terça-feira, 15 de novembro de 2011

E o deserto pegou fogo

Um assunto puxa o outro e puxa um outro e cada hora me lembro de um causu. Agora me lembrei da festa de São João que fizemos no acampamento,  no tempo que trabalhei no Iraque.
A gente tentava comemorar as festas do Brasil por vários motivos.  Primeiro de tudo pra ter o que fazer, como se divertir. Depois pra matar as saudades, boa desculpa pra fazer ou comprar roupa nova, e também pra mostrar pras crianças e adolescentes filhos dos funcionários, o que tava rolando na nossa terra.
Aí chegou o mês de junho. Festa junina quebrando o pau no Brasil e resolvemos fazer a
 nossa. Tudo no máximo possível dentro dos conformes. Com o material que a gente conseguia no deserto, que não era grande coisa.
E prepara daqui, prepara dali, improvisa de um canto, cria do outro e a animação comia solta. Como já dizia o seu Antoine no Pequeno Príncipe, melhor do que a festa é se preparar pra ela. E é mesmo.
Foi aí que alguém se lembrou da fogueira. Tinha que ter fogueira. Onde já se viu festa de São João sem fogueira? Batata doce já não ia ter, pipoca muito menos. Fogueira não poderia faltar!
E outro alguém foi incumbido de armar a danada. Não tinha lenha, mas tinha tábua de todo tamanho e forma.
E ela foi montada no meio do campo onde seria a festa. Linda, muito alta, um fogueirão que iria iluminar o deserto.
Nestas ocasiões o melhor de tudo era ver a cara dos árabes e de todas as outras trocentas nacionalidades de povo que tinha por lá, acompanhar e até ajudar a gente, com aquela cara de "o que será que vai sair dessa vez?" porque tudo era novidade pra eles. Inclusive a nossa loucura. Quem acompanha o blog já sabe de muitos causus.
E chegou o dia da festa. Mais animada impossível! Calorão comendo solto, pleno verão iraquiano com 40º graus mole mole, na moleira.
Povo reunido, dança, quentão e tudo o mais que conseguimos, festança sucesso total,  e chegou o momento de ascender a fogueira. E ela brilhou bonita! As labaredas subiram rapidinho clareando como previsto o deserto.  Só, que no máximo por uns 10 minutos. Como assim? 10 minutos? Mas ela não foi feita super alta, pra durar a festa toda? Foi. Só que a gente esqueceu de um fato muito importante.
A turma do corpo de bombeiros era comandada e administrada pelos iraquianos, e instruída pra dormir com um olho aberto e outro fechado, porque tudo era muito inflamável no acampamento a começar pelas nossas casas, que eram de madeira e queimavam em 5 minutos. Todos nós éramos treinados e alertados o tempo todo sobre este assunto.
No que o fogo gritou,  a sirene do caminhão de bombeiros gritou mais alto ainda e a fogueira levou um banho que liquidou com toda a luz em poucos segundos.
Mas a festa não terminou por isso, nem ficamos tristes. Pelo contrário, isso foi motivo pra muito riso e muita história que foi contada durante muito tempo. E continua, como agora por exemplo.
E os bombeiros nem puderam ser repreendidos. Foram até elogiados pela precisão e rapidez da ação.
E quem quiser que conte outra!


4 comentários:

  1. hahahah
    tudo é motivo p festa...
    Creio q deve ser assim mesmo qdo estamos longe de casa, a gente dá valor a tudo q lembra a terrinha e como não lembrar das juninas de Minas, né não?E o povo gostou desta festa? deve ter dado assunto p muito tempo....
    bjim

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  2. Vi lá q rendeu mesmo o assunto.
    Bom fds

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  3. Pois é Maga, e a meninada que mora em acampamento de obra tem que participar destas comemorações pra quando voltar pra casa não ficar tão deslocado...era bom mesmo!
    bjos bjos

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