Postei com celular mesmo, só pra dividir com todos minha alegria e o grande resulta...